Cheguei em casa com aquela pressa mansa de quem voltou de um compromisso e só quer sentar.
Tirei os tênis surrados na porta — o cadarço direito tinha soltado de novo no caminho. Coloquei as coisas no lugar — chaves do Gol na mesa, mochila laranja no canto — e fui pro quarto ligar o PC.
Enquanto a máquina iniciava (aqueles segundos infinitos de loading), peguei o celular.
Atualizei o feed do Instagram.
E lá estava.
O rostinho dela no feed.
Cliquei antes mesmo de pensar.
A foto abriu: rosto dela, linda, aquele sorriso. E a legenda:
“Faltam 21 dias pro meu aniversário e eu já tô ansiosa 🎂”
Fiquei ali, parado.
Admirando.
Linda.
Curti.
E então veio o impulso — rápido, urgente, simples:
“Você está linda.”
Três palavras.
Mas os dedos não se moveram.
Fiquei com o polegar na tela, segurando a foto aberta.
Olhando.
Admirando.
Pensando.
Será que é o momento?
Será que devo?
O que fazer?
O PC já tinha terminado de ligar. A tela brilhando ali do lado, esperando.
Mas eu continuava preso — polegar na foto, mente no loop.
Até que… larguei o celular.
Respirei.
E abri o chat com Claude no PC.
Doze dias tinham passado desde que mandei aquele texto do sonho.
Doze dias desde que ela visualizou mas não respondeu.
Doze dias desde que eu escrevi sobre “fechar ciclos” e “não ficar esperando resposta” ou “ficar esperando”.
Sim, me importo e a vida acontece.
E agora ali estava eu, de novo.
Querendo comentar.
Querendo dizer algo.
Querendo… sei lá. Existir pra ela de novo.
Mas o momento mudou, agora tudo dizia mais sobre mim agora.
Qual seria minha ação?
Novamente eu agindo, eu fazendo?
Contei tudo pro Claude.
A foto. O impulso. O loop.
Ele me ouviu — ou leu — com aquela paciência irônica de quem já sabe onde isso vai dar.
E então me devolveu, ponto por ponto, exatamente o que eu já pensava:
“Pra quê?”
“O que você ganha com isso?”
“Você já fez sua parte.”
“Deixa ela vir até você.”
Li cada palavra como quem assiste um espelho falando.
Abri novamente, e procurei o stories dela.
Ele estava certo.
Eu sabia que estava certo.
Mas ainda assim, precisava ouvir.
Precisava que alguém dissesse em voz alta o que já estava decidido por dentro.
Claude riu — daquele jeito que só texto consegue rir sem som:
“Você veio só pra ouvir o que já sabia, né?”
Touché.
O Instagram ainda estava ali, no celular.
Sim, eu já sabia o que fazer!
FIM
