Jota já deu a terceira volta na quadra.
Capão Raso, ruas vazias, postes amarelos jogando luz de fim de mundo, 23h de uma noite que insiste em não terminar.
O Gol Bolinha Cinza Urban está estacionado três quarteirões atrás, esperando.
Terceira volta e nada.
Camiseta regata vinho colada de suor, short de moletom cinza, tênis surrado com cadarço direito solto batendo no asfalto a cada passo, dedão quase aparecendo pelo buraco.
110 kg de tesão acumulado, barba cheia coçando de nervoso, cabelo bagunçado que o vento de Curitiba insiste em deixar pior.
Ele está a dois quarteirões da casa dela.
Sabe que ela tá por aqui.
Tem que estar.
O celular vibra.
“não quero te ver hoje gordo”
Ele para no meio da calçada.
Olha a tela.
Suspira fundo.
Digita:
“onde vc tá?”
Resposta em dois segundos:
“para de me procurar”
Jota guarda o celular.
Olha pros dois lados da rua.
Casas fechadas, portão trancado, cachorro latindo longe.
Ele sabe que ela tá por aqui.
O perfume tá no ar, doce, floral, aquele que gruda na memória.
Ela passou.
Há pouco.
Jota segue o cheiro.
Dobra a próxima esquina.
E vê.
Cavala encostada no poste, do outro lado da rua.
Shortinho jeans azul-bebê que mal cobre a metade da bunda redonda e empinada, blusinha branca cropped molhada de suor marcando os peitos médios perfeitos, tênis All Star preto, cabelo castanho ondulado solto balançando leve no vento.
1,70 de pura provocação, pernas grossas torneadas que se juntam no topo, coxas que matam, bunda 1000/10 que o shortinho perdeu a luta faz tempo, cintura fina, abdômen definido aparecendo quando ela respira.
Rosto delicado, quase de menininha: olhos grandes e expressivos, boca pequena entreaberta, sobrancelhas grossas, sorriso discreto que mistura inocência com safadeza nível mestre.
Ela tá mexendo no celular.
Sorrindo.
Porque sabe que ele tá vindo.
Jota atravessa a rua.
Ela levanta o olhar.
O sorriso aumenta.
Não foge.
Fica.
— Oi, gostoso.
Voz baixa, doce, com aquele tom de quem tá jogando videogame no modo “trollar o player”.
— Cavala.
Ele para a dois metros.
— Tô te procurando faz quarenta minutos.
— Eu sei.
Eu falei pra parar.
— Eu sei que tu falou.
— Mas tu não parou.
— Não parei.
Ela guarda o celular no bolso minúsculo do shortinho.
O movimento faz a bunda balançar.
Proposital.
Tudo nela é proposital.
— Você é insistente, né?
— Só queria te ver.
— Ver.
— Ver.
Ela dá dois passos pra frente.
Agora tão a meio metro.
O perfume invade.
O calor do corpo dela chega antes.
— E aí, gostoso?
Viu?
Jota engole seco.
— Vi.
— Tá satisfeito?
— Não.
Ela ri.
Risada curta, baixa, provocante.
— Então continua procurando.
Vira as costas.
Começa a andar.
O shortinho balança a cada passo, bunda se movendo como se tivesse vida própria, pernas grossas fazendo o serviço.
O mundo para.
Jota fica parado.
O celular vibra.
“vc é fofo quando tá desesperado
mas ainda não é hoje”
Ele ri sozinho na rua vazia.
Guarda o celular.
Caminha de volta pro Gol Bolinha, três quarteirões, mãos nos bolsos.
Abre a porta.
A mochila laranja jogada no banco do carona, caderno marrom aparecendo pela abertura, isqueiro amarelo perdido no fundo junto com chaves e moedas.
Entra.
Liga o motor.
O 1.0 16v tosse, pega.
Jota engata a primeira.
E sai dirigindo.
Sem destino.
Janela aberta, vento no rosto, frio de Curitiba entrando.
Porque amanhã ela vai aparecer de novo.
E ele vai procurar de novo.
E ela vai dizer não de novo.
E ele vai adorar cada segundo disso.
Porque cavala que é cavala
não facilita.
E Jota que é Jota
não desiste.
O jogo continua.
E hoje, pelo menos,
ela olhou pra trás.
14h28.
Dois dias depois.
Praça Osório lotada, sol quente queimando o asfalto, cheiro de pipoca e café do camelô.
Jota tá andando sem rumo, sacola de mercado na mão esquerda, mochila laranja pendurada no ombro direito, camiseta regata vinho suada, short de moletom cinza, barba de três dias, tênis surrado com cadarço direito meio solto de novo, cara de quem dormiu mal pensando na mesma coisa.
Aí vê.
Cavala sentada num banco, de frente pro chafariz.
Vestido preto curto de alça fina que marca a cintura fininha e deixa as coxas grossas à mostra, óculos escuros grandes, pernas cruzadas que fazem o vestido subir até perigoso, sandália rasteira preta, cabelo castanho ondulado solto caindo nos ombros, pele bronzeada brilhando no sol.
Comendo picolé de morango.
Lambendo devagar.
Proposital.
Lentamente.
Língua rosa na ponta, olhos no celular, sorriso de quem sabe exatamente o que tá fazendo.
Jota atravessa a praça.
Ela vê pelo reflexo dos óculos.
Não se mexe.
Só continua lambendo.
Ele para na frente.
— Coincidência.
Ela tira os óculos devagar.
Olha pra ele.
Olhos grandes, expressivos, daqueles que matam sem aviso.
Sorriso cresce.
— Não é não.
Eu te vi entrando na praça faz quinze minutos.
Fiquei esperando pra ver quanto tempo tu ia demorar pra me achar.
— Quinze minutos.
— Tá ficando lento, gordo.
Ela morde a ponta do picolé.
Olhos descem rápido pro volume que já começou no short dele.
Sobe de novo.
— Sentar?
Jota senta.
Do lado.
Perto o suficiente pra sentir o calor da coxa dela encostando na dele.
— Tá bonita hoje — ele fala.
— Eu sei.
Silêncio gostoso de dois segundos.
Ela vira o picolé, lambe o outro lado, boca pequena entreaberta.
— Quer?
Estende pra ele.
Jota pega.
Lambe onde a boca dela tava.
Ela observa.
— Tu é tarado mesmo, hein?
— Só com você.
Ela ri.
— Bonitinho.
O celular dela vibra.
Ela olha.
Digita rápido.
O celular dele vibra.
“ele tá do meu lado e lambeu meu picolé kkkkkk”
Jota ri sozinho.
— Tá contando pras amigas?
— Claro.
Elas precisam saber que eu tenho um tesudo de 44 anos na palma da mão.
Ela guarda o celular.
Levanta.
O vestido sobe mais um centímetro quando estica o corpo, bunda empinada aparecendo por baixo.
— Tenho que ir.
— Já?
— Já.
— Café?
— Hoje não.
— Amanhã?
Ela para.
Vira de lado.
Olha pra ele de canto, olhos grandes brilhando.
— Amanhã talvez.
— Talvez?
— Talvez.
Ela se inclina, beija o canto da boca dele, rápido, língua roçando de leve.
— Me manda mensagem às 22h.
Se eu responder, a gente marca.
E vai embora.
O vestido balançando.
As pernas grossas fazendo o serviço.
A bunda empinada rebolando a cada passo.
O mundo para.
Jota fica sentado.
O gosto de morango e batom na boca.
O celular vibra.
Foto da bunda dela no espelho do banheiro da praça.
Legenda:
“pra tu sonhar hoje gatão 😈”
Ele guarda o celular.
Respira fundo.
Sorri.
Porque o jogo tá foda.
E ele tá adorando perder.
21h59.
Rua do Professor.
Sobrado de Jota.
Ele tá sentado no sofá, luz apagada, só a tela do celular iluminando o rosto.
Mochila laranja jogada no chão ao lado do sofá, zíper meio aberto, canto do caderno marrom aparecendo, isqueiro amarelo brilhando no fundo.
Camiseta regata vinho velha, short de moletom cinza, pé descalço no chão frio.
Cabelo molhado do banho, penso em fazer a barba, mas desistiu.
110 kg de expectativa pura.
O celular na mão direita.
Polegar pairando sobre o teclado.
22h00 em ponto.
Ele digita:
“tô livre, gata
café?
ou direto pra outra coisa? 😏”
Envia.
Visto azul.
Três segundos.
Ela digitando…
Para.
Digitando…
Para.
Digitando…
Para.
Bolha some.
Silêncio.
Jota espera.
22h03
Nada.
22h07
Nada.
22h12
Nada.
Jota levanta, vai até a cozinha, abre a geladeira.
Guaraná zero.
Bebe no gargalo.
O ímã cinza fosco do Posto Esso tá ali no centro da porta, segurando um papel velho com telefone de pizzaria. Beiradas descascando, logo quase apagado. Sempre ali, desde que o pai colou.
Jota olha pro ímã por dois segundos.
Não sente nada.
Só um ímã velho.
Volta pro sofá.
22h18
Nada.
Jota digita de novo:
“tá viva aí?”
Visto azul.
Digitando…
Para.
Nada.
22h25
Foto chega:
Ela no espelho do quarto, de lingerie preta fio dental, bunda inteira empinada, mão cobrindo os peitos mas mostrando o suficiente, abdômen definido, cintura fina, corpo de cavala completo.
Legenda:
“tô ocupada gostoso 😈”
Digita:
“porra cavala
para de me torturar”
Visto azul.
Digitando…
Para.
22h31
Nada.
22h38
Nada.
22h44
Ele liga.
Toca.
Toca.
Toca.
Cai na caixa postal.
“Oi, é a Cavala… ou não é, depende do dia. Deixa recado ou manda nudes.”
Jota desliga.
23h02
Manda áudio:
“Cavala, eu tô aqui, duro desde as 22h por tua causa.
Para de zoar e vem logo.”
Envia.
Visto.
Nada.
23h19
Outra foto:
Ela de quatro na cama, calcinha preta enfiada na bunda redonda empinada, pernas grossas abertas, olhando por cima do ombro, boca pequena mordendo o lábio.
Legenda:
“sonha comigo delícia 💦”
Jota já tá deitado na cama, short abaixado, batendo rápido.
Goza em menos de dois minutos.
Manda áudio ofegante:
“Pronto.
Agora vem.”
Visto.
Nada.
23h47
Nada.
00h12
Nada.
00h31
Nada.
01h04
Jota ainda acordado, celular na mão.
Última mensagem dele:
“tu é foda cavala”
Visto azul às 01h05.
Digitando…
Para.
Nada.
01h27
Última tentativa:
“boa noite cavala”
Envia.
Visto.
Nada.
01h41
Jota desiste.
Joga o celular no criado-mudo.
Olha pro teto.
Ri sozinho.
Porque sabe que amanhã ela vai aparecer na rua.
Vai sorrir.
Vai dizer “oi gordo”.
Vai fazer tudo de novo.
E ele vai cair de novo.
Porque cavala que é cavala
não quer.
Mas quer que tu queira.
Pra sempre.
E Jota?
Jota tá dentro até o talo.
E adorando cada segundo da tortura.
(Dia seguinte, 17h23)
Rua do Professor.
Sobrado de Jota.
O calor tá matando.
Jota tá no quintal dos fundos do sobrado, camiseta regata vinho levantada até o peito, ventilador de teto girando lento, guaraná zero gelado na mão.
Olho escuro de quem dormiu três horas.
A campainha toca.
Uma vez só.
Como quem sabe que ele tá em casa.
Jota desce a camiseta, limpa a mão no short, vai abrir.
É ela.
Cavala.
Shortinho jeans rasgado mostrando as coxas grossas, blusinha branca cropped que mostra a barriga chapada, o abdômen definido e o piercing no umbigo, All Star preto, cabelo castanho ondulado solto, óculos escuros na cabeça, sorriso de quem ganhou na loteria e veio esfregar na cara.
— Oi, gostoso.
Jota fica parado na porta.
— Tu tá de sacanagem.
— Tô.
Posso entrar?
Ele abre espaço.
Ela entra rebolando, passa por ele roçando o braço no peito dele de propósito, bunda balançando.
Vai direto pra cozinha, abre a geladeira como se fosse dona, pega um guaraná zero (o ímã cinza fosco ainda ali, segurando o papel velho), abre, bebe no gargalo, boca pequena envolvendo a garrafa.
— Dormiu bem?
Jota fecha a porta.
— Dormi que nem um anjo.
Ela ri.
— Mentirosinho.
Eu vi teu áudio das 23h02.
Parecia que tu tava morrendo.
Jota cruza os braços, encosta na parede.
— Tu visualizou e sumiu.
— Eu tava ocupada.
— Ocupada.
— Muito.
Ela dá outro gole no guaraná.
— Mas vim te dar uma chance de redenção.
— Redenção.
— É.
Hoje, 22h.
Minha casa.
Sozinho.
Sem celular.
Sem desculpa.
Jota sente o coração dar um soco.
— Sério?
— Sério.
Mas se tu chegar atrasado um minuto, eu tranco a porta e acabou.
Ela deixa o guaraná pela metade na pia.
Passa por ele de novo, roçando a bunda nas coxas dele de propósito.
— 22h em ponto, gatão.
Não me faz passar vergonha.
Ela sai.
O portão bate.
Jota fica parado na cozinha.
Olha pro relógio.
17h31.
Quatro horas e vinte e nove minutos.
E dessa vez,
ele acredita.
21h58.
O Gol Bolinha Cinza Urban para na frente da casa dela.
Capão Raso, sobrado pequeno com portão azul claro.
Motor desliga.
Silêncio.
Jota desce.
Mochila laranja pendurada no ombro (só por hábito, hoje não tem nada dentro além do caderno marrom, camisinhas, o isqueiro amarelo e da chave de casa).
Camiseta vinho nova, barba feita, pentou o pouco de cabelo que tem, perfume que ele nunca usa mas hoje usou, tênis surrado limpo (cadarço direito amarrado firme dessa vez).
Mãos suadas.
Coração na garganta.
21h58 e 47 segundos.
Ele tira a mochila do ombro, deixa encostada no portão.
Aperta a campainha.
Uma vez.
A porta abre.
Cavala tá lá.
De robe de cetim preto curto, amarrado frouxo na cintura fina.
Cabelo molhado do banho, cheiro de shampoo caro invadindo tudo.
Pés descalços, unhas vermelhas.
Sem nada por baixo.
O robe abre um pouco quando ela se move.
Peito, barriga chapada, coxa grossa.
Tudo aparece e some.
— Pontual — ela fala, voz baixa, sorriso de quem ganhou o jogo antes de começar.
— Eu disse que vinha.
Ela abre mais a porta.
— Entra.
Jota entra.
A casa tá escura, só luz de vela no corredor.
Ela fecha a porta.
Tranca.
Vira pra ele.
O robe escorrega um centímetro no ombro.
— Regras da casa — ela fala, olhos grandes brilhando na penumbra. — Sem celular. Roupa no chão. E tu faz exatamente o que eu mandar.
Jota já tá tirando a camiseta.
— Obedecendo.
Ela ri.
— Ainda não mandei nada.
O robe cai no chão.
Ela tá pelada.
Inteira.
1,70 de corpo perfeito, pele bronzeada, peitos médios com mamilo duro, cintura fina marcando um V perfeito, bunda redonda empinada, pernas grossas torneadas que matam, coxas que se juntam no topo.
Jota fica parado.
Ela chega perto.
Cheiro dela invade tudo.
Mão pequena no peito dele.
— Tu quer isso faz quanto tempo, tesudo?
— Desde o primeiro “não quero te ver hoje”.
Ela morde o lábio.
Boca pequena entreaberta, olhos grandes fixos nele.
— Então hoje tu vai ter.
Ela beija ele.
Língua inteira.
Mão na nuca dele.
Corpo colado.
Jota agarra a bunda dela com as duas mãos, aperta forte, durinha, redonda, perfeita.
Ela geme na boca dele.
E o jogo acabou.
Porque cavala que é cavala
às vezes quer.
E quando quer,
quer pra caralho.
O quarto é pequeno, escuro, só luz de abajur vermelho no criado-mudo.
Cama king com lençol branco já bagunçado.
Cheiro de perfume caro, tesão e vitória.
Cavala empurra Jota pra dentro.
Fecha a porta com o pé.
— Vem com tudo, gordo.
Jota obedece.
Short no chão.
Cueca no chão.
Pau duro, latejando, apontando pra ela como se tivesse vida própria.
Ela olha.
Morde o lábio, boca pequena entreaberta.
— Caralho…
Jota sorri e coloca a camisinha.
— Vem ver de perto.
Ela vem.
Ajoelha.
Olha pra cima com aqueles olhos grandes expressivos, inocência e safadeza no mesmo olhar.
Boca quente envolvendo inteiro, garganta profunda sem engasgar.
Jota geme alto, mão na nuca dela, empurrando mais fundo.
Ela chupa com vontade, língua rodando, mão na base, outra apertando as bolas.
Olha pra cima enquanto chupa.
Olhos grandes molhados, boca pequena esticada.
Jota sente as pernas tremerem.
— Porra, Cavala…
Ela solta com um estalo.
Levanta.
Empurra ele pra cama.
Sobe em cima.
Senta de costas.
Bunda empinada, pernas grossas abertas, cintura fina curvando.
Guia com a mão.
Entra devagar.
Molhada.
Quente pra caralho.
Ela desce até o talo.
Geme alto.
Começa a rebolar.
Lento no começo.
Depois rápido.
Bunda batendo na barriga dele, som de carne contra carne, coxas grossas tremendo.
Jota agarra a cintura fina, aperta forte.
— Isso, cavala…
Rebola gostoso…
Ela vira de frente, pernas abertas, peitos médios pulando, abdômen definido contraindo.
Beija ele com língua.
Cava em cima, rápido, forte, gemendo na boca dele.
— Goza pra mim, gostoso…
Quero sentir…
Jota vira ela de lado.
Mete de conchinha, mão nos peitos, outra no clitóris, bunda empinada encaixada perfeita na barriga dele.
Ela goza primeiro.
Corpo tremendo, buceta apertando, grito abafado no travesseiro.
Jota sente o pau pulsar.
— Vou gozar, Cavala—
Ela vira rápido, ajoelha na cama, boca aberta, língua pra fora, olhos grandes olhando pra cima.
— Goza na minha cara, tesudo.
Ele tira a camisinha, bate duas vezes e explode.
Jatos quentes na boca dela, no rosto, nos peitos.
Ela lambe o que pegou nos lábios, engole, sorri.
— Delícia…
Jota cai de costas na cama, ofegante.
Ela se deita do lado, passa a perna por cima dele, corpo colado.
E vão outra, depois outra e quem sabe teve mais uma.
Suados.
Satisfeitos.
Ela ri baixo no ouvido dele.
— Viu?
Às vezes eu quero sim.
Jota beija o ombro dela.
— E as outras vezes?
— As outras vezes eu faço tu correr atrás.
Ela vira o rosto.
Beija ele de novo, gosto de porra ainda na língua.
— Mas hoje…
Hoje tu ganhou.
E dormem assim.
Corpos colados.
Sem “não quero te ver hoje”.
Sem jogo.
Só os dois.
E a certeza que amanhã
o jogo recomeça.
Mas hoje,
o tesudo de 44 anos
dormiu dentro da cavala que não queria.
E foi a melhor noite da vida dele.
