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Duas Naves no Escuro

Extensão: 3.061 palavras | Leitura: 16 min

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O hangar cheirava a café recém-feito e metal aquecido. Luzes amarelas de sódio penduradas no teto alto jogavam sombras longas nos dois cascos prateados estacionados lado a lado, como se fossem dois irmãos que nunca se bicaram de verdade.

A nave de Jota era a menor, ágil como caça, feita pra velocidade. A do Rand Oliveira era o caminhão da família: tanques gordos, rampa larga, compartimento de carga abarrotado de caixas que ninguém abria desde o último salto. Rand Oliveira, amigo de infância que cresceu com eles desde criança, comandava a operação como se tivesse nascido pra isso. O velho — senhor Geraldo, pai de todos — estava lá em cima, debruçado na escada, conferindo selos de pressão com a calma de quem já viu planeta explodir e ainda voltou pra jantar.

Popó gritou lá de dentro da nave grande, voz ecoando pelo hangar inteiro:

— Pai, oxigênio reserva tá no verde, mas se alguém abrir a boca demais vai ficar azul rapidinho!

Jota já tinha o celular na mão, luz vermelha acesa, tentando pegar o ângulo perfeito do motor principal aquecendo. Registro histórico. Um dia ia valer ouro no grupo da família.

Rand apareceu na rampa da nave maior como se tivesse nascido de uniforme completo. Tablet na mão esquerda, cara fechada na direita.

— Sem filmar agora, Jota. Decolagem crítica. Foco total.

— Só o procedimento. Trinta segundos.

— Trinta segundos é o tempo que leva pra gente virar purê de batata no vácuo se alguém distrair. Guarda essa porra.

Jota engoliu seco, guardou o celular no bolso da calça de moletom por baixo do macacão espacial cinza. O bolso rasgou um pouco mais. Normal.

Deu meia-volta, atravessou o corredor de luz até a nave menor. Escotilha aberta, luz interna azulada vazando como sangue frio. Subiu a rampa devagar. O ar ali dentro era mais quente, cheirava a metal novo e… perfume caro. Perfume que ele conhecia muito bem.

No cockpit, de costas pra ele, sentada no assento do comandante, pernas cruzadas, bota de cano alto apoiada no painel: Satogos Cruel.

Biquíni preto por baixo do macacão aberto até a cintura, tatuagens no braço refletindo na tela dos monitores. Ela virou o rosto só o suficiente pra olhar Jota de canto. Olho verde-gelo.

— Demorou, Jota.

Jota parou na porta.

— O que tu tá fazendo na minha nave?

— Corrigi o plano de voo. — Ela bateu com a unha no tablet. — O Rand acha que tu vai na cauda dele a dez mil quilômetros. Eu acho que tu vai na minha.

Jota respirou fundo. O cheiro dela já tinha invadido o cockpit inteiro.

— E o pai deixou?

— Seu pai nem sabe ainda. — Ela sorriu daquele jeito que congela sangue. — Mas vai deixar. Sempre deixa quando eu peço.

Jota olhou pela janela frontal. A nave grande já vibrava, luzes externas passando de branco pra vermelho. O velho lá embaixo fez sinal de positivo pro Rand. Contagem regressiva silenciosa começando.

Satogos se levantou, andou até Jota, parou a dois palmos. O macacão aberto mostrava o biquíni preto marcando tudo que tinha direito.

— Tu quer mesmo ficar de escudeiro do Rand ou quer pilotar do meu lado?

No bolso interno do macacão, onde guardava sempre, o ímã de geladeira — retangular, cinza fosco, logo do Posto Esso quase apagado, beiradas descascando — começou a esquentar. Jota levou a mão ao peito, sentiu o calor atravessando o tecido. O ímã só fazia isso quando família estava por perto. Quando algo importante ia acontecer. A temperatura subiu tanto que Jota precisou ajustar o macacão; uma marca azul pálida brilhava agora por baixo do tecido, pulsando como coração.

— Eu piloto — falou.

— Então senta logo, comandante. — Ela voltou pro assento, jogou o cabelo pra trás. — E amarra esse cadarço antes que tu tropece e estrague algo no painel.

Jota olhou pro tênis surrado. O cadarço direito estava firme, mas ele conhecia bem aquele par: vivia soltando na hora errada. Melhor prevenir.

Se abaixou rápido. Enquanto ajustava o nó, o dedão apareceu pelo buraco de sempre. Foi quando viu, quase escondido debaixo do assento do copiloto, um papel dobrado. Pegou.

Era uma página solta do caderno marrom. Alguém tinha rasgado. Na margem, letra da Satogos:

“Se tu ficar de escudeiro do Rand, esquece que eu existo. Se tu vier do meu lado, eu caso contigo no próximo planeta. Escolhe, Jota.”

Jota guardou a página rasgada no bolso do macacão, bem junto do isqueiro amarelo que nunca usava pra nada além de sobreviver. O papel queimava mais que o motor aquecendo. O ímã no peito esquentou mais ainda, quase doendo.

Satogos já estava de volta no assento do copiloto, pernas cruzadas, unha tamborilando no apoio de braço como se tivesse todo o tempo do cosmos.

— Escolheu, Jota?

Jota olhou pra Satogos. Depois pra nave grande lá fora. Respirou fundo.

— Escolhi você. Casamento ou não, tanto faz. Mas escolhi.

Ela deu uma risada curta, seca, curitibana até no espaço.

— Tu é lento pra caralho, mas pelo menos é honesto.

Jota sentou pesado no comando. A cadeira rangeu com os 110 kg de sempre.

Os painéis acenderam de vez. Verde em tudo. A IA da nave reconheceu a digital de Jota e cuspiu no alto-falante com voz de mulher de call center:

“Comandante Geraldo reconhecido. Bem-vindo à Nave Secundária Gol-69. Destino final: setor Kepler-186. Deseja café?”

— Depois do salto, gatinha — falou Jota pra IA. Satogos revirou os olhos.

Pela janela lateral, Jota viu o velho descendo a escada da nave grande. Ele parou no último degrau, olhou direto pra escotilha da Gol-69. Mesmo a cinquenta metros, o olhar dele atravessava aço. Levantou dois dedos: sinal de “vocês dois, comigo, agora”. Depois sumiu lá dentro.

Popó apareceu na rampa da nave do Rand, acenando frenético.

— Jota! O pai tá chamando! Disse que é pra tu vir pra cá antes que o Rand tranque a porra toda!

Satogos apertou o intercom da Gol-69 antes que Jota respondesse.

— Popó, fala pro pai que o Jota tá ocupado pilotando a nave dele. E que a Satogos tá mandando um beijo.

Popó ficou branco. Desligou o intercom na hora.

Jota riu sem querer.

— Tu vai arrumar confusão com meu pai, mulher.

— Já arrumei faz tempo. Ele só finge que não gosta. — Ela se inclinou, dedo no botão de ignição principal. — Liga essa merda ou eu ligo.

Jota respirou fundo. O ímã no peito pulsava agora, esquentando e esfriando em ondas.

— Liga tu. Eu assumo depois.

Ela apertou.

A nave inteira tremeu como se tivesse tomado choque. Motores iônicos rugindo baixo, aquele som de trovão engolido que faz o peito vibrar. Luzes internas passaram de azul pra vermelho-sangue. No vidro frontal, a projeção holográfica da contagem: T-00:02:11.

Dois minutos e onze segundos.

A voz do Rand estourou no canal geral:

— Nave secundária, aqui é a principal. Vocês estão fora de sequência. Desliguem imediatamente e aguardem o procedimento padrão.

Satogos respondeu antes de Jota, voz doce como veneno:

— Negativo, Rand. A gente vai na frente hoje. Tu segue a gente. Beijo.

Silêncio total no canal.

Depois o velho, calmo, grave, voz que parecia vir de dentro da terra:

— Jota. Escuta o Rand.

Jota olhou pra Satogos. Ela olhou de volta. Aquele olhar que já fez ele dirigir quatrocentos quilômetros no Gol Bolinha só pra levar ela em casa às quatro da manhã.

O ímã no peito dele brilhou. Azul pálido, atravessando o tecido do macacão. Família. Aviso. Decisão.

— Pai — falou Jota no canal —, eu vou na frente.

Outro silêncio. Longo. O tipo de silêncio que precede explosão ou perdão.

A voz do Popó voltou, quase sussurrando:

— Jota… o Rand tá puto pra caralho. Ele travou o teu controle remoto. Tu não vai conseguir abrir o portão do hangar.

Satogos sorriu de lado.

— Ele acha que travou.

Ela digitou rápido no tablet. Um código que Jota nunca viu. As luzes externas do hangar piscaram três vezes e o portão principal começou a subir sozinho, rangendo como se estivesse com raiva.

— Como tu fez isso?

— Moro aqui também. Enquanto tu tava chorando por causa dessas suas putinhas.

Jota não teve tempo de responder.

O portão terminou de abrir. O vácuo chamava do outro lado, silêncio absoluto esperando.

Jota pisou no acelerador. A Gol-69 deu um coice pra frente, rampa se fechando automática, atravessando o portal num clarão de luz que cegou as câmeras do hangar.

Vácuo.

Silêncio.

Estrelas em todas as direções.

Jota pilotou até o último ponto de verificação. A nave grande do Rand já estava lá, flutuando cinco quilômetros à frente, luzes verdes piscando em formação de espera. Rand tinha finalizado todos os procedimentos enquanto eles testavam as atualizações.

Jota posicionou a Gol-69 ao lado, mantendo distância segura.

O ímã no peito dele pulsou forte. Família por perto. Tudo certo.

A voz do Rand voltou, controlada mas tensa:

— Já que estão aí, finalizem os procedimentos de abastecimento. Depois formação padrão para início da missão.

Satogos respondeu sem olhar pra Jota:

— Verificações em andamento. Abastecimento completo. Formação mantida.

O canal ficou mudo por longos segundos.

Depois a voz do velho, mais suave que o normal:

— Formação aceita. Mantenham distância segura. Salto em cinco minutos.

Jota soltou o ar que nem sabia que estava segurando.

Satogos se virou pra ele, olhos brilhando.

— Teu pai acabou de te aprovar.

— Ele não tinha escolha.

— Tinha. Podia ter mandado o Rand te puxar de volta à força. — Ela se inclinou, tocou o rosto dele. — Mas não mandou.

Jota olhou pela janela lateral. A nave grande estava lá, cinco quilômetros atrás, luzes verdes em formação. O velho no cockpit, braços cruzados, olhando direto pra Gol-69.

Por um longo momento, nada.

Depois o velho fez um aceno curto com a cabeça. Só isso. Pra ele era como dar medalha.

O ímã no peito de Jota brilhou mais forte por um segundo. Depois voltou ao normal.

Satogos sentou no colo do assento do copiloto, de frente pra Jota.

— Primeira vez que tu faz algo teu de verdade, né?

Jota assentiu devagar.

— Primeira vez que eu piloto minha própria nave. Literalmente.

Ela sorriu daquele jeito que desarma qualquer defesa.

— E como tá sendo?

— Assustador pra caralho. — Jota riu baixo. — Mas bom.

Satogos se inclinou e o beijou. Beijo demorado, sem pressa, do tipo que faz o tempo parar.

Quando se afastou, os olhos verdes dela tavam diferentes. Menos gelo, mais fogo.

— Casamento marcado pro próximo planeta, comandante.

Jota sorriu de lado.

— Sou difícil, tem que me levar para jantar primeiro.

Ela riu, aquele riso que parece faca abrindo lata.

— Jantar eu garanto. Casamento a gente vê.

— Então, comandante. Destino? — perguntou ela, voltando pro assento do copiloto.

A tela principal mostrava o setor Kepler-186, cinco anos-luz pela frente. Uma bola azul-esverdeada girando devagar. Tinha um nome temporário no banco de dados: Novo Paraná.

Jota riu sozinho.

— Novo Paraná? Sério?

— Teus irmãos que batizaram. Disseram que se tem água e gravidade, já dá pra fazer churrasco e reclamar do IPTU.

Ela se inclinou, nariz quase encostando no dele.

— Casamento lá, então? Igreja na praia, padre de tanga, testemunhas alienígenas?

— Esquece o casamento, só ficaremos juntos pra sempre, e é promessa minha, já você pode sempre sumir.

— Eu não sumo mais, Jota. — A voz dela baixou, quase um sussurro. — Tu acabou de escolher a gente. Agora aguenta.

O comunicador interno da nave apitou. A IA voltou, voz de call center:

“Comandante, combustível iônico suficiente para salto hiperespacial em três minutos. Deseja prosseguir?”

Jota olhou pra Satogos. Ela olhou pra ele.

— Prossegue — falou Jota pra IA.

— Confirmando salto em T-00:02:59… 58… 57…

Satogos pegou a mão de Jota, entrelaçou os dedos. A tatuagem de dragão no braço dela parecia viva sob a luz vermelha.

— Tu sabe que o Rand vai tentar passar a gente no salto, né?

— Que tente.

— E o pai vai fingir que não viu nada.

— Como sempre.

A contagem chegou em 00:00:30.

Jota pegou o isqueiro amarelo do bolso, girou a rodinha. A chama acendeu na primeira tentativa, como sempre. Iluminou o rosto de Satogos por um segundo.

— Pela primeira vez, eu sou comandante da minha própria nave.

A chama dançou.

00:00:20.

O ímã no peito de Jota começou a esfriar. Devagar. Como se estivesse se despedindo.

00:00:10.

A nave inteira começou a cantar aquele som grave, de cordas de violão sendo esticadas até o limite. O espaço lá fora se dobrou, como pano molhado sendo torcido. Estrelas alongaram, viraram linhas brancas, depois explodiram em cores que não tinham nome.

Satogos apertou a mão de Jota mais forte.

— Última chance de virar escudeiro do Rand, Jota.

00:00:05.

Jota sentiu o ímã no peito dar um último pulso de calor. Família. Aviso. Despedida.

00:00:03.

Satogos puxou Jota pela gola do macacão e o beijou. Sem aviso. Sem licença.

00:00:00.

O universo rasgou.

A Gol-69 deu um estalo seco, como osso quebrando, e desapareceu do espaço num clarão branco que cegou todas as câmeras.

Dentro do cockpit, Jota sentiu o corpo virar gelatina, depois vapor, depois nada. A tela ficou branca. Depois preta. Depois explodiu em milhões de cores que dançavam como fogo líquido. O som era de oceano quebrando em pedra, amplificado mil vezes. Satogos gritou, mas ele não ouviu. Só sentiu a mão dela apertando a dele com tanta força que os dedos doíam.

E então… silêncio.

Absoluto.

Vazio.

Jota abriu os olhos.

A tela mostrava estrelas normais de novo. Mas diferentes. Constelações que ele nunca viu.

E na frente, enorme, ocupando metade da visão:

Novo Paraná.

Azul-esverdeado, nuvens brancas girando devagar, oceanos brilhando sob dois sóis pequenos.

Satogos soltou a mão dele, respirando pesado.

— A gente… conseguiu?

Jota olhou ao redor. Painel verde. Sistemas funcionando. Casco inteiro.

— A gente conseguiu.

Ela olhou pela janela traseira.

Vazio.

Nem sinal da nave grande.

Nem eco do Rand gritando.

Nem o velho mandando parar.

Nem o Popó zoando.

Só estrelas desconhecidas e silêncio.

Jota levou a mão ao peito. O ímã estava gelado. Completamente frio. Sem brilho, sem calor, sem pulso.

Apagado.

Satogos viu a expressão no rosto dele.

— O que foi?

Jota tirou o ímã do bolso interno do macacão. Retangular, cinza fosco, logo do Posto Esso quase apagado, beiradas descascando. Morto. Inerte.

Jota segurou o ímã na palma da mão. Frio. Completamente morto. A última vez que sentiu esse vazio no peito foi quando perdeu alguém que amava. Quando a casa ficou quieta demais. Quando percebeu que solidão é silêncio em metal. Engoliu seco.

— Eles não conseguiram — sussurrou.

— Como tu sabe?

— Herança de família — respondeu Jota, voz baixa. — Coisa antiga. Só funciona quando tem família por perto.

O painel apitou. Mensagem de áudio. Automática.

Jota apertou o play.

A voz do Rand, tensa mas controlada:

“Jota, se tu tiver ouvindo isso, é porque conseguiu saltar. A nave principal teve falha crítica no sistema de propulsão. Estimativa de reparo: duas semanas. Mas a janela de hiperespaço fecha em quatro dias. Não dá tempo. Pai abortou a missão. Estamos voltando pra base. Próxima janela pra Kepler-186 abre só daqui quatorze meses. Vocês vão ter que esperar aí. Desculpa, irmão. A gente chega em 427 dias. Sobrevive até lá.”

Silêncio.

Satogos olhou pra Jota.

— Quatorze meses.

Jota tocou no painel. Um único toque. Sinal de confirmação transmitido. Um bip curto atravessando o vazio entre dimensões.

Mensagem recebida. Estamos vivos.

Enviar algo maior gastaria energia desnecessária. O Rand ia entender.

Jota desligou o áudio, guardou o ímã de volta, olhou pro planeta lá fora.

— Quatorze meses pra construir tudo do zero. Até eles chegarem.

Jota respirou fundo, pegou o manche, ajustou a trajetória.

— Vamos pousar.

A Gol-69 entrou na atmosfera de Novo Paraná devagar, casco aquecendo, escudos brilhando laranja. O planeta crescia na tela, mostrando continentes verdes, mares azuis impossíveis, nuvens que pareciam algodão doce.

Satogos apertou o cinto, olhos fixos no horizonte alienígena.

— Parece que a gente chegou primeiro, comandante.

Jota não respondeu. Só pilotou.

A nave desceu, cortando nuvens, passando por bandos de criaturas voadoras que pareciam pássaros mas não eram, deslizando sobre oceano que brilhava verde-esmeralda.

Encontrou uma praia larga, areia branca, sem pegadas.

Pousou suave.

Motores desligando.

Silêncio.

Satogos soltou o cinto, foi até a escotilha, abriu devagar.

O ar de Novo Paraná entrou: quente, úmido, cheirando a sal e algo doce que nenhum dos dois sabia nomear.

Ela desceu a rampa, pisou na areia.

Jota ficou no cockpit, olhando pra trás uma última vez.

Vazio.

Nem sinal de outra nave.

Nem rastro de salto hiperespacial.

Pegou o ímã de novo, segurou na palma da mão.

Frio. Morto. Apagado.

Guardou no bolso.

Levantou.

Desceu a rampa.

Pisou em Novo Paraná.

A areia era macia, quente. O céu tinha três luas pequenas visíveis mesmo de dia. O oceano fazia barulho de música que ele nunca ouviu.

Satogos olhou pra ele.

— E agora?

Jota olhou pro horizonte. Vazio. Livre. Sozinho.

— Agora a gente constrói.

Ela segurou a mão dele.

— Sem teu pai. Sem o Rand. Sem o Popó. Por quatorze meses.

Jota apertou a mão dela de volta.

— Só a gente.

O vento de Novo Paraná soprou, trazendo cheiro de futuro incerto.

E atrás deles, no céu vazio, nenhuma nave apareceu.

Mas em 427 dias, se tudo desse certo, a família viria.

Até lá, era só eles dois.

E um planeta inteiro pra construir.

O ímã no bolso de Jota permaneceu frio.

E Novo Paraná os recebeu em silêncio, como recebe todo pioneiro que chegou primeiro.

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Sinopse Narrativa:

Família de Jota prepara viagem espacial ao setor Kepler-186 (planeta Novo Paraná). Satogos entra na nave de Jota oferecendo escolha: pilotar como escudeiro do Rand ou comandar própria nave ao lado dela (com promessa de casamento). Jota escolhe Satogos. Saltam para hiperespaço mas nave principal falha. Só Jota e Satogos chegam a Novo Paraná. Família conseguirá chegar apenas em 427 dias.

Gênero Ficção Científica Espacial, Romance
Tom Aventuresco, Dramático, Romântico
Timeline espaço sideral, futuro, Tech
Versão Jota Comandante
Categoria Autonomia, Escolha, Viagem espacial
Itens Essenciais Caderno marrom de capa dura, Camiseta regata vinho, Gol Bolinha Cinza Urban 2003, Ímã (posto Esso), Isqueiro amarelo (o sobrevivente), Tênis surrado
Temas Escolha e autonomia, Família versus amor romântico, Pioneirismo
Locais espaço sideral, Hangar espacial, oceano verde-esmeralda, planeta Novo Paraná, praia, setor Kepler-186
Palavras-Chave escolha romântica, ímã de família, isolamento, nave Gol-69, Novo Paraná, pioneiros, salto hiperespacial, viagem espacial
Jota pesa 110 kg. Primeira missão como comandante de própria nave (Nave Secundária Gol-69). Senhor Geraldo é pai de Jota e Popó. Rand Oliveira é amigo de infância que cresceu com família desde criança. Ímã funciona como sensor de família: esquenta/brilha azul quando família está perto, esfria/apaga quando não estão. Mensagem de Satogos na página rasgada: "Se tu ficar de escudeiro do Rand, esquece que eu existo. Se tu vier do meu lado, eu caso contigo no próximo planeta. Escolhe, Jota." Nave principal tem falha crítica no salto, só Jota e Satogos chegam a Kepler-186. Família precisa abortar missão, próxima janela só em 14 meses (427 dias). Novo Paraná tem dois sóis pequenos, três luas visíveis de dia, areia branca, oceano verde-esmeralda, ar quente/úmido com cheiro de sal e algo doce. Jota promete ficarem juntos pra sempre (sem casamento formal). IA da nave tem voz de call center, oferece café. Calça de moletom por baixo do macacão espacial cinza.
 

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