{"id":1015,"date":"2026-02-20T00:15:00","date_gmt":"2026-02-20T03:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/?post_type=capitulo&#038;p=1015"},"modified":"2026-03-04T23:03:04","modified_gmt":"2026-03-05T02:03:04","slug":"pontos-no-celular","status":"publish","type":"capitulo","link":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/livro\/dias-apos-um-fim\/capitulo\/pontos-no-celular\/","title":{"rendered":"Pontos no Celular"},"content":{"rendered":"\n<p>A \u00e1gua da Pedreira do Orleans \u00e9 azul petr\u00f3leo. Linda. Mesmo no meio da semana, com Curitiba derretendo no calor infernal, o lugar t\u00e1 quase vazio. Jota e um amigo, que j\u00e1 cansou de nadar e t\u00e1 sentado nas pedras pescando.<\/p>\n\n\n\n<p>Final de semana e feriado a pedreira enche. Hoje n\u00e3o. Hoje \u00e9 quase s\u00f3 eles dois e sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota mergulha, sobe, respira fundo, mergulha de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Gosta assim. Longe de todo mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Boia de costas. Olha o c\u00e9u. Nuvens brancas cortando o azul.<\/p>\n\n\n\n<p>Vira de bru\u00e7os. Vai mergulhar de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>E v\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Algo embaixo. Dois metros da superf\u00edcie, talvez menos. Brilhando. Leve. Como se a luz ao redor fosse mais clara s\u00f3 naquele ponto.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota franze a testa.<\/p>\n\n\n\n<p>Lixo? Garrafa refletindo sol?<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o se mexe. Fica ali. Suspenso. Parado demais pra ser lixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele enche os pulm\u00f5es. Mergulha.<\/p>\n\n\n\n<p>Desce. A \u00e1gua fica mais fria. Mais escura. Mas o brilho continua vis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Estende a m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Toca.<\/p>\n\n\n\n<p>E o neg\u00f3cio desaparece.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o afunda. N\u00e3o flutua. Simplesmente some.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se nunca tivesse estado ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota congela embaixo d&#8217;\u00e1gua. Olha a pr\u00f3pria m\u00e3o. Olha ao redor.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobe. Quebra a superf\u00edcie. Respira fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>E ent\u00e3o sente.<\/p>\n\n\n\n<p>Calor. Subindo do est\u00f4mago pro peito. N\u00e3o \u00e9 calor de fora. \u00c9 de dentro. Como se algo tivesse entrado e estivesse se espalhando pelas veias.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota tosse. Segura o peito. Cora\u00e7\u00e3o acelerado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada at\u00e9 a beirada. R\u00e1pido. Irregular.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobe nas pedras. Senta. Respira.<\/p>\n\n\n\n<p>O calor continua. N\u00e3o d\u00f3i. Mas queima. Diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele olha as pr\u00f3prias m\u00e3os. Tremendo levemente.<\/p>\n\n\n\n<p>Barulho de \u00e1gua. Algu\u00e9m nadando. R\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota vira a cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Um cara se aproxima. Cabelo curto molhado, \u00f3culos de nata\u00e7\u00e3o pendurados no pesco\u00e7o. Roupa de mergulho.<\/p>\n\n\n\n<p>Para na beirada. Olha pra Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Foi voc\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pisca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>O cara estuda ele. Sil\u00eancio. Tr\u00eas segundos. Cinco.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o sorri. Mas n\u00e3o \u00e9 sorriso amig\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Nada. Esquece.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobe nas pedras. Pega uma mochila que tava escondida atr\u00e1s de uma \u00e1rvore. Tira o celular. Mexe. Guarda.<\/p>\n\n\n\n<p>Procura algo dentro da mochila. Tira um cart\u00e3o. Estende pra Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Se quiser um trabalho diferente, manda uma mensagem nesse n\u00famero.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pega o cart\u00e3o. Papel grosso. Branco. S\u00f3 um n\u00famero de celular impresso. Nada mais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Que tipo de trabalho?<\/p>\n\n\n\n<p>O cara sorri. Pega a mochila, joga nas costas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea vai descobrir.<\/p>\n\n\n\n<p>Vira as costas. Come\u00e7a a subir a trilha.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fica ali sentado. \u00c1gua escorrendo. M\u00e3os tremendo. Cart\u00e3o na m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ei! \u2014 grita. \u2014 Qual teu nome?<\/p>\n\n\n\n<p>O cara para. Olha pra tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Rand.<\/p>\n\n\n\n<p>E desaparece entre as \u00e1rvores.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fica sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pro cart\u00e3o. Pro lago azul petr\u00f3leo. Pro ponto onde viu o brilho.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada ali agora.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>E um calor queimando por dentro que n\u00e3o passa.<\/p>\n\n\n\n<p>Guarda o cart\u00e3o no bolso do shorts.<\/p>\n\n\n\n<p>Levanta. Volta pro amigo que t\u00e1 pescando, concentrado, nem percebeu nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o diz nada sobre o que viu.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem tem certeza do que viu.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>QUATRO MESES DEPOIS<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>O Uber para na frente do port\u00e3o branco. Angra dos Reis. Mans\u00e3o enorme, tr\u00eas andares, vista pro mar, jardim com palmeiras imperiais. Jota desce, mochila laranja no ombro, agradece o motorista.<\/p>\n\n\n\n<p>O port\u00e3o abre sozinho. Ele entra.<\/p>\n\n\n\n<p>A casa da Donaro \u00e9 exatamente como ele imaginava: luxo discreto, bom gosto em cada detalhe, cheiro de vela perfumada cara. Piso de m\u00e1rmore branco, escada com corrim\u00e3o de vidro, quadros abstratos nas paredes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela aparece no topo da escada.<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro Siqueira. A Donaro. Rainha das manh\u00e3s. Apresentadora. 49 anos parecendo 25, cabelo castanho-escuro liso na altura dos ombros, pele clara. Roupa casual mas impec\u00e1vel: cal\u00e7a branca, blusa azul clara, descal\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O sorriso \u00e9 o mesmo que j\u00e1 encantou milh\u00f5es de crian\u00e7as. Mas o olhar n\u00e3o. Nos olhos tem algo que nunca apareceu na TV.<\/p>\n\n\n\n<p>Controle absoluto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Querido! \u2014 Ela desce a escada, bra\u00e7os abertos, quadril balan\u00e7ando como em um vestido soltinho na praia. \u2014 Que bom te ver!<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sobe. Eles se abra\u00e7am. Ela cheira a perfume franc\u00eas e poder.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E a\u00ed, Donaro. Vim buscar o briefing.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Vem, vem. Preparei tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles entram numa sala enorme. Sof\u00e1 branco em L, mesa de centro de vidro, TV de 80 polegadas na parede. Mas o que importa est\u00e1 na mesa: um celular.<\/p>\n\n\n\n<p>Tela acesa. App aberto.<\/p>\n\n\n\n<p>PONTOS DO MUNDO<\/p>\n\n\n\n<p>Jota senta. Pega o celular. A interface \u00e9 limpa, elegante. No topo, seu nome:<\/p>\n\n\n\n<p>JOTA &#8211; 2.450 PONTOS<\/p>\n\n\n\n<p>Embaixo, uma lista de pa\u00edses com checks verdes:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2713 Noruega &#8211; Bergen (150 pts)<br>\u2713 Inglaterra &#8211; Londres (200 pts)<br>\u2713 Inglaterra &#8211; Liverpool (180 pts)<br>\u2713 Portugal &#8211; Lisboa (120 pts)<br>\u2713 Espanha &#8211; Barcelona (200 pts)<br>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>E mais dez outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro senta ao lado dele, pernas cruzadas, copo de \u00e1gua com g\u00e1s na m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Dois mil e quatrocentos e cinquenta pontos acumulados \u2014 ela diz, voz doce mas com autoridade, firme como quem merece respeito. \u2014 Bergen, Londres, Liverpool&#8230; voc\u00ea realmente foi em tudo, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Fui, gostei, voltei mais forte.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela sorri, aquele sorriso raro que desmonta defesas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 \u00c9 isso mesmo, querido. Cada viagem te deixa mais forte. Voc\u00ea sente, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota assente. Sente. Desde que o jogo come\u00e7ou \u2014 quatro meses atr\u00e1s, quando tocou aquela coisa estranha na Pedreira do Orleans, quando Rand apareceu do nada e deu o cart\u00e3o, quando ele mandou mensagem pro n\u00famero dias depois e uma voz feminina respondeu explicando as regras, quando ele aceitou porque n\u00e3o tinha nada a perder \u2014 ele sente o corpo mudar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ombros mais largos. Reflexos mais r\u00e1pidos. For\u00e7a bruta que n\u00e3o tinha antes. Como se cada item encontrado deixasse algo nele. Algo roubado. Algo absorvido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Como funciona mesmo? \u2014 Jota pergunta, mesmo j\u00e1 sabendo. \u2014 Eu encontro o item e&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E absorve o poder que ele carrega \u2014 Donaro completa, como quem descreve saque banc\u00e1rio. \u2014 Cada item tem uma ess\u00eancia. For\u00e7a, velocidade, resist\u00eancia. Voc\u00ea toca, absorve, ganha. \u2014 Pausa. \u2014 N\u00f3s chamamos de transfer\u00eancia de ativos. \u2014 Ela inclina a cabe\u00e7a. \u2014 Mas por que voc\u00ea sempre pergunta a mesma coisa, Jota?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Pra ter certeza. \u2014 Jota segura o olhar dela. \u2014 Ver se as regras mudaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro estuda ele por um segundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea esconde algo de mim, querido?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Escondo? \u2014 Jota sorri. \u2014 Meu placar t\u00e1 a\u00ed. Transparente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela sorri de volta. Mas nos olhos tem d\u00favida.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pra ela. Donaro Siqueira explicando ca\u00e7a a artefatos m\u00edsticos como se fosse opera\u00e7\u00e3o financeira, com aquele olhar que atravessa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ri baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Isso \u00e9 loucura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 \u00c9 um jogo, amor. E voc\u00ea t\u00e1 ganhando.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela aponta a tela. Uma notifica\u00e7\u00e3o pisca no canto:<\/p>\n\n\n\n<p>NOVO ITEM DETECTADO EM 6 HORAS<br>PRAGA, REP\u00daBLICA TCHECA<br>\u00c1REA: CENTRO HIST\u00d3RICO &#8211; 800M\u00b2<br>VALOR: 200 PONTOS<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Praga \u2014 Donaro inclina a cabe\u00e7a. \u2014 Cidade linda. Mas tem um jogador forte l\u00e1. Ele tem quase dois mil pontos. Vai tentar chegar primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Tentar \u2014 Jota repete, confiante.<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro ri. Toca o ombro dele, o toque gentil de um jeito perigoso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Adoro essa energia. Mas lembra: \u00e9 corrida. Quem chega primeiro, pega. E quando algu\u00e9m absorve, todos recebem notifica\u00e7\u00e3o. Todo mundo sabe quem ganhou.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sabe. J\u00e1 competiu com outros jogadores. Bergen foi disputa acirrada. Londres tamb\u00e9m. Sempre chegou primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eu sei me defender.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Sei que sabe. \u2014 Donaro pega o celular dela da bolsa. N\u00e3o \u00e9 celular comum. Tela maior. Interface diferente. \u2014 Olha s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela vira a tela pra ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota v\u00ea: painel de controle.<\/p>\n\n\n\n<p>Mapa-m\u00fandi em tempo real. Pontos vermelhos espalhados pelo Brasil \u2014 cada um com nome, placar, localiza\u00e7\u00e3o exata.<\/p>\n\n\n\n<p>JOTA &#8211; ANGRA DOS REIS &#8211; 2.450 PTS<br>ANA &#8211; RIO DE JANEIRO &#8211; 2.100 PTS<br>MARCOS &#8211; S\u00c3O PAULO &#8211; 1.890 PTS<br>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>E mais uns vinte.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea gerencia todo mundo? \u2014 Jota pergunta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 S\u00f3 os brasileiros. \u2014 Donaro desliza o dedo, mostra outro mapa. Mundo inteiro. Centenas de pontos. \u2014 Cada pa\u00eds tem um game master. Eu sou a do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha os n\u00fameros. China tem 87 jogadores ativos. Alemanha, 38. Brasil, 23.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E quem gerencia voc\u00eas?<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro sorri. Tranca a tela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Perguntas demais. Foca no teu jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela guarda o celular. Volta pro celular dele. Mostra o hist\u00f3rico:<\/p>\n\n\n\n<p>ITENS ENCONTRADOS: 15<br>PONTOS ACUMULADOS: 2.450<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sorri. Cada item vale pontos. Cada corrida vencida adiciona ao placar.<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro devolve o celular.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Descansa aqui. Come alguma coisa. Daqui seis horas o item libera em Praga. Eu j\u00e1 reservei o voo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota guarda o celular na mochila laranja. Tira o caderno de capa dura marrom. Abre numa p\u00e1gina cheia de anota\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>Bergen &#8211; 150 pts &#8211; for\u00e7a bruta<br>Londres &#8211; 200 pts &#8211; velocidade<br>Liverpool &#8211; 180 pts &#8211; resist\u00eancia ao cansa\u00e7o<\/p>\n\n\n\n<p>Ele anota:<\/p>\n\n\n\n<p>Pr\u00f3ximo: Praga &#8211; 200 pts &#8211; rival forte &#8211; cuidado<\/p>\n\n\n\n<p>Fecha o caderno. Guarda. Tira o isqueiro amarelo do bolso. Acende a vela perfumada na mesa de centro. A chama dan\u00e7a, reflete no vidro.<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro observa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea leva isso a s\u00e9rio, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Se n\u00e3o levar, perco tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Inteligente. \u2014 Ela levanta. \u2014 Vou preparar um lanche. Fica \u00e0 vontade.<\/p>\n\n\n\n<p>Sai da sala. Jota fica sozinho. Olha pela janela de vidro. Mar azul l\u00e1 embaixo. Iates brancos. C\u00e9u limpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quatro meses atr\u00e1s ele era s\u00f3 Jota. Agora \u00e9 jogador. Ca\u00e7ador de itens. E carrega um segredo que nem a game master sabe.<\/p>\n\n\n\n<p>E t\u00e1 ganhando.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>FLASHBACK &#8211; BERGEN, NORUEGA &#8211; DUAS SEMANAS ATR\u00c1S<\/p>\n\n\n\n<p>O avi\u00e3o pousa no aeroporto de Bergen \u00e0s sete da manh\u00e3. C\u00e9u cinzento, chuva fina cortando a pele, frio que enterra nos ossos. Jota desce com a mochila laranja nas costas, casaco pesado preto por cima da camiseta regata vinho.<\/p>\n\n\n\n<p>O celular vibra no bolso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tira. Notifica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>ITEM DETECTADO EM BERGEN<br>LOCALIZA\u00c7\u00c3O: BRYGGEN &#8211; CAIS HIST\u00d3RICO<br>\u00c1REA: 500M\u00b2<br>TEMPO ESTIMADO AT\u00c9 PR\u00d3XIMO JOGADOR: 38 MIN<\/p>\n\n\n\n<p>Embaixo, mapa com c\u00edrculo vermelho marcando \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pega t\u00e1xi. Vinte minutos depois, est\u00e1 no cais.<\/p>\n\n\n\n<p>Casas de madeira colorida se espelham na \u00e1gua cinza. Vermelho, amarelo, laranja \u2014 cores vivas apodrecendo devagar. Turistas tiram foto mesmo com a chuva encharcando tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele abre o app. O c\u00edrculo vermelho pulsa na tela. Est\u00e1 dentro da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora \u00e9 procurar.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota caminha devagar. Olhos atentos. O app n\u00e3o mostra localiza\u00e7\u00e3o exata. S\u00f3 \u00e1rea. Tem que encontrar o item f\u00edsico antes dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Passa por loja de souvenirs. Nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Passa por restaurante. Nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Para na frente das casas hist\u00f3ricas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sente algo.<\/p>\n\n\n\n<p>Calor no peito. Formigamento nas m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>O app vibra: PR\u00d3XIMO<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha ao redor. Uma mulher velha t\u00e1 sentada num banco. Cinco metros de dist\u00e2ncia. Alimentando pombos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se aproxima das casas. O formigamento aumenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha nas janelas. Nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha nas paredes de madeira.<\/p>\n\n\n\n<p>E v\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre duas t\u00e1buas, encaixado. Pequeno. Quase invis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Um fragmento de pedra. Cinza-escuro. Com um leve brilho. S\u00edmbolos gravados.<\/p>\n\n\n\n<p>Igual o da Pedreira. Diferente, mas igual.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha ao redor. Ningu\u00e9m viu.<\/p>\n\n\n\n<p>Estende a m\u00e3o. Toca.<\/p>\n\n\n\n<p>A pedra some.<\/p>\n\n\n\n<p>E ent\u00e3o acontece.<\/p>\n\n\n\n<p>Choque el\u00e9trico subindo pela coluna. Os m\u00fasculos das costas, dos ombros, dos bra\u00e7os se contraem todos de uma vez. Jota arqueia, prende a respira\u00e7\u00e3o, sente algo entrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Poder.<\/p>\n\n\n\n<p>For\u00e7a bruta.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se tivesse acabado de roubar dez anos de academia de algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>E junto com isso&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Algo saindo de algu\u00e9m pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota vira a cabe\u00e7a. V\u00ea a velha no banco.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela trope\u00e7a. Levanta. Olha as pr\u00f3prias m\u00e3os. Confusa. Como se tivessem sumido por um segundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Balan\u00e7a a cabe\u00e7a. Senta de novo. Mais devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sente tontura passar. Fraqueza moment\u00e2nea. N\u00e3o dele. Dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele absorveu do item.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m drenou dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Dura cinco segundos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois passa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota respira fundo. Olha as pr\u00f3prias m\u00e3os. Fecha os punhos. Sente a diferen\u00e7a. Mais forte. Muito mais forte.<\/p>\n\n\n\n<p>O celular vibra:<\/p>\n\n\n\n<p>ITEM ABSORVIDO!<br>+150 PONTOS<br>PODER: FOR\u00c7A BRUTA +20%<br>TOTAL: 1.200 PONTOS<\/p>\n\n\n\n<p>E simultaneamente, outra notifica\u00e7\u00e3o. Essa diferente:<\/p>\n\n\n\n<p>ALERTA GLOBAL<br>JOTA (BRASIL) ABSORVEU ITEM EM BERGEN<br>+150 PONTOS<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os jogadores do mundo acabaram de receber isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos sabem que ele ganhou.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota guarda o celular.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pra velha. Ela ainda t\u00e1 no banco. Confusa. Mais fraca.<\/p>\n\n\n\n<p>Fui eu.<\/p>\n\n\n\n<p>O pensamento vem r\u00e1pido, corta.<\/p>\n\n\n\n<p>Tirei isso dela.<\/p>\n\n\n\n<p>O app registrou +150 pontos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Jota sente que levou mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Algo al\u00e9m do que o sistema contabilizou. Algo que entrou direto, sem passar pelo app. For\u00e7a que n\u00e3o aparece na tela mas queima nas veias.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele olha pro celular. Depois pras pr\u00f3prias m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vai contar pra Donaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele guarda as m\u00e3os nos bolsos. Vira as costas. Come\u00e7a a andar.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o olha pra tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas quarteir\u00f5es depois, Jota para num caf\u00e9. Pede chocolate quente. O cl\u00e1ssico noruegu\u00eas. Cheiro forte, vapor subindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Toma o primeiro gole.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sente nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Estranha. Toma mais um gole. O l\u00edquido desce quente, mas sem sabor. Como se as papilas gustativas tivessem adormecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pra x\u00edcara. Pro celular. 1.200 pontos brilhando na tela.<\/p>\n\n\n\n<p>Empurra a x\u00edcara. Deixa metade.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro o sabor some.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pras m\u00e3os. Pro celular. 1.200 pontos brilhando.<\/p>\n\n\n\n<p>O que mais vai embora?<\/p>\n\n\n\n<p>Dois quarteir\u00f5es depois, Rand Oliveira t\u00e1 encostado num poste. Macac\u00e3o azul. Fumando cigarro. Olhando pro nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota para. Pisca. Olha de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Continua sendo Rand.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo cara da Pedreira do Orleans.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Rand? \u2014 Ele se aproxima. \u2014 Que porra tu t\u00e1 fazendo na Noruega?<\/p>\n\n\n\n<p>Rand tira o cigarro da boca. Solta fuma\u00e7a devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Passando. Estou em outro jogo, outras regras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Outro jogo? \u2014 Jota franze a testa. \u2014 Na Noruega?<\/p>\n\n\n\n<p>Rand d\u00e1 de ombros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Cuidado com o que voc\u00ea pega, Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Como assim?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Nem tudo que brilha \u00e9 ouro. E nem todo poder vem de gra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Joga o cigarro no ch\u00e3o. Pisa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 At\u00e9 mais, Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>Vira a esquina. Desaparece.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fica ali parado. Olha pra esquina vazia. Volta. Rand sumiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ri. Balan\u00e7a a cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Claro. Claro que o Rand t\u00e1 na Noruega.<\/p>\n\n\n\n<p>Guarda as m\u00e3os nos bolsos. Continua andando. A chuva cai mais forte. Mas ele n\u00e3o sente frio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os 150 pontos queimam no peito como fogo vivo.<\/p>\n\n\n\n<p>A velha ainda t\u00e1 na cabe\u00e7a dele.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e3os vazias. Confusa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota aperta o passo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>DE VOLTA A ANGRA &#8211; SEIS HORAS DEPOIS<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro bate na porta da sala.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Querido, teu voo \u00e9 em uma hora. Uber j\u00e1 t\u00e1 vindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota levanta do sof\u00e1. Pega a mochila laranja. Confere:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2713 Caderno de anota\u00e7\u00f5es<br>\u2713 Isqueiro amarelo<br>\u2713 Camiseta regata vinho extra<br>\u2713 Carregador<br>\u2713 Passaporte<\/p>\n\n\n\n<p>E olha pros p\u00e9s: t\u00eanis surrado. Buraco no ded\u00e3o esquerdo. Cadar\u00e7o direito meio solto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele sabe. O t\u00eanis j\u00e1 salvou a vida dele v\u00e1rias vezes. Sempre no momento certo. Sempre quando o cadar\u00e7o solta.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vai trocar.<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro aparece na porta, bolsa de grife na m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Toma. \u2014 Ela estende um envelope grosso. \u2014 Mil d\u00f3lares. Pra gastos em Praga.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o precisa&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Pega. Voc\u00ea trabalha pra mim agora. Eu cuido dos meus jogadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pega. Guarda na mochila.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Valeu, Donaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela sorri. Abra\u00e7a ele.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Boa sorte, Jota. E cuidado. O rival em Praga \u00e9 r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eu tamb\u00e9m sou.<\/p>\n\n\n\n<p>Saem juntos. O Uber preto espera no port\u00e3o. Jota entra. Acena pela janela. Donaro acena de volta, sorriso calculado, mas nos olhos tem algo mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Poder. Controle. Jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>O carro sai.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha o celular.<\/p>\n\n\n\n<p>PR\u00d3XIMO ITEM: PRAGA<br>VOO: 22H35 &#8211; GIG \u2192 PRG<br>VALOR: 200 PONTOS<br>AVISO: RIVAL DETECTADO NA \u00c1REA<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tranca a tela. Guarda.<\/p>\n\n\n\n<p>Encosta a cabe\u00e7a no vidro. Olha a estrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Quatro meses atr\u00e1s, vida normal. Agora, viajante internacional ca\u00e7ando itens m\u00edsticos pra ganhar pontos num jogo comandado pela Donaro Siqueira.<\/p>\n\n\n\n<p>E faz todo sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>A velha de Bergen volta na cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e3os vazias. Confusa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fecha os olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pensa mais nisso.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>AEROPORTO DO GALE\u00c3O &#8211; RETORNO DE PRAGA &#8211; TR\u00caS DIAS DEPOIS<\/p>\n\n\n\n<p>Jota desembarca cansado. Voo de doze horas. Praga foi sucesso: item encontrado no Rel\u00f3gio Astron\u00f4mico (engrenagem antiga com brilho fraco, escondida na base), 200 pontos ganhos, rival chegou tr\u00eas minutos atrasado, agilidade mental absorvida (+15%).<\/p>\n\n\n\n<p>Placar atual: 2.850 pontos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele atravessa o sagu\u00e3o do aeroporto, mochila laranja nas costas, camiseta regata vinho suada, t\u00eanis surrado arrastando no ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E ent\u00e3o v\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas caras esperando perto da sa\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00e3o jogadores principais. S\u00e3o capangas.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota reconhece um deles: o alto. Tatuagem tribal no pesco\u00e7o. Mancando \u2014 joelho que Jota quebrou semana passada quando tentaram impedir ele de embarcar pra Liverpool.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas se aproximam. Formam semic\u00edrculo. Bloqueiam a sa\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>O alto fala:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E a\u00ed, Jota. Nosso patr\u00e3o manda um recado: fica no Brasil uns dias. Deixa o proximo destino quieto.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota para.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quem \u00e9 seu patr\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o interessa. Interessa que voc\u00ea n\u00e3o vai pegar o pr\u00f3ximo item.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo cara, baixo, careca, sorri:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Nada pessoal, cara. S\u00f3 trampo.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro avan\u00e7a. Forte, barba ruiva, m\u00e3os grandes. Olhos cansados, mas determinados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Olha, eu tenho filha doente. Preciso desse trampo. Me desculpa, mas vai ter que apanhar.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota para. Olha nos olhos do de barba ruiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Desespero real. N\u00e3o \u00e9 blefe.<\/p>\n\n\n\n<p>Capanga. Mas com motivo real.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Lamento pela tua filha. Mas eu vou continuar com meus pontos.<\/p>\n\n\n\n<p>O ruivo fecha os punhos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ent\u00e3o a gente vai ter que te parar.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota solta a mochila no ch\u00e3o. Devagar. Respira fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O corpo responde.<\/p>\n\n\n\n<p>For\u00e7a bruta de Bergen. Velocidade de Londres. Resist\u00eancia de Liverpool. Agilidade mental de Praga.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo ativado ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>O de barba ruiva avan\u00e7a primeiro. Soco direto no rosto.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota desvia. Contra-ataque no f\u00edgado. O ruivo dobra, geme, cai de joelhos.<\/p>\n\n\n\n<p>E Jota sente.<\/p>\n\n\n\n<p>Algo saindo dele. Entrando em Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>Drenagem. Involunt\u00e1ria. Autom\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Recupera\u00e7\u00e3o. Resist\u00eancia f\u00edsica. Algo.<\/p>\n\n\n\n<p>O ruivo fica mais p\u00e1lido. Tonto. Fraco.<\/p>\n\n\n\n<p>O careca vem pela esquerda. Chute alto.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota bloqueia com antebra\u00e7o \u2014 resist\u00eancia de Liverpool absorve o impacto \u2014 segura a perna, torce. O careca grita. Jota empurra, ele cai de costas.<\/p>\n\n\n\n<p>O alto fica sozinho. Mancando. Recua.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Porra, Jota&#8230; tu t\u00e1 diferente&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 T\u00f4 mais forte. \u2014 Jota d\u00e1 um passo \u00e0 frente. \u2014 Vai embora.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ent\u00e3o o ruivo levanta. Corre at\u00e9 uma coluna. Arranca o extintor da parede.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 MINHA FILHA PRECISA! \u2014 Ele grita, voltando.<\/p>\n\n\n\n<p>Swing horizontal. R\u00e1pido. Forte. Direto na cabe\u00e7a de Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>E nesse exato momento&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O cadar\u00e7o direito do t\u00eanis de Jota se solta.<\/p>\n\n\n\n<p>Sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pra baixo. V\u00ea o cadar\u00e7o arrastando. Fica alerta e sente que tem que se agachar, tipo um sensor aranha. Jota se agacha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O extintor passa raspando por cima da cabe\u00e7a dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Corta o ar com assobio met\u00e1lico.<\/p>\n\n\n\n<p>Erra por cinco cent\u00edmetros.<\/p>\n\n\n\n<p>Se Jota n\u00e3o tivesse abaixado, o extintor acertava. Matava.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele amarra&nbsp; r\u00e1pido o cadar\u00e7o. Levanta.<\/p>\n\n\n\n<p>O ruivo t\u00e1 desequilibrado, foi intensa a tentativa, prendeu em algo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o pensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Soca o est\u00f4mago dele. For\u00e7a de Bergen. O ruivo voa pra tr\u00e1s, bate na parede, desliza.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas antes de cair, o extintor solta da m\u00e3o, gira no ar, acerta Jota no ombro esquerdo. A ponta do bico perfura.<\/p>\n\n\n\n<p>Dor.<\/p>\n\n\n\n<p>Aguda. Real.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota grunhe. Segura o ombro. Sangue escorre entre os dedos. N\u00e3o \u00e9 profundo, mas d\u00f3i pra caralho.<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas capangas no ch\u00e3o. Gemendo. Derrotados.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pro de barba ruiva. O homem segura o est\u00f4mago, respira\u00e7\u00e3o irregular, olhos molhados. L\u00e1grimas descendo. Mais p\u00e1lido que antes. Mais fraco.<\/p>\n\n\n\n<p>Filha doente.<\/p>\n\n\n\n<p>E Jota drenou dele. Sem querer. Mas drenou.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota abre a boca. D\u00e1 um passo pra tr\u00e1s. Quase volta. Quase diz &#8220;desculpa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3o j\u00e1 vai pro bolso pegar o celular pra&#8230; pra qu\u00ea? Transferir pontos? Dar dinheiro?<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ent\u00e3o percebe.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tem como devolver o que ele tirou.<\/p>\n\n\n\n<p>O que foi, foi.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fecha a m\u00e3o vazia.<\/p>\n\n\n\n<p>Vira as costas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pega a mochila com a m\u00e3o boa. Olha pros tr\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Pr\u00f3xima vez, escolham outro patr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sai com o ombro sangrando.<\/p>\n\n\n\n<p>O celular vibra no bolso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tira.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma notifica\u00e7\u00e3o de pontos, somente uma notifica\u00e7\u00e3o normal.<\/p>\n\n\n\n<p>Capangas n\u00e3o d\u00e3o pontos oficiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Jota sente.<\/p>\n\n\n\n<p>Absorveu recupera\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada do ruivo. Algo que n\u00e3o aparece no app mas queima nas veias.<\/p>\n\n\n\n<p>Guarda o celular sem contar pra ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota para na sa\u00edda do aeroporto. Olha pra tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas caras no ch\u00e3o. Derrotados.<\/p>\n\n\n\n<p>Deveria sentir algo. Culpa. Pena. Medo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sente nada.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 vazio.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sorri. Olha pro t\u00eanis surrado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Valeu, parceiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Sai do aeroporto. Sol batendo forte. Rio de Janeiro quent\u00edssimo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ombro j\u00e1 parando de doer, mas sangrou e agora parece que quase n\u00e3o teve problemas. Cadar\u00e7o amarrado. Colocar um moletom para cobrir o sangue.<\/p>\n\n\n\n<p>Pega Uber. Primeiro vai passa numa farm\u00e1cia, fingir demorar um pouco, pedir outro Uber e voltar pra Angra.<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro vai querer saber de tudo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>CASA DA DONARO &#8211; DUAS HORAS DEPOIS<\/p>\n\n\n\n<p>Ela abre a porta antes dele bater.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 QUERIDO! \u2014 olha direto para o machucado. Ela sabia? Ela v\u00ea o ombro e alguns vest\u00edgios de sangue. \u2014 O que aconteceu?!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Tive uns problemas no aeroporto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Vi. \u2014 Ela puxa ele pra dentro com cuidado. \u2014 Tr\u00eas capangas. Mas&#8230; voc\u00ea t\u00e1 machucado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Extintor, me pegou no ombro.<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro franze a testa. S\u00e9ria pela primeira vez.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea precisa ser mais cuidadoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentam na mesma sala. Mesma mesa de vidro. Donaro pega kit de primeiros socorros, mas Jota diz que j\u00e1 limpou e est\u00e1 tudo bem, n\u00e3o queria mostrar para ela que j\u00e1 tinha cicatrizado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Dois mil e oitocentos e cinquenta pontos \u2014 ela diz enquanto trabalha. \u2014 Seu placar subiu bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Pega o celular dela. O painel de controle. Mostra:<\/p>\n\n\n\n<p>RANKING GLOBAL: #3<\/p>\n\n\n\n<p>Jota arregalha os olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Terceiro lugar?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 No mundo, Jota. S\u00f3 tem dois jogadores na frente de voc\u00ea. Um na China, outro na Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela mostra:<\/p>\n\n\n\n<p>#1 &#8211; CHEN &#8211; CHINA &#8211; 4.200 PONTOS<br>#2 &#8211; KLAUS &#8211; ALEMANHA &#8211; 3.800 PONTOS<br>#3 &#8211; JOTA &#8211; BRASIL &#8211; 2.850 PONTOS<\/p>\n\n\n\n<p>Jota solta o ar devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Caralho.<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro&nbsp; guarda o kit. Franze a testa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea t\u00e1 subindo r\u00e1pido demais, Jota. Mais que o normal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Treinei bem e estou usando esses poderes \u2014 Jota responde, calmo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ser\u00e1? \u2014 Ela estuda ele. \u2014 Ou tem algo que voc\u00ea n\u00e3o me contou?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o desvia o olhar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 T\u00e1 tudo no meu placar. Transparente.<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela sorri. Mas o sorriso n\u00e3o chega nos olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea entendeu o jogo. Melhor que qualquer um. Continua assim e em dois meses voc\u00ea \u00e9 n\u00famero um.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E a\u00ed?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A\u00ed voc\u00ea descobre o que vem depois.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Que pr\u00eamio \u00e9 esse?<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro sorri. Misteriosa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O pr\u00eamio n\u00e3o \u00e9 o que voc\u00ea acha que \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela levanta. Pega uma garrafa de champanhe na geladeira de vinho embutida. Abre. Serve duas ta\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Estende uma pra Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ao primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pega. Brinda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ao primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Bebem.<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro senta de novo. Cruza as pernas. Sorri. Mas n\u00e3o \u00e9 o sorriso da TV. \u00c9 outro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Pr\u00f3ximo item libera amanh\u00e3 de manh\u00e3. T\u00f3quio. Trezentos pontos.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota toca o ombro enfaixado. D\u00f3i.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Vou estar pronto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Descansa. Se cuida. \u2014 Ela toca a m\u00e3o dele. \u2014 Machucado n\u00e3o ganha corrida.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota termina a champanhe. Pega a mochila laranja. Tira o caderno. Abre. Escreve:<\/p>\n\n\n\n<p>Praga &#8211; 200 pts &#8211; item no Rel\u00f3gio Astron\u00f4mico &#8211; rival atrasado &#8211; agilidade mental +15%<br>Aeroporto GIG &#8211; tr\u00eas capangas &#8211; levei extintor no ombro &#8211; drenei o ruivo sem querer<br>Ranking: #3 mundial<br>Pr\u00f3ximo: T\u00f3quio &#8211; 300 pts<\/p>\n\n\n\n<p>Embaixo, acrescenta:<\/p>\n\n\n\n<p>Velha em Bergen. M\u00e3os vazias. Confusa.<br>Ruivo no Gale\u00e3o. Filha doente. Drenei dele tamb\u00e9m.<br>Chocolate sem gosto.<br>Quanto custa cada ponto?<\/p>\n\n\n\n<p>Fecha. Guarda.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pra Donaro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quando eu voltar de T\u00f3quio, ningu\u00e9m me alcan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela sorri. Mas n\u00e3o responde.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sai da mans\u00e3o. Uber esperando. Sol se pondo no mar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele entra no carro. Olha o celular.<\/p>\n\n\n\n<p>2.850 PONTOS<br>PR\u00d3XIMO: T\u00d3QUIO<\/p>\n\n\n\n<p>O cadar\u00e7o direito do t\u00eanis est\u00e1 solto de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele sentiu o momento que desamarrou mas deixou acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Amarra novamente, vai precisar.<\/p>\n\n\n\n<p>Toca o ombro, ruivo no aeroporto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lembra da velha de Bergen.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota encosta a cabe\u00e7a no vidro.<\/p>\n\n\n\n<p>Fecha os olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>E mesmo assim, n\u00e3o consegue parar de jogar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00e1gua da Pedreira do Orleans \u00e9 azul petr\u00f3leo. Linda. Mesmo no meio da semana, com Curitiba derretendo no calor infernal, o lugar t\u00e1 quase vazio. Jota e um amigo, que j\u00e1 cansou de nadar e t\u00e1 sentado nas pedras pescando. Final de semana e feriado a pedreira enche. Hoje n\u00e3o. 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