{"id":1016,"date":"2026-02-21T00:15:00","date_gmt":"2026-02-21T03:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/?post_type=capitulo&#038;p=1016"},"modified":"2026-03-04T22:08:47","modified_gmt":"2026-03-05T01:08:47","slug":"fusca-azul-sumido","status":"publish","type":"capitulo","link":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/livro\/dias-apos-um-fim\/capitulo\/fusca-azul-sumido\/","title":{"rendered":"Fusca Azul Sumido"},"content":{"rendered":"\n<p>Jota dirige pelas ruas estreitas do Centro, m\u00e3o no volante grande e redondo, r\u00e1dio chiando uma m\u00fasica antiga que ele n\u00e3o consegue identificar. O banco de tecido gasto range embaixo dele a cada curva. Janela entreaberta deixando o vento frio de Curitiba bater no rosto. O dia est\u00e1 claro, c\u00e9u sem nuvem, aquele azul lavado de fim de tarde que parece mais distante do que deveria. Ele segura o volante com as duas m\u00e3os, olhos na rua, procurando vaga.<\/p>\n\n\n\n<p>Um fusca azul claro passa na contram\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O reflexo \u00e9 autom\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Fusca azul!<\/p>\n\n\n\n<p>A voz sai sozinha, metade grito, metade risada. Ele levanta o punho direito no ar, como se fosse socar algu\u00e9m no banco do carona. Mas o banco est\u00e1 vazio. Como sempre. O sorriso aparece mesmo assim, nost\u00e1lgico, aquecido por dentro.<\/p>\n\n\n\n<p>Quantas vezes ele gritou isso quando crian\u00e7a? Quantos socos divertidos deu no ombro do irm\u00e3o, da prima, dos amigos da escola? &#8220;Fusca azul!&#8221; era trof\u00e9u instant\u00e2neo, ca\u00e7a ao tesouro urbana, olho treinado pra lataria redonda azulada. Em Curitiba, todo mundo jogava. Todo mundo sabia.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota balan\u00e7a a cabe\u00e7a, ancora de volta no presente. Estaciona numa vaga perto do ponto de \u00f4nibus, tr\u00eas quarteir\u00f5es da Pra\u00e7a Os\u00f3rio, desliga o motor. O fusca fica parado ali, encaixado no meio-fio como se observasse tudo por conta pr\u00f3pria. Ele fica esperando. Larissa disse que sa\u00eda \u00e0s seis. S\u00e3o cinco e cinquenta e oito.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele observa o movimento. Gente descendo de vans, atravessando a faixa, celulares na m\u00e3o, mochilas nas costas. Procura o rosto dela entre os rostos. Cabelo castanho com franjinha reta, corpo alongado, tatuagens no bra\u00e7o. Nada ainda.<\/p>\n\n\n\n<p>O r\u00e1dio continua chiando baixo. Jota olha o rel\u00f3gio no painel. Cinco e cinquenta e nove. Tambor dos dedos no volante. Respira fundo. Ela vai aparecer. S\u00f3 mais um minuto.<\/p>\n\n\n\n<p>Um policial surge do lado da janela.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota leva um susto, vira r\u00e1pido. O homem \u00e9 alto, uniforme impec\u00e1vel, quepe baixo cobrindo metade do rosto. N\u00e3o parece velho, n\u00e3o parece novo. S\u00f3 parece policial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Boa tarde. Documentos do ve\u00edculo, por favor.<\/p>\n\n\n\n<p>A voz \u00e9 firme, educada, mas sem espa\u00e7o pra negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota aponta com o queixo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 T\u00e1 no carro, ali adiante. Posso pegar?<\/p>\n\n\n\n<p>O policial faz um gesto curto com a m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Vou com o senhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota desce. O ar frio bate mais forte agora, camiseta regata vinho colada no corpo por baixo da camisa fina de bot\u00e3o. Ele fecha a porta, tranca com a chave, enfia no bolso. Come\u00e7a a andar. O policial segue dois passos atr\u00e1s, presen\u00e7a silenciosa mas pesada.<\/p>\n\n\n\n<p>A rua est\u00e1 cheia. Carros estacionados dos dois lados, buzinas ao longe, gente atravessando. Jota dobra a esquina onde tem certeza absoluta que deixou o fusca. Lembra perfeitamente: vaga entre um Corsa branco e uma Saveiro prata, lado direito, sombra de \u00e1rvore caindo no cap\u00f4.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que n\u00e3o tem fusca.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem uma moto vermelha. Tem um espa\u00e7o vazio. Tem a Saveiro prata. Mas entre eles, nada.<\/p>\n\n\n\n<p>O cora\u00e7\u00e3o de Jota d\u00e1 um salto seco.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele para. Olha de novo. Pisca. Talvez tenha se confundido. Talvez seja uma rua adiante. Caminha mais dez metros, olhos varrendo cada vaga. Nada. Volta. Confere de novo o mesmo trecho.<\/p>\n\n\n\n<p>O fusca azul simplesmente evaporou.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem sombra da lataria redonda, nem reflexo do para-brisa curvo. O carro que ele dirigiu at\u00e9 aqui, que estacionou com as pr\u00f3prias m\u00e3os, que trancou com a chave que est\u00e1 no bolso agora, desapareceu.<\/p>\n\n\n\n<p>O policial cruza os bra\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O ve\u00edculo, senhor?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sente o suor frio descer pelas costas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Estava aqui. Eu juro. Azul claro, fusca 1600, placa\u2026 placa\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>A placa n\u00e3o vem. Nunca teve placa. A imagem vem clara \u2014 lataria redonda, azul perfeito, volante grande nas m\u00e3os \u2014 mas quando tenta puxar a placa, s\u00f3 vazio. Como se o fusca nunca tivesse precisado de uma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Pode ter sido guinchado \u2014 o policial sugere, tom neutro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o d\u00e1 tempo! Eu acabei de estacionar!<\/p>\n\n\n\n<p>Jota d\u00e1 meia-volta, anda r\u00e1pido, quase corre. Verifica a rua paralela. Nada. Volta pra rua de baixo. Nada. Os olhos varrem cada carro, cada viela, cada canto onde um fusca azul poderia estar escondido. Mas fusca n\u00e3o \u00e9 carro pequeno. Fusca n\u00e3o se esconde.<\/p>\n\n\n\n<p>O ponto de \u00f4nibus agora parece distante demais.<\/p>\n\n\n\n<p>Larissa provavelmente j\u00e1 passou.<\/p>\n\n\n\n<p>E Jota est\u00e1 aqui, suando frio, com um policial no encal\u00e7o, procurando um carro que sumiu do mapa.<\/p>\n\n\n\n<p>Dez minutos se passam. Talvez quinze. A busca se expande. Jota caminha quarteir\u00f5es inteiros, mente acelerada, cora\u00e7\u00e3o batendo torto. Como assim um carro desaparece? Como assim a realidade engole uma coisa f\u00edsica, s\u00f3lida, palp\u00e1vel?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Senhor, preciso ver os documentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A voz do policial corta o desespero silencioso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eu sei! Eu sei, s\u00f3\u2026 s\u00f3 me d\u00e1 mais um minuto\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Jota vira outra esquina. E para.<\/p>\n\n\n\n<p>Larissa est\u00e1 parada na cal\u00e7ada, corpo alongado encostado no poste, tatuagens vis\u00edveis no bra\u00e7o, olhando o celular. Ela levanta os olhos, v\u00ea Jota, franze a testa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Opa! \u2014 Ela guarda o celular. \u2014 Pensei que tinha desistido. Voc\u00ea t\u00e1 suando. Aconteceu algo?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota caminha at\u00e9 ela, respira\u00e7\u00e3o ainda acelerada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eu tava aqui. S\u00f3\u2026 n\u00e3o achei onde estacionei.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Cad\u00ea seu carro?<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta \u00e9 simples, natural. Mas bate como soco.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O fusca azul. Eu\u2026 n\u00e3o consigo achar.<\/p>\n\n\n\n<p>Larissa franze a testa, quase rindo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Que fusca?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota para.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O fusca. Azul claro. Vim de fusca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Geraldo\u2026 \u2014 Ela ri de leve, carinhosa. \u2014 Voc\u00ea tem um Gol cinza.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo para.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pra ela. Depois pro policial, que continua dois metros atr\u00e1s, bra\u00e7os cruzados. Depois pra rua.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o. Eu vim de fusca. Azul. Tenho certeza.<\/p>\n\n\n\n<p>Larissa encosta a m\u00e3o no ombro dele.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A gente tava falando disso ontem, n\u00e9? Todo mundo jogava &#8220;Fusca Azul&#8221; quando pequeno. \u2014 O sorriso dela \u00e9 doce, sem zombaria. \u2014 Meu primo tamb\u00e9m ficava obcecado. Via fusca em todo canto.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o responde.<\/p>\n\n\n\n<p>A mente dele roda. Fusca azul. Gol cinza. Fusca azul. Gol cinza.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele fecha os olhos, respira fundo. Tenta lembrar do carro que dirigiu at\u00e9 aqui. A imagem vem: lataria redonda, azul claro, volante grande, banco de tecido gasto rangendo a cada curva. Fusca. Com certeza fusca.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Larissa diz que \u00e9 Gol.<\/p>\n\n\n\n<p>E Larissa n\u00e3o mente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele abre os olhos, vira, caminha de volta. Devagar agora. P\u00e9s pesados. Cabe\u00e7a zunindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dobra a esquina de novo. Olha a mesma vaga onde tinha certeza que estacionou.<\/p>\n\n\n\n<p>E l\u00e1 est\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Gol Bolinha Cinza Urban 2003.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas portas. Lataria fosca. Calotas originais VW. Placa dele. A placa que ele nunca conseguiu lembrar quando o policial perguntou, mas que agora reconhece na hora: a placa que sempre foi dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota para na cal\u00e7ada, olhando o carro.<\/p>\n\n\n\n<p>O policial aparece ao lado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Esse \u00e9 o ve\u00edculo, senhor?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o consegue falar. S\u00f3 assente. O policial estende a m\u00e3o. Jota enfia a m\u00e3o no bolso, pega a chave, entrega. O policial abre a porta, confere o porta-luvas. Manual do ve\u00edculo. Documentos em ordem. Devolve tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pra Jota. E antes de ir embora, diz:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Acontece. A gente \u00e0s vezes dirige o carro que queria ter, n\u00e3o o que tem.<\/p>\n\n\n\n<p>Vira e vai embora.<\/p>\n\n\n\n<p>Simples assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fica ali, parado na cal\u00e7ada, olhando o Gol Bolinha cinza. Abre a porta do carona. A mochila laranja est\u00e1 no banco, aberta. Ele olha dentro, mec\u00e2nico, quase autom\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Caderno marrom de capa dura.<\/p>\n\n\n\n<p>Isqueiro amarelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Camiseta regata vinho dobrada.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00eanis surrado com o ded\u00e3o aparecendo pelo buraco, cadar\u00e7o direito solto.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo ali. Tudo no lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>As provas f\u00edsicas de que esse \u00e9 o carro dele. O carro que sempre foi dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fecha a mochila. Fecha a porta. D\u00e1 a volta, entra no banco do motorista. O estofado afunda com os 110 quilos de sempre. O volante \u00e9 duro, sem dire\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica. O painel tem o r\u00e1dio velho chiando baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele enfia a chave na igni\u00e7\u00e3o. Vira. O motor 1.0 16v ronca, fraco mas fiel.<\/p>\n\n\n\n<p>Toc toc toc.<\/p>\n\n\n\n<p>Algu\u00e9m bate na janela.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota vira, cora\u00e7\u00e3o disparado.<\/p>\n\n\n\n<p>O policial est\u00e1 ali. Do lado de fora. Quepe baixo, uniforme impec\u00e1vel. O mesmo rosto. A mesma postura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Boa tarde. Documentos do ve\u00edculo, por favor.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo congela.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pro banco do carona. Mochila fechada. Ningu\u00e9m ali. Larissa n\u00e3o est\u00e1 ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pro rel\u00f3gio do painel.<\/p>\n\n\n\n<p>Cinco e cinquenta e nove.<\/p>\n\n\n\n<p>O policial bate de novo, paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Senhor?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota respira fundo. M\u00e3os tremendo. Abre o porta-luvas. Pega os documentos. Manual. CRLV. Passa pela janela entreaberta.<\/p>\n\n\n\n<p>O policial confere. Olha a placa. Olha Jota. Devolve.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Est\u00e1 tudo em ordem. Tenha um bom dia.<\/p>\n\n\n\n<p>E vai embora.<\/p>\n\n\n\n<p>Simples assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fica parado, m\u00e3os agarradas no volante do Gol Bolinha. Gol. N\u00e3o fusca. Nunca fusca.<\/p>\n\n\n\n<p>Respira fundo. Olha a rua. Olha o rel\u00f3gio. Seis horas.<\/p>\n\n\n\n<p>Larissa aparece na cal\u00e7ada, corpo alongado, tatuagens vis\u00edveis, sorriso no rosto. V\u00ea o Gol, v\u00ea Jota, acena. Caminha at\u00e9 a janela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Opa! Pensei que ia me deixar esperando.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o sabe o que dizer. S\u00f3 abaixa o vidro el\u00e9trico dianteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 T\u00e1 tudo bem? \u2014 ela pergunta, franzindo a testa. \u2014 Voc\u00ea t\u00e1 suando.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 T\u00f4. \u2014 A voz sai rouca. \u2014 T\u00f4 bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Larissa d\u00e1 a volta, entra no banco do carona. Joga a mochila dela no colo. A mochila laranja dele ainda est\u00e1 no banco de tr\u00e1s, fechada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Vamos? \u2014 Ela sorri.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota engata a primeira. O Gol Bolinha sai devagar, motor roncando baixo, rodas sobre o asfalto frio de Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<p>Larissa mexe no r\u00e1dio, muda a esta\u00e7\u00e3o. Uma m\u00fasica antiga toca, chiando. Ela canta junto, desafinada, feliz.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota dirige, olhos na rua, m\u00e3os no volante duro.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas quadras depois, ele freia de repente.<\/p>\n\n\n\n<p>Larissa olha pra ele.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O que foi?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pro retrovisor. Um fusca azul claro sumindo na curva. Ou n\u00e3o. Talvez fosse cinza. Talvez fosse s\u00f3 sombra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Fusca azul \u2014 ele murmura, e d\u00e1 um tapinha leve no ombro dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Larissa ri.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Seu bobo!<\/p>\n\n\n\n<p>Ele volta a dirigir.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas enquanto dirige, olhos na rua, m\u00e3os no volante duro, Jota ainda procura.<\/p>\n\n\n\n<p>Procura entre os carros estacionados.<\/p>\n\n\n\n<p>Procura nas ruas paralelas.<\/p>\n\n\n\n<p>Procura nos reflexos dos vidros.<\/p>\n\n\n\n<p>O fusca azul.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele que ele dirigiu at\u00e9 aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele que ele tinha certeza absoluta que era dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele que nunca existiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou que existiu por quinze minutos dentro da pr\u00f3pria cabe\u00e7a, enquanto o rel\u00f3gio n\u00e3o se movia e o policial esperava do lado de fora.<\/p>\n\n\n\n<p>E no fundo, bem no fundo, ainda procura o fusca.<\/p>\n\n\n\n<p>O azul.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele que nunca teve.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele que sempre quis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jota dirige pelas ruas estreitas do Centro, m\u00e3o no volante grande e redondo, r\u00e1dio chiando uma m\u00fasica antiga que ele n\u00e3o consegue identificar. 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