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PARTE 1: PERSPECTIVA

Extensão: 914 palavras | Leitura: 5 min

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Acordei com o sonho ainda fresco na cabeça. Domingo, por volta das nove da manhã.

Ela estava lá. A Larissa.

Não conheço ela direito. Sigo ela no Instagram (sou meio estranho — só sigo pessoas, não deixo ninguém me seguir, e é estranho falar que sou estranho), aquela coisa superficial de redes sociais. Ela é amiga de uma ex-amiga minha. Vi um vídeo dela no Threads sobre ela usando um vestido curto pra altura dela, e de alguma forma aquilo ficou na cabeça. Sim, ela ficou hehehe. E sem querer isso virou sonho. Um sonho, se é que me entende.

O sonho:

A gente tava passeando num lugar tipo parque arborizado. Árvores gigantes, luz do sol vazando entre as folhas, clima de tarde boa. Estávamos andando sem pressa, conversando, rindo à toa – daquele jeito quando você tá num dia bom sem motivo específico.

Do nada bateu aquela vibe de “estamos nos divertindo DEMAIS” e, sei lá que energia foi aquela, subi nas costas dela. Tipo criança empolgada no parque. Ela nem reclamou, a gente tava rindo muito.

Mas aí meu cérebro de sonho pensou “não, espera, posso melhorar isso” e decidi colocá-la no ombro. Sim, tipo troféu da Copa do Mundo. Meu subconsciente tem ideias excelentes de romance, claramente.

Quando coloquei ela de volta no chão, abracei. Rolou aquele momento meio cinematográfico e pensei “opa, essa é a hora”.

Tentei beijá-la.

Ela, com a cara mais séria do mundo: “A gente é PRIMO.”

Eu: “????? DESDE QUANDO???”

Meu próprio cérebro inventou um parentesco fake só pra me dar um fora imaginário. Ela pediu pra eu largá-la, quis se afastar tipo “isso é errado”, tentei apaziguar, falar “calma, podemos conversar sobre isso” (sendo que NÃO SOMOS PRIMOS EM LUGAR NENHUM), mas ela já tava no modo “tchau, foi mal aí, primo esquisito”.

E o próprio sonho virou algo de eu lembrando uma postagem dela no Threads sobre o vestido de dança, e fiquei a dizer naquele sonho mesmo que isso tudo me fez perder de participar do Show do Milhão.

Sim, o programa do Silvio Santos que nem existe mais.

Mas pensei: “Ela nem deve saber quem eu sou. Sou literalmente ninguém na fila do pão pra ela.”

Despertei.

Camiseta regata vinho grudada no peito suado, tênis surrado jogado no canto do quarto, cadarço direito solto como sempre. Peguei o celular da mesinha de cabeceira.

É isso, esse sonho, sem nada demais né? Mas para mim, foi um sonho, o sonho, um dos meus sonhos…

Fiquei ali deitado, tentando segurar os detalhes antes que sumissem – como sempre acontece com sonhos. Mas vários detalhes sumiram mesmo, meu próprio relato não fazia jus ao que senti, como me senti, mas fiz o que faço sempre: registrei. E pensei em colocar nas inteligências artificiais e ver o que acontecia.

Ainda deitado, abri o Claude.

Comecei contando o sonho. Expliquei quem era a Larissa (conhecida, amiga de ex-amiga, a gente mal se fala). Contei sobre o parque, o passeio, a tentativa de beijo, o “somos primos”, tudo.

Claude me perguntou como eu me sentia sobre o sonho.

“Adorei. Gosto do que ele cria, do que me mostra, da novidade, da situação, por ter sentido tudo aquilo. A rejeição, a maneira que aconteceu… sensacional ter esse sonho!”

Claude ficou meio surpreso. Disse que era incomum alguém apreciar um sonho com rejeição.

Expliquei: “Pra mim, todos os sonhos são ótimos. Adoro a situação ‘do nada’ que o inconsciente me leva e me mostra nessa ‘realidade’.”

Conversamos sobre isso. Sobre como eu registro sonhos (55+ nos últimos meses, centenas ao longo de 20+ anos). Sobre como aprecio a experiência em si, não o resultado.

E então propus: “Poderia escrever uma história engraçada, cômica com o sonho da Larissa. Pensei em enviar pra ela… só porque quero, sabe.”

Claude topou ajudar. E foi aí que começou.

Começamos a construir juntos.

Eu dava os detalhes. Claude estruturava, sugeria tom, ajustava frases.

Fomos lapidando. Tirando o meloso, deixando honesto mas leve. Mantendo o absurdo mas respeitoso.

Reescrevemos algumas vezes. Ajustamos referências (o vestido do Threads, o Show do Milhão). Deixamos autoirônico sem ser autodepreciativo.

Claude ponderava: “Agora você pode guardar isso. Ficou legal, não acha?”

Mas pensei: não, não quero guardar só para mim. Vou enviar para ela.

“Ganho tanto enviando como não enviando. Se enviar e ela não gosta, foda-se. Se enviar e ela curtir, já ganhei algo. Então, enviando pode trazer algo positivo…”

Claude hesitou: “Tem certeza? O enviar não tem volta!”

“O não enviar também não tem volta.”

Touché.

Finalizamos o texto. Ficou bom. Engraçado, honesto, leve.

Claude questionou novamente se eu ia realmente enviar.

“Vou.”

E fui.

Abri o Instagram. Direct da Larissa.

Tive que dividir em três mensagens (limite de caracteres do Instagram).

Tive que fazer no celular a divisão, colando uma parte, lendo até onde ia e continuando na próxima. Chato, mas realizável.

Reli rapidamente.

E apertei enviar.

Fechei o Instagram.

Pronto.

Fiz o que quis. O que ela vai fazer agora é problema dela.

E a partir disso terei as consequências.

Hoje, vou viver tranquilo com o que receber, porque vivi.

Mas comecei a ver em Claude uma oportunidade a mais…

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Sinopse Narrativa:

Numa manhã de domingo, Jota acorda de um sonho vívido com Larissa — conhecida superficial do Instagram — em que tentam se beijar mas ela o rejeita inventando um parentesco fictício. Em vez de se incomodar, Jota aprecia a experiência onírica e decide transformá-la em texto cômico com ajuda do Claude. Após lapidarem o texto juntos, Jota manda a história para a Larissa via Instagram DM, aceitando quaisquer consequências com tranquilidade.

Gênero Autoficção, Slice of Life
Tom Autoirônico, Cotidiano, Leve
Timeline Curitiba
Versão Jota Normal
Categoria Reflexão pessoal, Relacionamento
Itens Essenciais Camiseta regata vinho, Tênis surrado
Temas Apreciação da experiência onírica, coragem afetiva, Espontaneidade
Locais Parque arborizado (dentro do sonho), Quarto de Jota (domingo de manhã)
Palavras-Chave autoironia, Claude, enviar ou não enviar, Instagram, Larissa, registro de sonhos, rejeição imaginária, sonho
Primeiro conto a retratar explicitamente a interação de Jota com o Claude (IA) como ferramenta criativa e interlocutor. Referências culturais: Show do Milhão (Silvio Santos), Threads, vestido de dança. Jota menciona registro sistemático de sonhos (55+ nos últimos meses, centenas ao longo de 20+ anos). História em múltiplas partes — esta é a Parte 1.
 

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