Capa do Capítulo

Pálpebra Cortada

Extensão: 2.928 palavras | Leitura: 15 min

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A mansão de vidro se erguia na ilha como um cristal gigante jogado no meio do oceano. Paredes transparentes, teto de vidro refletindo o céu, piscina infinita derramando água pro horizonte. O tipo de lugar que só existia em revista de luxo ou pesadelo de gente rica.

Jota não tinha sido convidado.

Rosquinha também não.

Mas entraram mesmo assim.


Eles estavam no quarto de hóspedes do andar de cima, escondidos por enquanto, esperando a hora certa de descer. A mochila laranja de Jota estava jogada na cama king-size, aberta, caderno de capa dura marrom aparecendo por cima. O ímã cinza fosco do Posto Esso grudado na capa, beiradas descascando. O isqueiro amarelo “o sobrevivente” no bolso da calça. Camiseta regata vinho suada, tênis surrado com cadarço direito solto.

Rosquinha olhou pela janela, observando os convidados lá embaixo. Virou pra Jota, sorrindo.

— Chô, olha essa gente — disse, rindo baixo. A mão dele subiu automaticamente, ia tocar no rosto de Jota.

Jota desviou.

— Rosquinha. Para com isso.

Rosquinha riu, baixou a mão.

— Desculpa, Chô. É automático.

— Você faz isso com todo mundo, eu sei — disse Jota, pegando a mochila. — Mas comigo você não para nunca.

— É porque os outros reclamam mais — disse Rosquinha, dando de ombros. — Você me aguenta.

Jota suspirou. Era verdade. Rosquinha tinha essa mania irritante de ficar pegando no rosto das pessoas. Todo mundo que conhecia ele sabia. Algumas pessoas toleravam, outras reclamavam na hora. Era parte de quem Rosquinha era. Invasivo. Sem noção de espaço pessoal. Chato pra caralho.

Mas era o Rosquinha.

— Bora descer antes que percebam a gente — disse Rosquinha.

Desceram.


A festa era exatamente o que parecia: luxo exagerado, conversas vazias, gente bonita fingindo ser interessante.

Daslu era a anfitriã. Vestido branco longo, cabelo loiro platinado preso num coque perfeito, sorriso de quem tinha tudo e sabia disso. Ela circulava entre os convidados com a elegância de quem nasceu rica e nunca precisou fingir humildade.

Satogos Cruel estava encostada numa coluna de vidro, vestido preto justo, olhos verdes frios observando todo mundo como se estivesse calculando algo. Little Boobs ria alto perto da piscina, cabelo ruivo balançando, decote chamando atenção de metade dos homens ali. Maju Kuzito fumava sozinha num canto, expressão entediada, como se já tivesse visto tudo aquilo mil vezes. Cavala dançava no centro da sala, corpo escultural se movendo devagar, provocando sem esforço.

Rosquinha pegou uma taça de champagne de uma bandeja que passava. Nenhuma pra Jota. Já sabia.

Jota procurou refrigerante.

Rosquinha levantou a taça dele sozinho.

— Saúde de qualquer forma, Chô — disse, sorrindo.

Bebeu.


Rosquinha circulava pela festa, cumprimentando todo mundo do jeito dele.

Passou por Maju Kuzito, que fumava encostada na parede de vidro. A mão dele subiu, como se fosse tirar algo do cabelo dela.

— Ei, Maju —

Ela se afastou, irritada.

— Não encosta, Rosquinha.

Ele riu, levantou as mãos em rendição.

— Desculpa, desculpa.

E se afastou. Com ela, respeitou.


Perto da piscina, Rosquinha conversava com Cavala. A mão dele passou pelo ombro dela, subiu até perto do pescoço, gesto casual enquanto comentava algo sobre a música.

Ela riu, nem pareceu notar.

Algumas pessoas não ligavam.


Daslu estava perto do bar quando Rosquinha se aproximou. Tocou o rosto dela de leve, como quem aponta pra algo.

— Você tem uma coisa aqui — disse.

Daslu franziu a testa, passou a mão no próprio rosto.

— Não tem nada, Rosquinha.

— Ah, saiu então — ele sorriu.

Daslu revirou os olhos e se afastou.

Era o Rosquinha sendo Rosquinha.


E no meio de tudo, consertando algo numa caixa de fusíveis perto da cozinha, estava Rand Oliveira.

Macacão azul sujo de graxa, ferramentas espalhadas no chão. Ele trabalhava em silêncio, ignorando a festa ao redor, como sempre fazia. Aparecia, consertava, sumia. Fantasma técnico.

Jota acenou pra ele de longe. Rand olhou, deu um aceno mínimo de volta, voltou a trabalhar.

Rosquinha passou por ele, disse algo baixo que Jota não ouviu. Rand respondeu alguma coisa. Rosquinha riu. A mão dele subiu, tocou o ombro de Rand rapidamente, depois o rosto, gesto rápido.

Rand se afastou, incomodado, voltou a trabalhar.

Rosquinha se afastou também.

Jota observou tudo de longe.

— Esse cara é estranho pra caralho — disse Rosquinha, voltando pra perto de Jota. — Sempre some do nada.

Jota ia responder quando sentiu.

A névoa.


No começo era só um incômodo. Uma leve turvação no canto do olho esquerdo, como se algo estivesse embaçando a visão. Ele piscou. Não sumiu. Piscou de novo. Piorou.

Rosquinha voltou pra perto dele, abraçou de lado. O abraço durou um segundo a mais que o normal. E quando soltou, a mão dele passou rápida pelo rosto de Jota, perto do olho esquerdo.

— Você tem algo no olho — disse, ainda sorrindo.

Jota suspirou. Rosquinha e aquela mania irritante.

— Tenho? — Jota esfregou o olho, mais por reflexo que por acreditar. Nunca tinha nada.

— Saiu — disse Rosquinha. — Tava incomodando?

— Nem percebi.

Rosquinha deu tapinha no ombro dele.

— Bora circular. Quanto mais a gente se mistura, menos vão perceber que a gente não foi convidado.


Mas a névoa crescia.

Espalhava. Cobria o olho esquerdo inteiro como uma cortina fina, translúcida, que deixava passar a luz mas borrava os detalhes. Quanto mais Jota tentava focar em algo, mais borrado ficava.

Ele olhou pra Daslu do outro lado da sala. O rosto dela era uma mancha branca e loira. Olhou pra Satogos Cruel. Só um borrão preto e verde. Olhou pra Rosquinha do lado dele. Conseguia ver o contorno, mas os traços sumiam.

— Que merda — murmurou.

— Tá tudo bem, Chô? — perguntou Rosquinha.

— Não sei — disse Jota, esfregando o olho. — Tô vendo meio embaçado.

— Deve ser cansaço.

Mas não era.


Meia hora depois, Rand tinha sumido.

— Alguém viu o Rand? — perguntou um dos convidados.

— Ah, ele sempre some — disse outro, dando de ombros. — Deve ter ido consertar outra coisa.

Mas Rand não voltou.

Uma hora depois, acharam o corpo.


Ele estava no porão, onde ficavam os geradores e as máquinas da mansão. Deitado de lado, olhos abertos, expressão congelada de surpresa. Não tinha marcas visíveis de violência, mas o corpo estava frio demais pra ter morrido há pouco.

O pânico foi imediato.

Daslu gritou. Little Boobs chorou. Satogos Cruel pegou o celular, mas não tinha sinal. A ilha era longe demais. O barco só voltaria de manhã.

Estavam presos.

Com um assassino.


Jota desceu até o porão com Rosquinha. A névoa no olho esquerdo agora cobria metade da visão. Ele se ajoelhou perto do corpo de Rand, tentou focar nos detalhes, mas tudo estava borrado.

— Vê alguma coisa, Chô? — perguntou Rosquinha, agachado do lado dele.

— Não consigo ver direito — disse Jota, frustrado. — Tem algo errado no meu olho.

Rosquinha franziu a testa, chegou mais perto, olhou o rosto de Jota.

— Parece normal pra mim.

Mas não era.


Jota voltou pro quarto de hóspedes, pegou o caderno marrom na mochila laranja, começou a anotar tudo que conseguia lembrar. O ímã do Posto Esso na capa do caderno estava quieto, sem brilhar, só ali, velho e descascado.

Rand morto. Porão. Sem marcas. Corpo frio.

Quem estava perto dele antes de sumir?

Jota tentou lembrar. Viu flashes borrados de memória: Daslu conversando com Rand perto da cozinha. Satogos Cruel passando pelo corredor onde ele trabalhava. Maju fumando na varanda, olhando pra baixo onde Rand consertava algo.

E Rosquinha.

Rosquinha também tinha falado com Rand mais cedo, perto dos fusíveis. Tinha tocado ele. Rápido. Como sempre fazia.

Mas todos tinham estado perto de Rand em algum momento.

Jota fechou o caderno, guardou de volta na mochila. Pegou o isqueiro amarelo no bolso, girou entre os dedos sem acender. O tênis surrado no pé dele tinha o cadarço direito solto, batendo no chão enquanto ele andava.

Voltou pra festa.


As horas seguintes foram um borrão literal.

Jota tentava investigar, mas a névoa no olho esquerdo piorava a cada tentativa. Quando olhava pra Daslu, via apenas um vulto loiro. Quando tentava ler uma mensagem no celular de alguém, as letras dançavam e sumiam. Quando focava em Rosquinha, o rosto do amigo se dissolvia em manchas.

— Chô, você tá bem? — Rosquinha perguntava toda hora, preocupado.

— Não sei — Jota respondia. — Não consigo ver.

— Deixa eu te ajudar então.

E Rosquinha ajudava. Perguntava pros convidados. Checava os quartos. Anotava coisas no lugar de Jota.

Mas nada fazia sentido.

As pistas estavam ali — Jota sabia disso. Bilhetes rasgados. Copos com restos de bebida. Conversas interrompidas. Olhares trocados. Mas ele não conseguia ENXERGAR.

A frustração crescia. A névoa também.

Até que Leandro Costa apareceu.


Ele entrou pela porta lateral da mansão como se tivesse sido chamado, mas ninguém tinha chamado. Terno branco impecável, cabelo penteado pra trás, sorriso discreto e confiante. Parecia saído de outro tempo, outro lugar.

— Quem é você? — perguntou Daslu, ainda tremendo.

— Podem me chamar de Benoit Blanc — disse ele, sotaque leve mas elegante.

Daslu olhou desconfiada.

— Como o detetive?

— Sou cirurgião — corrigiu, sorrindo. — Não detetive. Mas vim pra ajudar.

Jota olhou pra ele, mas só viu um borrão branco.

Leandro se aproximou, inclinou a cabeça, estudou o rosto de Jota com atenção clínica.

— Interessante — murmurou. — Você não consegue ver, não é?

— Como você sabe?

— Porque eu sei — disse Leandro, sorrindo de canto. — E sei como resolver também.


A sala de cirurgia improvisada ficava no andar de baixo, perto da adega. Leandro preparou tudo com calma: maca, luzes, instrumentos alinhados em bandejas de prata. O cheiro de álcool cortava o ar.

Jota deitou na maca. Rosquinha estava do lado dele, segurando a mão.

— Vai dar certo, Chô — disse, voz baixa. — Relaxa.

Leandro se aproximou, bisturi na mão.

— É só um pedacinho da pálpebra — explicou. — Tem algo colado ali. Alguém colocou. Não sei quem. Não sei quando. Mas tá impedindo você de ver. Vou tirar.

— Vai doer?

— Vai — disse Leandro, honesto. — Mas vai passar.


O corte foi limpo.

Rápido.

Preciso.

A dor veio em onda — afiada, queimando, atravessando o olho e explodindo atrás da cabeça. Jota apertou os dentes, segurou a mão de Rosquinha com força.

Leandro puxou algo da pálpebra.

Não era pele.

Era uma lente.

Ultrafina. Transparente. Quase invisível. Do tamanho de uma unha, mas perfeita, como se tivesse sido feita sob medida.

Leandro a segurou contra a luz. Brilhou levemente. Virou ela entre os dedos, observou as bordas.

— É biodegradável — disse, voz calma mas pesada. — Orgânica. Se dissolve sozinha em algumas semanas.

Pausa.

— O que significa que alguém vinha aplicando isso em você. Repetidamente.

Jota ficou parado, processando.

— Repetidamente — repetiu, voz falhando.

Leandro assentiu.

— Não sei há quanto tempo. Mas essa aqui — ele segurou a lente — estava te cegando. E quando ela começou a se degradar, causou a névoa que você sentiu.

Silêncio pesado na sala.

Jota fechou os olhos.

Lembrou.

Rosquinha tocando seu rosto.

Sempre.

Toda hora.

Anos.

Não só com ele. Com todo mundo. Era parte de quem Rosquinha era. Invasivo. Sem noção. Todo mundo sabia.

Mas com Jota… era mais frequente.

Jota tinha achado que era porque eram próximos.

Porque Rosquinha se sentia mais à vontade com ele.

Era irritante. Mas fazia parte.

Ou assim ele pensava.

— Alguém fazia isso com você de propósito — disse Leandro, voz suave. — Criava situações pra tocar seu rosto. E aplicava isso. De novo. De novo. De novo.

Jota abriu os olhos.

E então o mundo clareou.

De repente.

Tudo.


Ele piscou. A névoa tinha sumido. Completamente.

Viu Leandro com clareza total: o rosto calmo, o sorriso discreto, os olhos inteligentes.

Viu a sala: cada instrumento, cada mancha no chão, cada sombra.

Viu Rosquinha ao lado dele.

E pela primeira vez em quanto tempo — anos? — viu TUDO.

Levantou da maca devagar, ainda tonto, mas enxergando.

— Vamos terminar isso — disse.


Jota voltou pro porão onde Rand tinha sido encontrado.

Dessa vez, viu.

O copo largado no canto, ainda com resíduos no fundo. Veneno. Ele se abaixou, cheirou. Amêndoas amargas.

A ferramenta caída perto do corpo. Chave de fenda. Mas tinha sangue na ponta, seco, quase invisível. Alguém tinha usado ela pra algo antes.

As pegadas saindo da cena do crime. Tênis. Sola específica, desenho que ele conhecia.

E então viu o celular de Rand, caído embaixo de uma prateleira.

Pegou. Desbloqueou (senha óbvia: 1234).

Abriu as mensagens.

A última era de um número sem nome:

“Você não devia ter visto isso. Desculpa.”

Enviada duas horas antes da morte.

Jota sentiu o estômago afundar.


Subiu correndo.

Rosquinha estava na sala principal, conversando com Daslu, rindo de algo.

Jota parou na porta.

Olhou pro amigo.

Viu os tênis dele.

A sola.

O desenho.

Igual às pegadas no porão.

Olhou pro copo que Rosquinha segurava na mão. Vazio agora. Mas Jota lembrou: ele tinha servido uma bebida pra Rand mais cedo, perto dos fusíveis. Tinha tocado ele. Como sempre fazia.

Olhou pros olhos de Rosquinha.

E Rosquinha percebeu.

O sorriso sumiu.

Silêncio.

A sala inteira parou.


Jota deu um passo à frente.

— Rosquinha — disse, voz baixa. — Foi você.

Não era pergunta.

Era certeza.

Rosquinha não negou.

Não confirmou.

Só olhou.


Jota deu mais um passo.

— Aquela mania tua — disse. — De ficar pegando no rosto das pessoas.

Rosquinha não se moveu.

— Eu achei que era só quem você era. Todo mundo acha. Você faz isso com todo mundo.

Silêncio.

— Mas não era igual, né? — A voz de Jota tremeu. — Com os outros era só… o quê? Distração? Disfarce?

Rosquinha olhou pro chão.

— E comigo? — Jota sentiu a garganta apertar. — Comigo tinha lente.

Pausa.

— Comigo sempre teve.

Ninguém na sala respirava.

Daslu cobriu a boca com as mãos. Satogos Cruel deu um passo atrás. Little Boobs começou a chorar baixinho. Maju Kuzito só observava, sem expressão.

— Há quantos anos, Rosquinha? — perguntou Jota. — Desde quando você me cegava enquanto fingia que era só teu jeito de ser?

Rosquinha não respondeu.

— O que mais eu não vi? — A voz de Jota quebrou. — O que mais você fez que eu não consegui enxergar?

Silêncio absoluto.

— Por quê, Rosquinha? Por que você matou o Rand?

Nada.

— Por quê?

Rosquinha balançou a cabeça devagar.

Não ia explicar.

Não podia.

Ou não queria.

Jota não sabia qual.


Leandro apareceu na porta, mãos nos bolsos, assistindo em silêncio.

— Acabou o jogo — disse, voz calma.

Rosquinha olhou pra Jota uma última vez.

E então desabou.

Não em lágrimas.

Não em confissão.

Só desabou.

Sentou no chão, costas contra a parede de vidro, olhando pro nada.


Jota ficou parado, olhando pro amigo que tinha matado Rand e não conseguia explicar por quê.

Pro amigo que tinha o cegado por anos e não conseguia explicar por quê.

A verdade estava na frente dele agora.

Clara.

Visível.

Completa.

Mas ele não entendia nada.


O barco chegou de manhã.

Levaram Rosquinha.

Levaram o corpo de Rand.

Levaram as provas.


Jota ficou na varanda de vidro, olhando o oceano.

A lente ultrafina que Leandro tinha tirado da pálpebra dele estava guardada no bolso, dentro de um saquinho plástico.

Ele não sabia o que fazer com ela.

Pensou em quantas vezes tinha visto Rosquinha tocar outras pessoas.

Quantas vezes tinha achado irritante, invasivo, mas inofensivo.

Quantas vezes tinha pensado: “É só o jeito dele.”

E quantas vezes ele mesmo tinha sido tocado.

Achando que era a mesma coisa.

Mas não era.

Nunca foi.

A lente no bolso era a prova.

Rosquinha tocava todo mundo pra que ninguém percebesse quando tocava Jota.

O disfarce perfeito.

Esconder o específico no geral.

Esconder a arma no meio de mil gestos inofensivos.


Leandro apareceu do lado dele, fumando um cigarro fino.

— Você descobriu quem — disse. — Mas não descobriu por quê.

— Não — disse Jota, voz rouca. — Não descobri.

— Às vezes é assim — disse Leandro, soprando fumaça pro vento. — A verdade tá colada na gente há anos. É só cortar o pedaço certo. Mas ver não é o mesmo que entender.

Jota olhou pra ele.

— Você sabia que era o Rosquinha?

Leandro deu de ombros.

— Eu só corto pálpebras — disse, sorrindo de canto. — O resto é com você.

Deu uma última tragada no cigarro, jogou a ponta no mar.

Ajustou o paletó branco, impecável como sempre.

E saiu caminhando, mãos nos bolsos, com aquele ar de quem tinha resolvido tudo desde o começo.

Ou só teve sorte.

Jota nunca saberia qual.


Ficou sozinho na varanda.

O sol nascia no horizonte.

A mansão de vidro brilhava.

E ele ainda não entendia nada.

Às vezes a verdade está colada na gente há anos.

Às vezes ela se esconde no que todo mundo vê.

Porque todo mundo acha que já sabe o que é.

Mas ver não é o mesmo que entender.

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Sinopse Narrativa:

Jota e Rosquinha se infiltram em festa luxuosa na mansão de vidro em ilha (anfitriã Daslu). Rosquinha tem mania de tocar rosto das pessoas. Após tocar Jota, névoa começa no olho esquerdo dele, piora progressivamente até cegueira parcial. Rand encontrado morto no porão (veneno, cheiro amêndoas amargas). Leandro Costa aparece como "cirurgião Benoit Blanc", opera Jota removendo lente ultrafina biodegradável da pálpebra - alguém aplicava repetidamente por anos cegando Jota. Visão volta totalmente. Jota investiga com visão clara: copo com veneno, ferramenta com sangue, pegadas, mensagem no celular de Rand. Descobre Rosquinha: sola dos tênis igual pegadas, serviu bebida pra Rand, aplicava lentes em Jota por anos disfarçando entre toques em todos. Rosquinha não explica porquê matou Rand nem porquê cegava Jota. Levam ele no barco.

Gênero Mistério, Terror Psicológico
Tom Investigativo, Perturbador, Traição
Timeline Curitiba
Versão Jota Normal
Categoria Assassinato, Mistério, Traição prolongada
Itens Essenciais Caderno marrom de capa dura, Camiseta regata vinho, Ímã (posto Esso), Isqueiro amarelo (o sobrevivente), Mochila laranja, Tênis surrado
Temas Cegueira literal e metafórica, Manipulação invisível, Traição de longo prazo
Locais Cozinha, Ilha, mansão de vidro, oceano, piscina infinita, porão, quarto de hóspedes
Palavras-Chave cegueira progressiva, Leandro cirurgião, lente biodegradável, manipulação prolongada, mansão de vidro, Rand assassinado, Rosquinha traidor, traição invisível
Jota e Rosquinha não foram convidados mas entraram, Rosquinha tem mania de tocar rosto das pessoas - todo mundo sabe, faz com todos, alguns toleram, outros reclamam, com Jota era mais frequente "porque os outros reclamam mais" e "você me aguenta", névoa começou como leve turvação no canto do olho esquerdo após Rosquinha tocar "você tem algo no olho", cresceu cobrindo metade da visão, borrava tudo, Rand morto no porão sem marcas visíveis, corpo frio demais, olhos abertos, expressão congelada de surpresa, barco só voltaria de manhã - presos com assassino, lente ultrafina transparente tamanho de unha, biodegradável, orgânica, dissolve sozinha em semanas - alguém aplicava repetidamente, cirurgia: maca, luzes, instrumentos em bandejas de prata, cheiro de álcool, corte limpo/rápido/preciso, dor em onda afiada queimando, após remoção visão clareou completamente de repente, pistas no porão: copo com resíduos (veneno, amêndoas amargas), chave de fenda com sangue seco na ponta, pegadas (tênis, sola específica), celular de Rand (senha 1234, última mensagem de número sem nome "Você não devia ter visto isso. Desculpa" enviada 2 horas antes), sola dos tênis de Rosquinha igual às pegadas, Rosquinha serviu bebida pra Rand perto dos fusíveis, Rosquinha tocava todo mundo pra que ninguém percebesse quando tocava Jota - "disfarce perfeito, esconder específico no geral", lente guardada em saquinho plástico no bolso de Jota, "ver não é o mesmo que entender", sol nascendo quando barco levou Rosquinha e corpo de Rand
 

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