Quando Cheguei, Já Estava Tudo Bagunçado
Você acabou de ler três textos.
Cada um nasceu de algo que eu via: pessoas complicando o simples, gente querendo karma pro outro mas não pra si, cada um com seu Deus próprio. Inicialmente, pensei que seriam isolados. Escrevia, achava que era só aquilo, seguia em frente.
Mas aí vi a conexão.
ALGUÉM e Geraldo apareciam nos três. O café aparecia nos três. A mesma dinâmica — complicar e simplificar — se repetia. Não era planejado. Simplesmente aconteceu.
Percebi que funcionavam juntos. Como peça, inclusive.
No primeiro texto, penso Geraldo de frente para a plateia. ALGUÉM como som — prefiro ator presente, pode interagir durante a peça, mas gravação também funciona — vindo de um ponto fixo. Intimidade direta.
No segundo, Geraldo caminha pelo palco. ALGUÉM continua como som, mas agora vindo de lugares diferentes, através de auto-falantes estéreo. A voz se move, dá a sensação de duas cozinhas distantes conversando. Mesmo ator do primeiro texto, mesma dinâmica, mas espacializada.
No terceiro, sons de diferentes pessoas. Vozes múltiplas vindo de vários pontos (mesmo ator com filtros de voz ou atores diferentes, depende da produção). Geraldo ainda sozinho em cena, mas agora em conversa com muitos. ALGUÉM se fragmenta, se multiplica.
Três cenas, três formatos, mesma conversa em camadas.
E então surgiu o quarto.
Não como complemento obrigatório — talvez seja amplo demais pra funcionar com os outros três em cena — mas como a conversa que faltava ter comigo mesmo. Se os três primeiros eram eu tentando entender o mundo através de Geraldo e ALGUÉM, o quarto é eu tentando entender Geraldo e ALGUÉM através de mim.
Você pode parar aqui.
Os três textos que você acabou de ler funcionam sozinhos. Como peça, como leitura, como o que você quiser fazer com eles.
O que vem a seguir é outra coisa. Mais denso. Menos teatral. Mais interno.
É opcional.
Se quiser continuar, continua. Se não quiser, tá valendo também.
Não tem resposta certa.
Se divirta. Ou complique. Ou simplifique. O que vier.
GERALDO
