Capa do Capítulo

Capítulo 6 – O Silêncio Eterno

Extensão: 289 palavras | Leitura: 2 min

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Lira esqueceu o próprio nome.

Não lembrava que já foi criança.

Não lembrava que já chorou.

Não lembrava que já teve medo.

Só ficava sentada no trono, olhando o vazio.

Geraldo sentou do lado, tomou cerveja que agora tinha gosto de nada, e sussurrou a regra final:

— De agora em diante, você não precisa sentir nada. Eu sinto por você.

Ele criou um dispositivo: um coração mecânico que conectava direto na mente dela.

Toda emoção que alguém produzisse no mundo ia direto pro coração dele.

Ele ria, ele chorava, ele odiava, ele amava — e Lira só recebia o resultado pronto, filtrado, eterno.

O mundo virou bateria.

O ISS subiu para 97%. Depois 99%. Depois 100%.

Turistas novos nem sabiam que existia uma menina no trono.

Achavam que o sistema era automático.

Pagavam tudo pra “manutenção do paraíso”.

Lira virou estátua viva.

Olhos abertos.

Sorriso congelado.

Corpo que não envelhecia mais.

Geraldo sentava ao lado dela todo dia, segurava a mão fria, e falava baixinho:

— Viu? Eu te disse que você nunca ia acordar.

O mundo continuava infinito, perfeito, silencioso.

Milhões de pessoas vivendo, morrendo, pagando imposto dentro da cabeça de uma menina que esqueceu que um dia já teve nome.

E Geraldo tomava a cerveja que nunca acabava.

Porque ele venceu.

Ele era o sonho agora.

E sonhos não acordam.


Epílogo

Anos depois, num caderno marrom de capa dura, letra firme, sem pressa:

“Sonho 287: Lira. ISS chegou em 100% na quarta rodada. Turistas novos nem sabem que ela existe. Já repeti 4 vezes. Funciona sempre.”

A página virada.

A próxima em branco.

O isqueiro amarelo como marcador de página.


FIM

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Sinopse Narrativa:

Geraldo aplica a regra final: instala um coração mecânico que filtra todas as emoções do mundo para si, entregando a Lira apenas o resultado pronto. Ela vira estátua viva — sorriso congelado, corpo imóvel, esquecimento total. O ISS chega a 100% e turistas novos nem sabem da existência dela. No epílogo, um caderno marrom de capa dura revela que Geraldo faz isso sistematicamente: Lira foi a quarta vítima, há pelo menos 287 sonhos registrados e uma próxima página em branco esperando.

Gênero Ficção Científica, Horror Psicológico
Tom Definitivo, Frio, Perturbador
Timeline Mental, Onírico
Versão Jota Manipulador, Observador
Categoria Horror psicológico, Invasão de mente
Itens Essenciais Caderno marrom de capa dura, Isqueiro amarelo (o sobrevivente)
Temas Dominação total e apagamento do outro, Método serial e replicável, Sonho como prisão permanente
Locais Interior da mente de Lira
Palavras-Chave caderno, coração mecânico, estátua viva, Geraldo vence, ISS 100%, método serial, silêncio, sonho 287
O epílogo conecta diretamente com "Cake by the Ocean": Geraldo usa o mesmo padrão serial — uma vez com cada pessoa, método replicável, sem apego. O caderno marrom e o isqueiro amarelo aparecem juntos pela primeira vez numa cena fora do mundo real da mente. Lira foi a quarta vítima do método de invasão de mentes. A cerveja de Geraldo "agora tem gosto de nada" — detalhe de desumanização progressiva do próprio personagem. Encerramento da série "O Mundo Preso na Mente de Uma Criança."
 
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