A Rodovia do Café tá fechada pro trânsito, só pro som.
O quintal aberto da casa 1423 virou um mar de corpos, luzes de LED coloridas penduradas nos fios de energia, caixa de som de 15 polegadas latejando funk antigo misturado com sertanejo universitário. Copos vermelhos por todo lado, gelo derretendo em baldes de isopor, cheiro de cerveja quente, cigarro, perfume barato e suor.
O Gol Bolinha Cinza Urban 2003 na marginal ali na frente, vidro embaçado mesmo parado, banco do motorista afundado pelos 110 kg que passam a vida ali. Etanol no tanque, chave no bolso da calça moletom.
Jota tá encostado na mureta do muro, camiseta vinho já colada no peito, barba cheia brilhando de suor, copo de Coca-Cola gelada na mão direita, olho no meio da bagunça. Ao lado dele, Rosquinha toma cerveja, camisa florida aberta, peito peludo à mostra, rindo de qualquer coisa, bigode de guidão.
Dois caras sobem numa mesa improvisada de madeira. Um deles pega o microfone de brinquedo, voz bêbada mas firme:
— Regras da noite, seus putos! Cada dupla de minas escolhe dois caras. Uma hora fechada no Motel MyGarden do outro lado da rua. Sem choro, sem vela, sem depois. Quem topa levanta a mão!
A multidão berra, assobia, empurra.
A primeira dupla sobe: Maju Kuzito e Little Boobs.
Maju é alta pra caralho, 1,80 fácil, pernas que não acabam, short rosa mini que mal cobre a bunda, piercing na barriga brilhando sob as luzes coloridas. Cabelo castanho-escuro ondulado, delineado gatinho afiado, boca carnuda mordendo o lábio enquanto escolhe.
Ela aponta primeiro.
Um cara de boné.
Depois Little escolhe outro.
Mas Maju ainda tá olhando o quintal inteiro.
Os olhos dela cruzam com os de Jota.
Segura o olhar por três segundos.
Sorri de canto.
E aponta direto pra ele.
— Tu aí, gordo de vinho.
A roda explode em assobio e grito.
Jota sente o coração dar um soco no peito.
Rosquinha dá um tapa nas costas dele:
— Vai, porra! É hoje!
Maju desce da mesa, anda até ele rebolando lento, pega na mão dele como se já fosse dona.
— Vem.
Os quatro atravessam a rodovia, descalços no asfalto quente, luzes do motel piscando vermelho e azul.
Portaria nem pergunta, já conhece a festa.
Quarto 207. Porta bate. Uma hora começa a contar.
Dentro, flashes:
Maju tirando o short devagar, rindo baixo, empurrando Jota na cama, subindo em cima, mordendo o pescoço, gemendo no ouvido “vai logo, gordo”.
Corpos suados, cama rangendo, luz vermelha do letreiro entrando pela janela.
A mochila laranja jogada no chão do quarto, zíper aberto, com camisinhas e o caderno marrom de capa dura aparecendo por cima de uma camiseta dobrada.
Quando a porta abre de novo, 01h47 no relógio,
Maju sai primeiro, cabelo bagunçado, batom borrado, pernas ainda tremendo um pouco.
Jota vem atrás, camiseta ao contrário, peito marcado de arranhões e batom, sorriso bobo de quem ganhou na loteria.
Atravessam a BR de volta, agora de chinelo, pé sujo de areia do quarto.
A festa tá mais louca ainda.
Maju entra dançando, pega outro copo, beija Little na boca só pra provocar, some no meio da multidão.
Jota procura ela com o olho.
Não acha de cara.
Rosquinha entrega um copo de Red Bull gelado.
— Tá brilhando, irmão. Como foi?
Jota só sorri, bebe metade do copo de uma vez.
— Foi foda.
E acha que acabou.
Mas a noite ainda tem mais uma hora pra dar.
02h19.
A música baixou um pouco, o DJ trocou pra um batidão mais lento, aquele que faz todo mundo rebolar colado. O quintal tá mais quente, mais suado, mais bêbado. Copos no chão, camisas no chão, umas três pessoas já vomitaram no canto e ninguém liga.
O mestre de cerimônias sobe na mesa de novo, microfone na mão, voz arrastada:
— Agora é a vez dos macho! Dois caras escolhem duas minas. Uma hora. Motel MyGarden. Quem topa?
A roda berra mais alto que antes.
Rosquinha olha pra Jota, olhos brilhando de cachaça e tesão.
— Bora, irmão. Hoje é histórico.
Os dois sobem na mesa, madeira rangendo sob peso do Jota.
A multidão abre espaço, celular pra cima, luzes de flash piscando.
Rosquinha pega o microfone primeiro, aponta rápido:
— Aquele loiro de camiseta prata ali!
O loiro sobe rindo, já sabendo o que vem.
Jota segura o microfone, coração ainda acelerado da hora anterior, o cheiro da Maju Kuzito ainda na pele, no cabelo, na barba.
Ele varre o quintal com o olhar.
E acha ela.
Maju Kuzito tá encostada no muro, copo na mão, pernas cruzadas, short rosa subindo mais ainda.
Olha direto pra ele.
Sorri daquele jeito que já é faca.
Jota levanta o microfone, voz firme:
— Maju.
O quintal explode em “UHHHHH” e assobios.
Maju Kuzito continua olhando.
O sorriso não some, mas muda.
Fica mais frio.
Mais dono.
Ela balança a cabeça, devagar.
Apenas um “não” sem palavra, quase gentil.
Silêncio de meio segundo.
Depois a roda ri alto, zoando, empurrando outro nome.
Jota sente o sangue subir pro rosto inteiro.
O copo na mão esquerda treme um tiquinho.
Rosquinha percebe, dá um tapa discreto nas costas dele, pega o microfone de volta:
— Tá, então a morena de vestido vermelho para meu amigo aquii!
Ela sobe correndo, feliz da vida.
Maju Kuzito vira o rosto, continua conversando com Little como se nada tivesse acontecido.
Jota desce da mesa devagar, pernas meio moles.
Alguém entrega outra Coca-Cola gelada.
Ele bebe metade de uma vez, sem sentir o gosto.
Rosquinha cutuca ele:
— Relaxa, irmão. Tem mais mulher que copo nessa festa.
Jota força um sorriso.
— Tô de boa.
Mas não tá.
A morena de vermelho já tá pendurada no pescoço dele, beijando o canto da boca, falando no ouvido:
— Vamos, seu lindo? Tô louca pra te conhecer melhor.
Jota olha uma última vez pro canto do muro.
Maju Kuzito tá rindo de algo que Little falou, cabelo caindo no rosto, copo erguido.
Os quatro atravessam a rua.
Porta do motel bate.
Dentro do quarto 203, a putaria rola.
Bocas, mãos, gemidos, cama rangendo.
A morena é boa, é safada, é tudo que uma noite dessas promete.
Mas o pensamento do Jota tá do outro lado da rua.
Na Maju Kuzito que disse não.
A luz vermelha do letreiro entra em pulsos, como coração batendo.
O quarto fede a sexo, cigarro apagado e desinfetante barato. O ar-condicionado só sopra ar quente. A cama range a cada movimento, cabeceira batendo na parede fina. A mochila laranja dele jogada no chão do quarto, zíper aberto com caderno marrom aparecendo e com as camisinhas.
A morena de vermelho perdeu o vestido há muito tempo. Tá só de calcinha fio dental preta, sutiã rendado aberto na frente, peitos grandes balançando enquanto ela senta no colo do Jota, rebola devagar, esfregando a buceta molhada na calça moletom dele.
— Tu é grandão em tudo, hein? — ela sussurra no ouvido, língua lambendo o lóbulo.
Jota tenta.
Mãos grossas sobem pelas coxas, apertam a bunda com força, puxam pra mais perto.
A boca dela desce pro pescoço, chupa forte, deixa marca roxa.
Ele fecha os olhos.
E vê a Maju Kuzito.
Aquele balançar de cabeça.
O “não” sem palavra.
O sorriso de quem acabou de comer e já cuspiu o osso.
A morena sente que ele tá meio duro, mas não inteiro.
Levanta o rosto, olhar safado:
— Tá pensando nela, né? Tá escrito na tua cara.
Jota abre os olhos, força um sorriso que não chega.
— Tô aqui contigo, gata.
Ela ri baixo, desce do colo, ajoelha no chão entre as pernas dele.
Desce o zíper devagar, puxa calça e cueca de uma vez.
O pau dele pula pra fora, mas não 100%.
Ela não liga.
Segura na base, lambe da base até a cabeça, engole inteiro, garganta profunda sem engasgar.
Jota geme, mão na nuca dela, empurrando mais fundo.
Mas o gemido sai vazio.
Do outro lado do quarto, Rosquinha já está com o loiro.
A morena pega a camisinha, coloca, senta de costas, guia o pau dele pra dentro com a mão.
Entra apertado, quente, molhado pra caralho.
Ela rebola forte, gemendo alto, peitos pulando.
— Me fode pensando nela se quiser… me usa, gordo…
Jota segura a cintura fina, empurra pra cima com raiva, batendo forte.
Cada estocada é um “por que não eu?”
Cada gemido dela é um “porque eu posso escolher”.
A morena vira de frente, pernas abertas, puxa ele pra cima.
Jota mete com força, olhando nos olhos dela, mas vendo os olhos da Maju.
Ela goza primeiro, corpo tremendo, unha cravada nas costas dele, gritinho abafado no travesseiro.
Jota não goza, mas ainda duro.
Enterra o rosto no pescoço dela, sente o cheiro de perfume barato misturado com suor.
Ela acaricia a nuca dele, voz doce agora:
— Foi bom, amor…
Ele fica parado em cima dela, respirando pesado, pau ainda dentro.
Olha pro teto rachado, luz vermelha piscando.
O relógio marca 03h09.
Faltam 38 minutos.
E o Jota nunca se sentiu tão vazio depois de meter.
A morena procura cigarro na bolsa, acha, mas não encontra o isqueiro.
Jota enfia a mão no bolso da calça jogada no chão, puxa o isqueiro amarelo.
— Usa esse.
Ela acende, chama na primeira.
O sobrevivente, como sempre.
03h47.
A porta do quarto 203 abre com um clique seco.
A luz vermelha do corredor corta o escuro como lâmina.
Rosquinha sai primeiro, camisa florida aberta, cabelo bagunçado, sorriso de quem acabou de ganhar na mega-sena.
O loiro vem atrás, acabado, rindo alto.
A morena de vermelho sai por último, vestido já no corpo, mas torto, sutiã aparecendo de lado. Dá um beijo rápido na bochecha do Jota.
— Valeu, apesar de tudo foi ótimo.
Ele só assente.
Camiseta vinho certinha, calça moletom erguida, marcas de unha e batom no peito e no pescoço.
O pau ainda latejando dentro da cueca, mas o resto dele apagado.
Jota calça o tênis surrado antes de sair, dedão aparecendo pelo buraco, cadarço direito já meio solto.
Os quatro atravessam a BR, asfalto quente grudando na sola.
No meio da travessia, o cadarço direito do tênis de Jota desamarra de vez.
Ele para.
Ajoelha no asfalto quente, mãos tremendo um pouco.
Amarra rápido, nó mal feito.
Levanta o olhar.
E vê.
Pelo portão aberto do quintal, lá no fundo:
Maju Kuzito dançando sozinha no meio do gramado, braços pra cima, quadril rebolando devagar no ritmo.
Short rosa subindo mais ainda, pernas intermináveis brilhando de suor sob as luzes coloridas.
Cabelo solto, olhos fechados, sorriso de quem tá no topo do mundo.
Como se a última hora nunca tivesse existido pra ela.
O cadarço fez ele parar.
Fez ele ver.
Destino filho da puta.
Jota termina de amarrar, levanta, continua andando.
A música ainda late forte, agora um funk pesadão que faz o chão tremer.
O portão do quintal tá aberto, a festa parece que dobrou de tamanho.
Jota entra por último.
Um cara tenta dançar colado na Maju.
Ela abre os olhos, ri, empurra ele de leve com a mão no peito e continua dançando sozinha.
Rejeição suave, mortal, igualzinho fez com o Jota.
Rosquinha já sumiu na multidão, procurando outra cerveja.
A morena de vermelho não entende o que a outra tem que ela não tem, dá um tchau e vai pro bar.
Jota pega uma coca e fica parado na entrada do quintal, olhando.
Maju abre os olhos de novo.
Vê ele.
Sorri de canto.
Levanta o copo num brinde silencioso.
E vira as costas.
A facada entra até o cabo.
Jota sente o peito apertar de um jeito que nem a margarina no policial conseguiu.
O suor frio desce pela nuca, mistura com o cheiro de sexo que ainda tá na pele.
Um cara desconhecido bate no ombro dele, voz bêbada:
— Tá ligado que ela já comeu metade da festa, né?
Jota não responde.
A música continua.
A Maju Kuzito continua dançando.
E o Jota continua parado ali, pensando numa guria que já esqueceu que ele existe.
A noite ainda não acabou.
Mas pra ele, acabou faz tempo.
Jota atravessa a multidão até o banheiro. Tranca a porta. Puxa o caderno da mochila, faz duas carreiras na capa. Dá o téco. Limpa o nariz. Quando sai, a festa já tá acabando.
04h28.
A música caiu pra um batidão lento, quase um lamento.
As luzes coloridas agora piscam cansadas, algumas queimaram. O quintal tá mais vazio: corpos espalhados no chão, uns dormindo, outros ainda tentando dançar. O cheiro é de cerveja derramada, vômito e fim de festa.
Jota tá encostado no muro dos fundos, sozinho, o terceiro copo de coca tremendo na mão.
Camiseta vinho suada, barba cheia molhada, olhos vidrados na Maju Kuzito.
Ela ainda dança.
Agora com um cara alto de regata branca colado nela, mãos na cintura, quadril contra quadril.
Ela deixa.
Ri alto quando ele fala no ouvido.
Deixa a mão dele descer mais um pouco.
Jota sente o estômago revirar.
Não é ciúme.
É pior.
É a certeza absoluta de que ele foi só mais um item da lista, e nem foi o melhor.
Rosquinha aparece do lado, olhos vermelhos, voz mole:
— Bora, irmão? Tá na hora. Amanhã tem vida.
Jota não responde.
Só bebe o resto do refrigerante de uma vez, líquido doce queimando a garganta seca.
Maju vira o rosto nesse exato segundo.
Olha direto pra ele.
Sorri de canto.
Levanta a mão num tchauzinho debochado.
E vira de novo pro cara de regata, beija ele na boca ali mesmo, língua e tudo.
Jota amassa o copo plástico na mão, plástico corta a palma, sangue pingando sem ele sentir.
Rosquinha pega no braço dele.
— Vamos. Tu já tomou o que tinha pra tomar. Vem, vamos dar um tirinho no carro.
Jota deixa ser levado.
Passa pela multidão que já nem liga mais, sai pelo portão, atravessa a rua sem olhar pro motel.
O Gol Bolinha tá estacionado na marginal logo em frente, pega o caderno, a buchina e estende duas carreiras ali.
Dá o téco.
Enfia a chave na ignição, motor tosse, etanol acorda devagar.
Rosquinha senta do lado, cinto mal colocado.
— Tu tá bem pra dirigir?
— Tô.
Jota encosta a cabeça no volante por um segundo.
Olha pro retrovisor.
A última imagem que leva da noite:
Maju Kuzito dançando, braços do cara de regata na cintura dela, luz vermelha do motel piscando atrás.
E ela nem olha pra trás.
O Gol arranca, pneu cantando no asfalto.
A Rodovia do Café fica pequena no retrovisor.
Jota dirige em silêncio, mãos no volante sem direção hidráulica, braços grossos fazendo força em cada curva.
Rosquinha tenta falar alguma coisa, sobre o tamanho da mão do loiro, Jota tá pouco se fodendo para as viadagens dele.
Jota tenta manter na memória o momento com Maju.
Mas a vida é engraçada, ele sabe que foi bom, mas está esquecendo o acontecimento.
Já Maju, ele ainda queria mais.
E sabe, que tem algumas filhas da puta que a gente nunca esquece.
Nem quando tenta.
10h do dia seguinte.
O sol entra pelas frestas da persiana da casa no Capão da Imbuia, corta o quarto em listras amarelas.
Jota abre os olhos devagar.
Cabeça latejando, boca seca, cheiro de sexo impregnado na camiseta vinho que ele nem lembra de ter tirado.
O corpo dói inteiro: costas arranhadas, pescoço marcado, pau latejando de tanto lembrar.
O celular vibra no chão, tela rachada.
87 notificações do grupo da festa.
Ele desliza o dedo.
Vídeos.
Fotos.
Áudios.
O primeiro vídeo é dele mesmo subindo na mesa, apontando pra Maju Kuzito, a roda gritando.
O segundo é a Maju balançando a cabeça, o “não” silencioso em câmera lenta.
O terceiro é ele saindo do motel com a morena de vermelho, cara de quem ganhou e perdeu ao mesmo tempo.
Tem até print do story da Maju, postado às 06h12:
Foto dela no espelho do banheiro do motel, cabelo molhado, só de calcinha, legenda:
“melhor hora da noite foi antes da porta fechar 😉”
Jota sente o estômago virar do avesso.
Vai para o banheiro, a água lava o rosto, mas não lava a raiva.
Quando volta, senta na beirada da cama, cabeça entre as mãos.
Tenta lembrar o cheiro dela. Não consegue mais.
O “não” dela ainda tá ecoando na cabeça.
Jota passa na sala e vê Rosquinha na cozinha, fazendo algo.
Jota vai para a cozinha e senta.
Rosquinha faz cafê, mas Jota pega um leite na geladeira.
— Irmão, tu tá com cara de quem morreu e esqueceram de enterrar. Quem bebe sou eu e tu que fica de ressaca.
Jota bebe o leite.
Rosquinha cutuca:
— Ela postou, né?
— Postou. E marcou local. Todo mundo viu.
Silêncio.
Rosquinha dá um tapa leve nas costas dele.
— Tu comeu a filha da puta mais gostosa da festa. E ela ainda te escolheu. Isso ninguém tira.
Jota ri seco, sem graça.
— E ela cuspiu na minha cara na frente de todo mundo. Isso também ninguém tira.
Rosquinha dá de ombros.
— É o preço. Tu entrou no jogo, jogou, perdeu uma rodada. Vida que segue.
Jota olha pro teto rachado do quarto.
— Não foi uma rodada, cara. Foi a única que eu queria de verdade.
Rosquinha fica quieto um segundo.
Depois levanta, vai até a janela, abre a cortina inteira.
O sol invade, queima.
— Então guarda esse gosto amargo aí no peito. Um dia tu vai usar pra alguma coisa.
Jota fica olhando o sol.
O celular vibra de novo.
Nova notificação.
Maju Kuzito acabou de postar outro story:
Foto do short rosa dobrado em cima da cama, legenda:
“alguém perdeu a vez ontem… pena 😏”
Ele bloqueia ela em tudo.
Apaga o vídeo.
Apaga as fotos.
Mas o cheiro ainda tá na camiseta.
O “não” ainda tá na cabeça.
E a sensação de ter sido só mais um, e nem o melhor, vai ficar ali pra sempre.
Jota levanta, joga a camiseta vinho no lixo, entra no chuveiro frio.
A água leva o suor, o batom, o cheiro da morena de vermelho.
Mas não leva a Maju Kuzito.
Algumas portas fecham pra sempre.
Jota seca o corpo, veste roupa limpa.
Pega a mochila laranja jogada no canto do quarto.
Abre o caderno marrom. Páginas amassadas, marcadas de pó e caneta.
E escreve.
