Geraldo entra na mente de Lira, uma menina de dez anos presa em um mundo onírico infinito, onde pensamentos viram realidade e esquecimentos apagam o que dói. Fingindo amizade, ele a manipula para expandir esse reino em um paraíso lucrativo, atraindo “turistas” do mundo real que pagam para sonhar. Mas quanto mais poder Lira ganha, mais ela perde de si mesma. Um thriller psicológico sobre controle, esquecimento e o preço de um sonho eterno.
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Geraldo acorda dentro da mente de Lira, uma criança de aproximadamente dez anos, num mundo onde tudo que ela pensa materializa-se. Ele já tem experiência com esse tipo de travessia e sabe o nome da menina antes dela dizer. Finge confusão, aproxima-se com cuidado e paciência, e conquista sua confiança até ela convidá-lo a ficar. O narrador revela ao fim que Geraldo tem intenções ocultas: não pretende sair quando Lira acordar — e sabe que o despertar dela destruiria tudo, inclusive ele.
Ao longo de vinte dias dentro da mente de Lira, Geraldo executa um plano metódico de manipulação disfarçado de brincadeiras e carinho. Ensina-a a aceitar o que rejeita, a esquecer memórias dolorosas do mundo real e, por fim, a apagar o próprio nome verdadeiro. Cada etapa aprofunda o enraizamento de Geraldo no mundo mental de Lira e dificulta o retorno dela à realidade. O capítulo termina com Lira celebrando o esquecimento do próprio nome — e Geraldo sorrindo ao trancar a última porta.
A mente de Lira começa a receber turistas pagantes — pessoas do mundo real que acessam o espaço via fendas no céu, pagando transferências Pix controladas por Geraldo. A população cresce até mil pessoas. Geraldo cria uma moeda interna chamada "luz" e um imposto sobre sonho (ISS de 18%). Lira, entronizada num trono de nuvens, vai se tornando cada vez mais apática e menos criança enquanto o mundo ao seu redor cresce descontroladamente.
No trigésimo sétimo dia, Lira confronta Geraldo com uma arma real e exige que ele saia. Ele é baleado cinco vezes mas permanece ileso — as balas caem como moedas. Lira destrói o coelho de pelúcia (última memória afetiva do pai) num acesso de raiva. Após o colapso emocional, Geraldo a convence de que ela não quer acordar de verdade, usando o argumento de que sua morte equivaleria ao fim do mundo dela. Lira aceita e cria um coelho substituto — idêntico, mas sem voz.
Tomaz, professor de história com câncer, lidera uma rebelião de duzentos turistas pedindo que Lira acorde. Ela chora, quase cede — e então apaga todos com um toque, percebendo com surpresa que gostou de fazê-lo. A partir daí, Lira se fecha emocionalmente: para de rir, de chorar, de sentir. O mundo começa a falhar. Geraldo percebe que criou algo além do que planejava — e que pode estar do lado errado da última porta. Lira anuncia "a última regra."
Geraldo aplica a regra final: instala um coração mecânico que filtra todas as emoções do mundo para si, entregando a Lira apenas o resultado pronto. Ela vira estátua viva — sorriso congelado, corpo imóvel, esquecimento total. O ISS chega a 100% e turistas novos nem sabem da existência dela. No epílogo, um caderno marrom de capa dura revela que Geraldo faz isso sistematicamente: Lira foi a quarta vítima, há pelo menos 287 sonhos registrados e uma próxima página em branco esperando.
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