{"id":1006,"date":"2026-02-11T00:15:00","date_gmt":"2026-02-11T03:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/?post_type=capitulo&#038;p=1006"},"modified":"2026-03-04T22:01:39","modified_gmt":"2026-03-05T01:01:39","slug":"inacabado","status":"publish","type":"capitulo","link":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/livro\/dias-apos-um-fim\/capitulo\/inacabado\/","title":{"rendered":"Inacabado"},"content":{"rendered":"\n<p>O condom\u00ednio era um labirinto organizado de casas. Voc\u00ea entrava e se encontrava, apesar da aparente desorganiza\u00e7\u00e3o. Muros brancos alinhados em fileiras perfeitas, port\u00f5es copiando port\u00f5es, garagens espelhando garagens. Nada ali gritava. Tudo sussurrava a mesma melodia morna de rotina e esquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Nele, Jota tinha uma casa inacabada.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela frente, dava para ver os c\u00f4modos ainda abertos, como se a privacidade dele estivesse exposta pro mundo inteiro. Paredes pela metade, vigas \u00e0 mostra, espa\u00e7os vazios que pareciam esperar por algo que nunca chegava. Gente passava na cal\u00e7ada, olhava de canto, fazia cara de pena ou julgamento. Jota fingia n\u00e3o ver.<\/p>\n\n\n\n<p>De diferente, o condom\u00ednio tamb\u00e9m abrigava Leandro Costa, um ator de novela que todo mundo reconhece ou ele pensa que deveriam conhecer. Que morava numa casa no fundo, lote triplo com piscina de borda infinita e deck de madeira. Nos bastidores, chamavam ele de Globalzinho \u2014 n\u00e3o pela Globo em si, mas pelo jeito que ele carregava a fama: pequena, ensaiada, grudada no corpo como tatuagem de aeroporto.<\/p>\n\n\n\n<p>O que ningu\u00e9m esperava mas estava acontecendo era que Jota, discretamente, tamb\u00e9m estava se tornando conhecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma fama que ainda n\u00e3o havia gritado seu nome, mas que latejava, baixinho, nas notifica\u00e7\u00f5es do celular. Podcast viralizado. Entrevista compartilhada. Direct de gente que ele nunca viu na vida pedindo conselho, elogio, aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A fama estava chegando.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Jota continuava ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi no estacionamento que a coisa desandou.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota voltava de um compromisso, dirigindo o Gol Bolinha Cinza Urban distra\u00eddo, pensando em outra coisa. A mochila laranja estava jogada no banco do carona, aberta, vomitando cabos, caderno de capa dura marrom e roupas velhas. A camiseta regata vinho \u2014 aquela mesma, rasgada no ombro, suada, sempre essa \u2014 estava amassada no fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando passou pela portaria, viu os sobrinhos esperando na frente da casa dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Pistolinha encostado no muro, bra\u00e7os cruzados, olhar impaciente. Enaldinho sentado no meio-fio, fone no ouvido. Sheldon em p\u00e9 ao lado, mochila no ombro, observando em sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Tinham vindo buscar umas caixas que Jota prometeu passar \u2014 livros, documentos, as coisas da mudan\u00e7a que ficaram empilhadas no canto da sala h\u00e1 seis meses. Talvez sete. Talvez mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota acenou pela janela, constrangido.<\/p>\n\n\n\n<p>Perdeu um pouco de aten\u00e7\u00e3o e bateu de leve contra os arbustos da entrada. Galhos quebrando. Cheiro de folha esmagada misturado com etanol velho.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota parou o carro, respirou fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando foi sair pra olhar o estrago, o cadar\u00e7o direito do t\u00eanis surrado estava desamarrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota parou.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhou pro cadar\u00e7o solto.<\/p>\n\n\n\n<p>Amarrou de novo, devagar, sentindo o buraco do ded\u00e3o deixar o ar frio entrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Pistolinha veio at\u00e9 ele, olhou pro para-choque arranhado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 S\u00e9rio, tio?<\/p>\n\n\n\n<p>Enaldinho desceu do meio-fio, olhou pra batida, olhou pro tio.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o disse nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Sheldon continuou parado no mesmo lugar, observando tudo em sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi quando Rand Oliveira apareceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Macac\u00e3o azul impec\u00e1vel, ferramentas penduradas no cinto, olhar t\u00e9cnico que avaliava tudo em dois segundos. Ele era o porteiro do condom\u00ednio, mas passava mais tempo consertando torneiras, chuveiros e fechaduras nas casas dos outros do que na portaria propriamente dita.<\/p>\n\n\n\n<p>Aparecendo ao lado do Gol, olhou pro para-choque arranhado, pros galhos quebrados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Precisa de ajuda?<\/p>\n\n\n\n<p>A voz era calma, eficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 T\u00f4 bem. Foi nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Rand olhou pra casa de Jota, port\u00e3o aberto, c\u00f4modos inacabados \u00e0 mostra.<\/p>\n\n\n\n<p>Ficou em sil\u00eancio por um segundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Tem coisa que ferramenta n\u00e3o arruma, n\u00e9 Jota?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o esperou resposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Deu meia-volta e voltou pra portaria, silencioso como chegou, deixando apenas o cheiro leve de \u00f3leo de m\u00e1quina no ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Pistolinha franziu a testa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quem era aquele cara?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Rand. O porteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Porteiro?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 \u00c9. Mas ele conserta coisas tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota estacionou corretamente o Gol Bolinha, pegou a mochila laranja do banco do carona, o caderno marrom quase caindo pela abertura.<\/p>\n\n\n\n<p>Ligou o alarme e seguiu para a porta da casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Pistolinha e Enaldinho vieram atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Sheldon veio por \u00faltimo, ajeitando a pr\u00f3pria mochila no ombro.<\/p>\n\n\n\n<p>O caminho passava pela \u00e1rea da piscina comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Leandro Costa estava l\u00e1, recostado numa espregui\u00e7adeira, \u00f3culos escuros, drink na m\u00e3o, rodeado de gente. Ria alto, gesticulava, contava alguma hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Viu a batida e, quando Jota passou, acenou sorridente.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota acenou de volta acelerando o passo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sheldon olhou pra tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quem \u00e9 aquele cara?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Leandro Costa. Ator de novela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Nunca ouvi falar. \u2014 Sheldon deu de ombros. \u2014 Se fosse influencer o Enaldinho j\u00e1 tava em cima.<\/p>\n\n\n\n<p>Enaldinho revirou os olhos e continuou andando.<\/p>\n\n\n\n<p>Na entrada da casa, Pistolinha olhava pros c\u00f4modos inacabados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Tio, que projeto mal feito. Olha esse recuo. Sobrou terreno na frente e faltou casa no fundo. Voc\u00ea deveria ter feito um sobrado pra aproveitar o lote. Isso aqui \u00e9 amadorismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota ainda sentia o olhar do Enaldinho queimando nas costas, a frase do Rand ecoando baixinho na cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A porta n\u00e3o t\u00e1 certa \u2014 soltou, sem pensar.<\/p>\n\n\n\n<p>Pistolinha franziu a testa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Que porta, tio?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Do estacionamento. A entrada. Sei l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Enaldinho trocou olhar com Sheldon.<\/p>\n\n\n\n<p>Sheldon olhou pro ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas sabiam que n\u00e3o era sobre a porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao abrir a porta da casa, Jota reparou \u2014 como se fosse a primeira vez \u2014 que as casas ao lado da dele tamb\u00e9m estavam inacabadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Port\u00f5es abertos. C\u00f4modos vazios. Paredes pela metade. Vigas expostas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pistolinha parou atr\u00e1s dele, olhando pros espa\u00e7os sem parede.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Tio, essas aqui s\u00e3o suas tamb\u00e9m?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o. Acho que n\u00e3o. Sei l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Como assim &#8220;sei l\u00e1&#8221;? Tu n\u00e3o sabe quantas casas tu tem?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota ainda parado na porta da pr\u00f3pria casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhou pros espa\u00e7os sem parede, pro vazio que parecia gritar em sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Sheldon, que tinha ficado quieto at\u00e9 ent\u00e3o, finalmente falou \u2014 voz baixa, mas firme:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Faz quanto tempo que tu mora assim, tio?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota enfiou a m\u00e3o no bolso, sentiu o isqueiro amarelo \u2014 o sobrevivente \u2014, frio, pesado, intacto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o sei. Uns anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E por que nunca termina?<\/p>\n\n\n\n<p>Pistolinha insistiu, voz mais baixa agora:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 S\u00e9rio, tio. Por que tu nunca termina isso aqui?<\/p>\n\n\n\n<p>Enaldinho, que vinha segurando at\u00e9 ent\u00e3o, soltou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A gente fica buscando caixas faz seis meses, tio.<\/p>\n\n\n\n<p>Pistolinha olhou pro irm\u00e3o, constrangido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Enaldinho&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 \u00c9 verdade. \u2014 Enaldinho encostou na parede sem parede, bra\u00e7os cruzados. \u2014 Seis meses com caixas novas aparecem e nada acaba. Hoje a gente tava esperando ali na frente faz uma hora. Tu nem lembrou.<\/p>\n\n\n\n<p>Sheldon continuou observando o tio em sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o tinha defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhou de relance pra cozinha. O \u00edm\u00e3 do Posto Esso \u2014 aquele que o pai tinha modificado, que sempre brilhava fraco quando fam\u00edlia estava por perto \u2014 continuava cinza. Fosco. Apagado.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com os tr\u00eas sobrinhos ali, o \u00edm\u00e3 n\u00e3o reconhecia mais nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Pistolinha suspirou, tentando aliviar o clima:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Deixa, t\u00e1 corrido, n\u00e9 tio?<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda parado na porta de casa, duas mulheres se aproximaram.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 aquele cara do podcast?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Talvez, possa ser! \u2014 Jota respondeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma delas arregalou os olhos, j\u00e1 tirando o celular e pediu:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Posso tirar uma foto?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sorriu. Posou. Elas sa\u00edram empolgadas, cochichando: \u00e9 ele mesmo, tenho certeza.<\/p>\n\n\n\n<p>Pistolinha olhou pro ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sheldon olhou pro tio.<\/p>\n\n\n\n<p>Enaldinho n\u00e3o olhou pra nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Entraram na casa.<\/p>\n\n\n\n<p>A sala era ampla, mas vazia. M\u00f3veis velhos espalhados sem crit\u00e9rio. Sof\u00e1 afundado. Mesa de centro rachada. E as caixas \u2014 aquelas malditas caixas \u2014 empilhadas no canto, empoeiradas, esquecidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Enaldinho olhou pra elas.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhou pro tio.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o disse nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Pistolinha deu um tapinha no ombro de Jota:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A gente entende, tio. T\u00e1 corrido, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>Enaldinho pegou a pr\u00f3pria mochila, ajeitou a al\u00e7a no ombro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Deixa, tio. A gente pega outro dia, de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sheldon passou por Jota, parou por um segundo na porta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Cuida de voc\u00ea, tio.<\/p>\n\n\n\n<p>E sa\u00edram.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem as caixas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem for\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas deixando o tio sozinho em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota ficou parado na sala por um tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhou pros c\u00f4modos sem parede.<\/p>\n\n\n\n<p>Pras caixas que prometeu entregar.<\/p>\n\n\n\n<p>Pro \u00edm\u00e3 na geladeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Caminhou at\u00e9 a mesa, pegou o caderno de capa dura marrom que tinha ca\u00eddo da mochila laranja.<\/p>\n\n\n\n<p>Abriu.<\/p>\n\n\n\n<p>P\u00e1ginas em branco olhando de volta.<\/p>\n\n\n\n<p>Pegou a caneta.<\/p>\n\n\n\n<p>Tentou escrever.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o saiu nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Fechou o caderno.<\/p>\n\n\n\n<p>Colocou de volta na mesa.<\/p>\n\n\n\n<p>O celular vibrou.<\/p>\n\n\n\n<p>Notifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma.<\/p>\n\n\n\n<p>E outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele olhou pra tela iluminada, nome de gente que nunca viu, mensagem de gente que nunca abra\u00e7ou, elogio de gente que nunca chorou na frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhou pro isqueiro amarelo em cima da mesa \u2014 o sobrevivente, intacto, frio, testemunha silenciosa de tudo que ele j\u00e1 foi e tudo que deixou de ser.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhou pro \u00edm\u00e3 na geladeira. Cinza. Frio. Nem a presen\u00e7a dos meninos fez ele acender.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhou pro caderno fechado \u2014 p\u00e1ginas em branco que ele n\u00e3o conseguia preencher, hist\u00f3rias que morriam antes de nascer.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhou pras caixas empoeiradas no canto \u2014 promessas que viraram peso, entregas que viraram vergonha.<\/p>\n\n\n\n<p>E finalmente olhou pro pr\u00f3prio reflexo no vidro da janela: corpo cansado que n\u00e3o reconhecia mais, barba que deixou crescer sem querer, camiseta rasgada que usava fazia dias, t\u00eanis furado que nunca trocava.<\/p>\n\n\n\n<p>Um homem inacabado.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa casa inacabada.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa vida que virou fama antes de virar paz.<\/p>\n\n\n\n<p>A fama estava chegando.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota continuava inacabado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O condom\u00ednio era um labirinto organizado de casas. Voc\u00ea entrava e se encontrava, apesar da aparente desorganiza\u00e7\u00e3o. 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