Capa do Capítulo

O Aniversário das Coisas Esquecidas

Extensão: 2.397 palavras | Leitura: 12 min

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O galpão na Pedreira do Orleans, aquelas construções antigas de metal que rangem quando o vento bate. A porta de enrolar estava levantada até a metade, luzes coloridas piscando lá dentro, som de funk antigo misturado com rock dos anos 90 saindo tão alto que dava pra sentir no peito.

Jota chegou de Gol Bolinha Cinza 2003 pela entrada secundária, estacionou torto, porta do motorista aberta, mochila laranja jogada no banco do carona. Desceu com a camiseta regata vinho já suada do calor de maio, tênis novo nos pés. Isqueiro amarelo no bolso da calça, como sempre.

Rosquinha já estava na porta de mestre de cerimônias, microfone na mão, batom rosa choque, gritando:

— REGRA DA NOITE, GENTCHY! Quem não trouxer presente não entra! É aniversário do homem mais gostoso de Curitiba, caralho!

A fila avançava até o contorno norte. Todo mundo que Jota cruzou na vida aparecia ali como se tivesse sido convocado por Deus pessoalmente.

Pistolinha chegou primeiro, 27 anos de energia concentrada, caixa na mão:

— Jota! Trouxe o Uther do World of Warcraft, versão colecionador! Tava guardando desde 2008!

Abraço apertado. Aperto de ombro.

— Não precisava, Pistolinha.

— Claro que precisava. 44 anos, caralho!

Leninha apareceu logo atrás, 26 anos, cabelo cacheado preso num coque bagunçado, vestido florido, olhos brilhando:

— Jota, trouxe o relógio do vovô que ele guardava na gaveta. Disse que era pra te dar quando fizesse 44.

O relógio era antigo, pesado, pulseira de couro rachada. Jota colocou no pulso na hora. Funcionava.

— Não precisava, Leninha.

— Precisava sim. Vovô deixou guardado pra ti.

O pai chegou quieto, como sempre. Camisa social azul clara, barba feita, apertou o ombro de Jota com força:

— Parabéns, filho.

Só isso. Mas foi o suficiente pra Jota engolir seco.

Rand Oliveira passou do lado dele carregando uma caixa de som enorme, gritou sem parar:

— Depois eu volto, Jota! Tô indo buscar gelo!

E sumiu, claro.

A regra do presente pegou. Cada um que entrava deixava algo na mesa improvisada do lado da porta: livro usado de Bukowski, planta suculenta, garrafa de whisky, cubo mágico quebrado, um cara até trouxe um pneu careca dizendo que era “pra sorte”.

Rosquinha anotava tudo numas folhas soltas que arrancou do caderno capa dura marrom de Jota. Ele viu de longe e já deixou quieto.

Jota agradecia cada presente:

— Não precisava, sério.

Mas todo mundo insistia. Era aniversário dele. 44 anos. Precisava sim.

A festa engrossou. Música alta. Gente dançando. Bebida circulando.

Foi aí que Jota viu ela.

Little Boobs.

Do lado de fora do galpão, do outro lado da porta de enrolar meio levantada. Cabelo ruivo brilhando sob a luz da entrada, blusa preta justa, mãos vazias. Olhando direto pra Jota com aqueles olhos grandes, nervosos.

Sem presente.

Rosquinha barrava, fiel à regra:

— Amor, precisa de presente pra entrar. Regra é regra.

Little Boobs olhou pra ele, depois pro Jota.

— Eu tenho presente.

— Cadê?

Ela não respondeu. Levou as mãos pra baixo da blusa preta. Mexeu nas costas. Puxou algo.

Tirou o sutiã por dentro da blusa.

Preto, rendado, fino.

Jogou na mão do Rosquinha.

O galpão inteiro que viu explodiu.

Gritos. Assovios. Risadas. Aplausos.

Little Boobs ficou parada ali, blusa justa marcando tudo agora, sem sutiã, peitos livres balançando de leve, mamilos duros aparecendo através do tecido fino. Olhando direto pro Jota.

Rosquinha olhou pro Jota, esperando decisão.

Jota olhou pra ela. Little Boobs, 1,55m de pura ousadia, presente inusitado na mão do Rosquinha, olhos fixos nele, sorriso pequeno.

— Entra — ele disse.

Ela passou por Jota devagar, tão perto que ele sentiu o perfume dela misturado com cheiro de cigarro e ansiedade. Passou sem sutiã, blusa marcando cada movimento, cada curva.

O galpão vibrou de novo.

Jota desviou o olhar. Voltou pra festa.

A música explodiu. Alguém gritou o nome dele. Leninha filmava com o celular. Pistolinha no meio da pista já dançando.

Cotonete apareceu do nada.

Alto, magro, cabelo desgrenhado, sorriso torto. No braço esquerdo, o toco. Não tinha mão, só o pulso terminando em pele lisa e cicatriz antiga.

— E aí, Jota? — Cotonete gritou de longe.

— E aí, Cotonete!

Eles se abraçaram no meio da pista. Aperto de ombro. Tapinha nas costas.

— Trouxe presente? — Jota perguntou.

Cotonete levantou o toco:

— Trouxe eu. Isso já não conta?

— Conta dobrado.

Riram juntos.

Uma mulher que Jota não conhecia passou perto, olhou pro Cotonete, fez cara de nojo, virou pro grupo de amigas e falou alto de propósito:

— Esse aí é o aleijado que tá sempre grudado no Jota, né? Que coisa triste.

Jota parou de rir na hora.

Virou pra ela, voz calma mas pesada:

— Repete.

A mulher deu risada, nervosa:

— Ah, relaxa, é só uma…

— Repete — Jota repetiu, mais baixo, mais sério.

Silêncio ao redor. A música continuava mas ninguém dançava mais perto deles.

A mulher tentou rir de novo mas a risada saiu falsa:

— Eu tava só…

— Sai daqui.

— O quê?

— Sai da minha festa. Agora.

Ela ficou parada, olhando em volta, esperando que alguém risse junto, que virasse piada. Ninguém riu.

Jota deu um passo na direção dela.

— Eu disse: sai.

A mulher saiu. Rápido. Sem olhar pra trás.

Jota respirou fundo. Olhou pro Cotonete.

Cotonete tava sorrindo. Não aquele sorriso torto de sempre. Um sorriso de verdade.

— Valeu, Jota.

— Sempre.

A festa voltou. Música alta. Luzes piscando. Todo mundo dançando de novo como se nada tivesse acontecido.

Mas Cotonete ficou ali parado, olhando pra Jota como quem acabou de entender alguma coisa importante.

Ele levantou o toco direito devagar. Fez uma reverência meio torta, meio séria, meio brincalhona.

Jota riu. Fez reverência de volta.

— ATENÇÃO, CURITIBA! Esse homem aí é o rei da noite, caralho! Quem ama o Jota grita! — Rosquinha no microfone.

O galpão inteiro gritou.

Rand Oliveira finalmente apareceu com o gelo, jogou na mesa de bebidas e sumiu de novo antes que alguém agradecesse.

Foi aí que o pai voltou.

Quieto, como sempre. Camisa social azul, nas mãos um quadro com moldura de madeira escura.

Jota olhou.

Dentro do quadro: o par de tênis surrados. Aquele par. Dedão aparecendo nos dois, sola quase solta, sujo de tudo que Jota já tinha pisado na vida.

E ao lado dos tênis, fixado no vidro: o ímã do Posto Esso. Cinza fosco, beiradas descascando, logo quase apagado.

Jota parou de respirar.

— Esses dois — o pai bateu de leve no vidro — já te salvaram mais vezes do que eu consigo contar.

Silêncio entre os dois. A festa continuava ao redor, mas ali era só pai e filho.

— O tênis te fazia parar na hora certa. Cadarço soltando — às vezes o direito, às vezes o esquerdo, variava. Te salvou de atropelamento. Te fez achar coisas perdidas no chão. Te protegeu.

O pai apontou pro ímã.

— E esse aqui brilhava azul toda vez que família tava perto. Tua mãe passava, brilhava. Eu passava, brilhava. Teus irmãos, brilhava. Te mostrava que nunca tava sozinho.

Jota engoliu seco.

— Agora merecem descanso — o pai continuou. — Fizeram o trabalho deles. Te protegeram até aqui. Agora é tua vez de seguir sem eles.

Deixou o quadro nas mãos de Jota. Apertou o ombro dele com força. Saiu quieto como entrou.

Jota ficou segurando o quadro. Tênis surrados emoldurados. Ímã ao lado. Passado protegido atrás do vidro. Futuro aberto lá fora.

— Não precisava, pai — ele sussurrou sozinho.

Mas precisava.

A mochila laranja tava lá na mesa de presentes, aberta, caderno marrom meio pra fora. O isqueiro amarelo no bolso da calça dele, como sempre.

Jota olhou em volta: pai encostado na parede, orgulhoso quieto; Leninha filmando; Pistolinha no ombro do Cotonete; Little Boobs no canto, sem sutiã sob a blusa preta, sorrindo de leve.

Jota dançou até o chão tremer.

Quando a festa acabou, de madrugada, o galpão tava vazio, chão cheio de copo plástico, cinza de cigarro, purpurina.

Jota sentou na sarjeta em frente ao galpão, corpo pesado. Olhou a rua silenciosa da Pedreira do Orleans. Curitiba dormia. Maio gelado. Vento batendo na camiseta regata vinho rasgada.

Pensou no pai entregando o quadro. Nos tênis e no ímã, finalmente em descanso. No relógio pesado no pulso. No Cotonete fazendo reverência com o toco.

Sabia que amanhã ia esquecer metade dos rostos, três quartos das conversas, quase tudo que rolou depois da meia-noite.

Mas ia lembrar do aperto de ombro.

Ia lembrar de ter defendido quem importava.

Ia lembrar de ter deixado entrar quem merecia.

Levantou, cansado mas inteiro. Caminhou até a entrada secundária onde tinha deixado o Gol Bolinha estacionado torto.

Abriu a porta, entrou, puxou a porta pra fechar. Colocou a chave na ignição.

O braço veio de trás.

Fino, rápido, pano grosso encharcado pressionado contra nariz e boca com força.

Cheiro químico penetrante. Doce e sufocante.

Jota reagiu no instinto — mão grande subiu, agarrou o pulso fino, puxou. A outra mão tentou arrancar o pano. Dedos grudaram no tecido. Superbonder. Ela tinha COLADO no rosto dele.

Ele explodiu. 110 kg de músculo e pavor se jogaram pra frente, cotovelo batendo pra trás, tentando acertar ela. Conseguiu abrir a porta do motorista, cambaleou pra fora do carro.

Ar livre. Rua vazia. Pedreira do Orleans, quatro da manhã.

Puxou o pano com desespero. Não saía. Colado. Pele esticando, ardendo. Cada puxão arrancava um pedaço de pele mas o pano continuava grudado, selado no rosto, forçando ele a respirar só vapores químicos.

Éter queimando garganta, pulmões.

Deu três passos cambaleantes. Quatro. Tentou gritar mas só saiu som abafado.

Virou pra trás, procurando ela.

Little Boobs saía do carro pela porta do carona, pequena, calma, olhos fixos nele.

Cabelo ruivo. Blusa preta sem sutiã. Sorriso pequeno.

— Para de lutar — ela disse baixo. — Só vai piorar.

Jota tentou correr. Pernas não obedeciam. Peso nos membros. Chão inclinando. Visão embaçando nas bordas, manchas escuras crescendo, engolindo tudo.

Caiu de joelhos. Depois de lado no asfalto.

Tudo girando. Escurecendo.


Little Boobs se aproximou. Ele ainda se mexia — braço tentando alcançar algo, perna raspando no chão, sons abafados saindo do pano colado.

Ela ajoelhou ao lado dele, pegou a seringa que tinha no bolso da calça. Ketamina. Dose calculada.

Segurou o braço dele com as duas mãos. Ele tentou puxar mas não tinha força. Corpo mole, grogue, consciente mas indefeso.

— Para quieto — ela sussurrou.

Puxou a manga da camiseta vinho. Encontrou a veia no antebraço. Enfiou a agulha.

Ele gemeu baixo, som desesperado mas fraco.

Ela injetou devagar. Esvaziou a seringa.

Guardou no bolso.

Os movimentos dele pararam. Braço caiu pesado no asfalto. Respiração ficou mais lenta, mais profunda. Olhos viraram.

Inconsciente de verdade agora.

Little Boobs pegou o frasquinho de acetona, derramou nas bordas do pano colado no rosto dele. Esfregou. A cola amoleceu. Puxou devagar. O pano saiu, deixando a pele vermelha, irritada, sangrando de leve onde rasgou.

Jogou o pano no chão.

Olhou em volta. Rua vazia. Ninguém.

Caminhou até onde tinha escondido o carrinho de mão e a rampa atrás da caçamba de lixo, na entrada da viela. Puxou os dois. Carrinho rangendo baixo, rampa de alumínio dobrável debaixo do braço.

Empurrou o carrinho até onde Jota tinha caído.

Passou os braços sob as axilas dele. Puxou, usando as pernas, costas arqueada. Conseguiu arrastar meio corpo pra cima do carrinho. Empurrou as pernas. Ajeitou. 110 kg de peso morto agora sobre rodas de ferro.

Empurrou pela rua até o Gol Bolinha.

Deu a volta, abriu o porta-malas. Puxou as duas alavancas dentro do compartimento. O banco traseiro rebateu inteiro pra frente, abrindo passagem enorme direto pro porta-malas.

Desdobrou a rampa. Encostou uma ponta no para-choque traseiro, outra no chão. Alumínio leve mas firme.

Posicionou o carrinho no pé da rampa. Respirou fundo. Empurrou.

Rodas subindo devagar. Peso puxando pra trás. Ela forçou, músculos das pernas queimando, suor escorrendo. O carrinho subiu. Chegou no topo.

Ela inclinou, deslizando Jota do carrinho pra dentro do espaço traseiro do carro. Ele caiu de lado, pesado, sem resistência. Pernas dobradas, braços soltos, cabeça apoiada torta no carpete surrado.

Gigante derrotado ocupando todo o espaço onde deveria estar o banco traseiro.

Little Boobs respirou pesado. Ficou parada ali, olhando pra ele. Rosto machucado, pele vermelha onde o pano tinha arrancado, boca entreaberta, peito subindo e descendo devagar.

Dela agora.

Se inclinou pra dentro do carro. Beijou a boca dele, devagar, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Lábios macios contra os dele imóveis. Ele não reagiu. Não podia reagir.

Ela sorriu quando afastou.

— Finalmente — sussurrou.

Pegou o cobertor que Jota sempre deixava dobrado no porta-malas, jogou em cima do corpo dele. Cobriu tudo — pernas, tronco, cabeça. Só um volume grande sob tecido escuro.

Deixou o banco rebatido pra frente. Não tinha força pra mover ele de novo, e nem precisava — tirar ele de lá era problema pra depois, no destino final.

Puxou a rampa, dobrou. Pegou o carrinho. Levou os dois de volta pro esconderijo atrás da caçamba. Deixou tudo ali. Ninguém ia notar até manhã.

Voltou pro Gol Bolinha. Bateu o porta-malas.

Entrou, sentou no banco do motorista. Ajustou o banco pra frente — pernas curtas demais. Limpou o suor da testa.

Olhou pelo retrovisor. Volume escuro coberto pelo cobertor, deitado ali atrás. Respiração abafada mas constante.

Dela agora.

Girou a chave. O motor roncou baixo, etanol puro, fiel.

Engatou a primeira, soltou a embreagem. Saiu devagar pela entrada secundária.

Dirigiu em silêncio, mãos firmes no volante, janela fechada. Ruas vazias de Curitiba às quatro e meia da manhã. Só o som do motor. Só a respiração dele atrás, pesada, abafada pelo cobertor.

Sorriu sozinha.

A festa acabou.

Mas pra Jota, tudo estava só começando.

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Sinopse Narrativa:

Festa de 44 anos de Jota no galpão da Pedreira do Orleans. Regra: todos devem trazer presente. Little Boobs tira sutiã e dá de presente. Pai emoldura tênis surrados e ímã do Posto Esso, aposentando-os simbolicamente. Jota defende Cotonete de comentário preconceituoso, expulsa mulher. Após festa, Little Boobs sequestra Jota com pano de éter colado no rosto, depois ketamina. Coloca corpo inconsciente no Gol Bolinha e foge.

Gênero Realismo, Terror Psicológico
Tom Festivo, Sinistro
Timeline Curitiba
Versão Jota Normal
Categoria Celebração familiar, Sequestro
Itens Essenciais Caderno marrom de capa dura, Camiseta regata vinho, Gol Bolinha Cinza Urban 2003, Ímã (posto Esso), Isqueiro amarelo (o sobrevivente), Mochila laranja, Tênis surrado
Temas Amizade, Lealdade, Obsessão, Passagem simbólica, Sequestro
Locais Curitiba, galpão, Pedreira do Orleans, ruas de Curitiba
Palavras-Chave aniversário 44 anos, aposentadoria simbólica, éter, ketamina, Little Boobs sequestra, Pedreira do Orleans, presente obrigatório, tênis e ímã emoldurados
CRÍTICO: Jota tem 44 anos. Tênis surrados e ímã do Posto Esso são APOSENTADOS/EMOLDURADOS pelo pai num quadro (moldura de madeira escura) - NÃO estão mais em uso ativo. Pai explica: tênis salvou Jota de atropelamento, fazia achar coisas perdidas (cadarço soltando "às vezes o direito, às vezes o esquerdo, variava"), ímã brilhava azul quando família estava perto (mãe, pai, irmãos). Jota usa tênis NOVOS neste conto. Sequestro: Little Boobs usa pano com éter colado com Superbonder no rosto de Jota, arranca pedaços de pele quando tenta tirar. Depois injeta ketamina. Usa carrinho de mão e rampa de alumínio dobrável para colocar corpo (110 kg) no Gol Bolinha. Banco traseiro rebate pra frente abrindo passagem pro porta-malas. Little Boobs beija Jota inconsciente: "Finalmente". Presentes recebidos: boneco Uther (Pistolinha), relógio do avô (Leninha), quadro com tênis e ímã (pai), mais livro Bukowski, planta suculenta, whisky, cubo mágico quebrado, pneu careca, sutiã preto rendado (Little Boobs). Primeira aparição de Pistolinha (27 anos), Leninha (26 anos), Cotonete (amputado).
 

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