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Imãs Proibidos

Extensão: 2.638 palavras | Leitura: 14 min

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Jota estacionou o Gol Bolinha 2003 cinza três casas acima do escritório do pai, porque a rua inteira estava tomada por carros. Sete e meia da noite de uma quinta, céu já preto, frio de rachar. O motor 1.0 a etanol morreu com aquele suspiro cansado de sempre, cheiro forte de álcool queimado subindo do escapamento. Desceu do carro batendo a porta duas vezes pra travar.

A camiseta regata vinho, rasgada nos ombros, colava no corpo com o suor do dia que ainda não tinha ido embora.

A rua da Pedreira do Orleans estava quieta demais. Galpões abandonados dos dois lados, mato crescendo nas calçadas rachadas. Só o barulho distante de caminhões descendo a contorno norte, freada seca, buzina de caminhão-baú. Quando o vento vinha do sul, chegava tudo aqui.

O portão estava aberto. Coisa que nunca acontecia.

A luz da sala vazava pela janela da frente, mas não era a luz de sempre. Era azul, branca, piscando rápido, como solda elétrica.

Jota empurrou o portão. O cadarço direito do tênis surrado, como sempre, solto – fez ele parar meio segundo pra amarrar, e foi quando sentiu o cheiro de ozônio começar.

Subiu os três degraus da varanda. A porta da frente escancarada.

Cheiro de metal queimado e ozônio bateu forte. Ar eletrizado, cabelo da nuca arrepiando. E vozes. Um murmúrio baixo, muitas vozes sobrepostas, saindo da sala como reza de igreja lotada.

Entrou.

A sala não existia mais.

No lugar do sofá velho, da estante que ninguém abria, da mesinha com controle remoto perdido, havia mesas de compensado cru ocupando cada centímetro. Bobinas de cobre do tamanho de pneus, baterias industriais empilhadas, fios emaranhados, ferramentas espalhadas. E ímãs. Dezenas. Pequenos, médios, alguns do tamanho de tijolos, pendurados em correntes finas que desciam do teto, balançando sozinhos.

Painéis improvisados nas paredes piscavam LED azul e vermelho. Um letreiro feito à mão, papel pardo e canetão preto:

PRODUÇÃO DE ÍMÃS – SILÊNCIO ABSOLUTO.

E gente. Vinte, vinte e cinco pessoas. A equipe do pai. Alguns de jaleco, outros de roupa de rua, todos de pé, olhando pro centro como se fosse missa. Ninguém virou pra ele.

No meio, o pai.

Poucos cabelos grisalhos, avental de couro puído. Segurava um ímã enorme, roda de caminhão, fácil vinte quilos, erguido com as duas mãos como se fosse hóstia. Olhos brilhando. Sorriso que Jota não via há anos.

Desde que o Maninho morreu.

E agora estava vivo. Vivo pra caralho.

— Pai?

Dois caras de terno (terno dentro do galpão do pai, porra) se colocaram na frente de Jota como seguranças de boate.

— Proibido. Campo ativo.

— Que campo?

— Magnético. Qualquer metal interfere.

— Eu só quero falar com meu pai.

— Depois.

Jota olhou por cima dos ombros deles.

— Vocês isolaram o galpão inteiro?

Ninguém respondeu.

O pai colocou o ímã grande numa mesa reforçada. Limpou as mãos no avental. Caminhou até Jota. Parou a um metro.

— Agora não, filho. Momento crítico.

— Momento crítico de quê?

O velho olhou pra trás, pros ímãs, pras pessoas, pros painéis. Depois voltou.

— Realizar algo maior.

E virou as costas.

Jota ficou ali, na entrada do próprio galpão, barrado por estranhos, olhando o pai voltar pro centro da sala como se ele, Jota, fosse o intruso.

Deu meia-volta. Saiu. Sentou no degrau da varanda, frio da cerâmica subindo pelas costas.

Silêncio absoluto dentro do galpão.

E aí veio o som da cidade: um caminhão descendo o contorno, freada longa, buzina, ronco de motor diesel. Vários metros dali, mas parecia dentro da sala. Como se Curitiba tivesse esperado o momento certo pra lembrar que ainda existia.

Jota voltou pra dentro depois de vinte minutos sentado no degrau, a raiva já virando algo mais frio, mais pesado.

Dessa vez ninguém o barrou. Só o olharam de canto, como quem olha um cachorro que entrou sem coleira.

A sala estava em silêncio completo.

O murmúrio anterior tinha morrido. Vinte e cinco pessoas formavam um semicírculo perfeito ao redor das mesas principais, olhos fixos no centro. Uma mulher de jaleco anotava febrilmente num caderno. Um homem de barba grisalha segurava um multímetro como se fosse crucifixo. Outro ajustava um cronômetro digital que marcava 00:02:17… 00:02:16…

O pai estava de pé no meio, de costas pra Jota. Mãos estendidas sobre o ímã gigante. Ombros tremendo de excitação.

Ao lado dele, o sujeito alto de camisa social e gravata frouxa. Rosto vermelho, voz baixa mas urgente:

— Doutor, a gente precisa desligar. A leitura tá perigosa.

O pai nem virou a cabeça.

— Não desliga nada.

— Se o campo colapsar—

— Vai colapsar do jeito certo.

— Não sabemos o que pode acontecer.

O velho finalmente olhou pro cara. Olhos brilhando como duas brasas.

— Eu sei o que aconteceu nos últimos anos. Eu acordei todo dia igual um morto. Em breve acordodarei vivo. Então continua.

O sujeito recuou. Engoliu em seco. Não insistiu mais.

Jota sentiu um arrepio. Desde o enterro do Maninho. Desde que o pai parou de falar frases inteiras.

Memória rápida, inevitável:

Num domingo qualquer, anos atrás. Jota chegou sem avisar e encontrou o pai no quintal, morsa na bancada, um ímã pequeno de neodímio preso, régua na mão, caderno aberto cheio de números.

— Que que tá fazendo, pai?

— Só um teste.

— Teste de quê?

O velho só deu de ombro e voltou pros cálculos.

Naquele dia Jota riu, achou graça de hobby de aposentado.

Nunca mais perguntou.

Agora via que não era hobby. Era uma obsessão que cresceu no silêncio.

O pai bateu palma uma vez. Seco. Todo mundo congelou.

— Ativem.

A mulher de jaleco apertou o botão principal.

Zumbido grave nasceu no chão, subiu pelas pernas, entrou nos dentes. As luzes do galpão piscaram três vezes. O ímã gigante começou a brilhar. Azul escuro, pulsando lento, como coração que acordou depois de anos parado.

No bolso, o isqueiro amarelo – o sobrevivente – roçou a coxa dele e acendeu sozinho uma chama azul que morreu rápido no ar carregado.

Os ímãs menores reagiram na hora.

Correntes pararam de balançar. Um deles se soltou. Subiu. Flutuou a meio metro. Girou devagar. Outro soltou. Depois outro. Em vinte segundos, quinze ímãs dançavam no ar, orbitando o gigante em círculos perfeitos.

O pai abriu um sorriso que Jota nunca tinha visto. Dentadura certinha, olhos marejados.

— Funcionou — sussurrou. — Funcionou, porra.

O zumbido virou rugido. O chão tremia. O cabelo de Jota se arrepiou inteiro com a estática.

Ímãs começaram a colidir no ar. Grudavam. Formavam estruturas maiores que continuavam girando. Metal contra metal, som agudo de sino quebrando.

O homem de barba deu um passo pra trás.

— Doutor, o campo tá subindo perigosamente—

— Eu sei.

— Vai romper—

— Que rompa.

O pai virou o rosto pro filho pela primeira vez desde que Jota chegara.

Olhos vidrados, sorriso de quem finalmente encontrou Deus.

— É foda, né, filho?

Jota não respondeu. Só ficou ali, plantado no hall, vendo o pai feliz e sabendo que essa felicidade ia custar tudo.

O rugido virou trovão.

As luzes do galpão explodiram uma a uma, estilhaços caindo como chuva. Escuridão total. Só o brilho azul dos ímãs iluminando rostos em pulsos rápidos.

E no centro, entre os ímãs que giravam cada vez mais rápido, o ar começou a rasgar.

Não era luz. Era ausência. Um vazio redondo, bordas tremendo, crescendo devagar.

Do outro lado, escuridão que se movia. Formas que não eram formas. Som que não era som.

O pai deu um passo em direção ao rasgo.

Jota sentiu o peito apertar tanto que doeu respirar.

— PAI!

O velho estendeu a mão.

Tocou a borda do vazio.

E o vazio tocou de volta.

Aconteceu em dois segundos que duraram uma vida.

O pai tocou a borda do vazio e o vazio agarrou.

Não foi empurrão. Foi sucção. Como se mãos de ferro invisíveis tivessem prendido o avental e puxado com força bruta. O corpo do velho saiu do chão, esticou horizontal, pés já dentro da escuridão que se mexia.

Ele gritou, não de dor. De êxtase.

— FUNCIONA!

Jota correu.

Derrubou duas mesas, pisou em fios que estalaram, passou por baixo da fita zebrada como se não existisse. O campo magnético bateu nele como parede de concreto. Peito, braços, rosto, tudo sendo empurrado pra trás por força que não se via.

— PAI!

Tentou avançar centímetro por centímetro. Músculos tremendo. Veias saltando no pescoço. O cabelo levantado inteiro com a estática.

O pai ainda segurava a beirada da mesa com uma mão só. Dedos brancos de tanto apertar a madeira. Olhou pro filho uma última vez.

Nos olhos dele não tinha medo.

Tinha paz.

Tinha vitória.

Os lábios se moveram formando palavras que o rugido engoliu.

Desculpa, filho.

E abriu a mão.

Soltou de propósito.

O vazio engoliu ele inteiro. Corpo, avental, sorriso, tudo. Num estalo seco, como porteira batendo.

Jota foi jogado pra trás com violência. Costas bateram na parede oposta, ar saiu dos pulmões num só golpe. Caiu de joelhos, tossindo.

Os ímãs perderam força na hora.

Caíram como pedras. Batendo no chão, estilhaçando, rolando até parar. O rugido morreu. As luzes de LED apagaram uma a uma.

O vazio no centro tremeu, encolheu, fechou como ferida cicatrizando em câmera rápida.

Três segundos e não tinha mais nada.

Silêncio absoluto.

E nesse silêncio veio o barulho distante: caminhão freando no contorno norte, buzina longa, motor roncando. Curitiba continuava. Indiferente.

As pessoas reagiram de uma vez.

O homem de gravata foi o primeiro a correr. Bateu a porta tão forte que o vidro da janela da frente rachou. Outros correram atrás. Em quarenta segundos o galpão estava vazio. Só Jota de joelhos no chão, olhando pro lugar onde o pai tinha estado.

Nenhum corpo.

Nenhum sangue.

Nenhum rastro.

Só cacos de ímã quebrado e cheiro de ozônio queimado.

Jota respirou fundo. O ar entrou frio, cortante. Levantou devagar. As pernas tremiam.

Caminhou até o centro. Pisou nos destroços. Parou exatamente onde o pai soltou a mesa.

Olhou pro chão.

Embaixo da mesa tombada, entre fios retorcidos, o ímã da geladeira de casa.

Retangular. Dez centímetros. Cinza fosco com logo do Posto Esso quase apagado. Plástico barato, beiradas descascando.

O pai tinha pedido três semanas atrás. “Me empresta aquele ímã velho da geladeira. Só por uns dias. Preciso pra um teste.”

Jota achou esquisito mas deu. O pai nunca devolveu.

Agora, olhando pro ímã no chão, ele entende.

O pai usou o ímã que segurava recados da mãe, conta de luz, foto 3×4 do Maninho no dia que tirou CNH – o ímã que era a família física, a casa, a memória – como âncora do experimento.

Como conexão.

“É sobre conexão. Família,” o pai tinha dito.

E quando o portal engoliu o velho, o ímã absorveu a energia.

Agora pulsa azul pálido. Fraco. Quente na mão.

Como se o pai tivesse ficado preso dentro.

Jota se abaixou. Pegou.

Queimava.

Mas segurou firme.

Guardou no bolso do casaco.

E ficou ali ouvindo os caminhões do contorno norte passarem um atrás do outro, como se nada tivesse acontecido.

Jota não voltou pro galpão aquela noite.

Nem na seguinte.

Dirigiu o Gol Bolinha sem rumo até o ponteiro do combustível tremer no vermelho. Passou pelo centro vazio, pelo parque Barigui, pela Martin Afonso iluminada só pelos faróis altos. O motor 1.0 a etanol tossia nas subidas, frio entrando pelas frestas das portas.

Parou num posto do Alto da XV. O único aberto. Abasteceu. O cheiro forte de etanol subiu misturado com ozônio que ainda parecia grudado na roupa.

Sentou no capô do carro, olhando a rua vazia.

O ímã queimava no bolso do casaco. Pesava mais que metal deveria pesar.

Tentou ligar pra polícia três vezes.

Desligou antes de completar a discagem.

O que ia dizer?

“Meu pai abriu um portal com ímãs e entrou de propósito”?

Iam rir. Ou internar ele.

Quando o sol nasceu, cinza e gelado, ele estava de novo na frente do galpão do pai.

Porta escancarada. Sala destruída. Ninguém apareceu pra limpar, pra explicar, pra pedir desculpa.

Curitiba seguia passando no contorno norte: carro, caminhão, moto, vida.

Entrou no galpão.

Cozinha intacta. Banheiro intacto. Quarto do pai com a cama ainda arrumada, chinelo velho no mesmo lugar de sempre.

Como se ele pudesse voltar a qualquer segundo pra tomar café.

Jota sentou na beira da cama.

Tirou o ímã do bolso.

Ainda pulsava. Fraco. Azul pálido.

Segurando na mão, parecia vivo.

Pensou em jogar no lixo, enterrar no quintal, tacar no lago da Pedreira.

Não conseguiu.

Porque era a única coisa que sobrou do pai feliz.

Guardou de volta no bolso.

Fechou o galpão.

Trancou o portão.

Nunca mais voltou.

Tempos depois.

A vida continuou. Jota foi o homem que estava predestinado a ser.

Ainda no mesmo bairro, mesma casa. O galpão da Pedreira do Orleans ficou trancado. Nunca vendeu. Nunca voltou.

A gaveta da mesa de cabeceira guarda uma caixinha de madeira pequena, forrada de veludo vermelho já desbotado.

Dentro, o ímã.

Retangular. Dez centímetros. Cinza fosco, logo do Posto Esso quase invisível agora. As beiradas descascando, magneto marrom aparecendo embaixo do plástico.

O ímã da geladeira de casa. O ímã que o pai usou como âncora. O ímã que absorveu a energia do portal.

Às vezes brilha. Fraco. Azul pálido. Como se lembrasse. Em especial quando tem família em volta.

A mochila laranja, jogada no canto do quarto, ainda guarda o caderno marrom com anotações antigas do pai – página rasgada onde ele rabiscou “funciona” em letra tremida.

Mas toda noite do mesmo mês que o pai desapareceu, quando o frio aperta e o silêncio cai pesado, Jota abre a caixa.

Pega o ímã.

Segura na palma da mão.

Dá a impressão que esquenta.

Só um pouco.

Só quando ele lembra do pai sorrindo no centro da sala, olhos vivos.

Lembra do “desculpa, filho” que não chegou a sair inteiro.

Lembra do vazio engolindo o velho como se ele sempre tivesse pertencido ali.

Lembra de estar parado na entrada do próprio galpão, barrado, impotente, vendo o pai escolher o outro lado em vez de ficar.

Jota nunca soube se o pai encontrou paz ou só loucura.

Se atravessou pra algum lugar ou simplesmente deixou de existir.

Nunca soube.

Só ficou com o ímã.

E com a certeza quieta de que, naquele dia, o pai finalmente realizou algo maior.

Só não levou o filho junto.

Jota coloca o ímã de volta na caixa.

Fecha a gaveta.

Apaga a luz.

Lá longe, no contorno norte um caminhão, buzina cortando a noite, motor diesel roncando distante.

Curitiba segue.

E ele dorme com o peso pequeno e frio guardado na gaveta, como quem guarda a última peça de um quebra-cabeça que nunca vai terminar.

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Sinopse Narrativa:

Jota chega ao galpão do pai na Pedreira do Orleans e encontra experimento com ímãs em andamento. O pai, deprimido desde a morte do Maninho, está eufórico. O experimento abre um portal ("vazio redondo, bordas tremendo") e o pai entra voluntariamente. Jota tenta salvá-lo mas é jogado pra trás pela força magnética. Sobra apenas o ímã da geladeira (Posto Esso) que o pai havia pedido emprestado semanas antes, agora brilhando azul pálido. Anos depois, Jota guarda o ímã numa caixa, ele ainda pulsa, especialmente quando tem família em volta.

Gênero Ficção Científica, Realismo Mágico
Tom Melancólico, Sobrenatural, Tenso
Timeline Curitiba
Versão Jota Normal
Categoria Eventos Místicos, Perda familiar
Itens Essenciais Caderno marrom de capa dura, Camiseta regata vinho, Gol Bolinha Cinza Urban 2003, Ímã (posto Esso), Isqueiro amarelo (o sobrevivente), Mochila laranja, Tênis surrado
Locais Alto da XV, centro, contorno norte, Curitiba, escritório, galpão, lago da Pedreira, Martin Afonso, parque Barigui, Pedreira do Orleans, posto, Rua
Palavras-Chave casa da Pedreira, Deco atacado, experimento magnético, família em luto, ímã Posto Esso, pai desaparece, portal dimensional
Quinta-feira 19h30, portão aberto (nunca acontecia), 20-25 pessoas na equipe, letreiro "PRODUÇÃO DE ÍMÃS – SILÊNCIO ABSOLUTO", campo magnético ativo, portal/vazio se abriu no centro da sala, pai entrou voluntariamente dizendo "desculpa, filho", isqueiro acendeu sozinho com campo magnético, ímã pulsa azul especialmente quando tem família em volta, Jota nunca mais voltou ao galpão, nunca o vendeu, ímã guardado em caixinha de veludo vermelho desbotado na gaveta, todo mês do aniversário do desaparecimento, Jota pega o ímã, Maninho morreu antes deste conto (foto 3x4 do dia que tirou CNH), pai estava deprimido desde morte do Maninho, memória do pai no quintal testando ímã de neodímio "num domingo qualquer, anos atrás"
 

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