{"id":1021,"date":"2026-02-26T00:15:00","date_gmt":"2026-02-26T03:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/?post_type=capitulo&#038;p=1021"},"modified":"2026-03-04T22:12:31","modified_gmt":"2026-03-05T01:12:31","slug":"drones-que-encontrei","status":"publish","type":"capitulo","link":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/livro\/dias-apos-um-fim\/capitulo\/drones-que-encontrei\/","title":{"rendered":"Drones que Encontrei"},"content":{"rendered":"\n<p>Jota abre a caixa nova no meio da sala e o cheiro de pl\u00e1stico quente invade tudo. Camiseta regata vinho colada no corpo pelo calor de Curitiba que insiste em fingir que \u00e9 ver\u00e3o, mochila laranja jogada no canto, caderno marrom aberto na mesa com folhas espalhadas ao redor \u2014 anota\u00e7\u00f5es sobre frequ\u00eancias, rotas, especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. Isqueiro amarelo segurando uma pilha delas, impedindo que voem. T\u00eanis surrados jogados perto da porta, cadar\u00e7o direito solto como sempre. Letra dele nas folhas. Mas ele n\u00e3o lembra de ter escrito aquilo.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o quatro mini drones na caixa. Todos menores que a palma da m\u00e3o, h\u00e9lices quase silenciosas, corpo de pl\u00e1stico leve mas resistente. Ele pega o primeiro, azul-cobalto, liga o bot\u00e3o lateral. O bicho levanta sozinho, paira na altura dos olhos, pisca uma luz suave como se cumprimentasse.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Precoce \u2014 Jota fala baixo, testando o nome na boca.<\/p>\n\n\n\n<p>O drone gira devagar, como se reconhecesse. Sobe at\u00e9 o teto, desce, faz um c\u00edrculo em volta da cabe\u00e7a dele. Conhece a sala. Conhece o corredor. Passa devagar pela estante, contorna a TV, desce at\u00e9 a cozinha e volta. Projeta um caminho de luzes azuis no ch\u00e3o, como se dissesse &#8220;\u00e9 por aqui, n\u00e3o trope\u00e7a&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota franze a testa.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando foi que ensinou isso pra ele?<\/p>\n\n\n\n<p>Ele n\u00e3o lembra. N\u00e3o lembra de programar. N\u00e3o lembra de testar. S\u00f3 lembra que Precoce sempre soube fazer isso. Ou ser\u00e1 que n\u00e3o sempre? Ser\u00e1 que s\u00f3 agora? A mem\u00f3ria fica estranha, borrada nas bordas, como foto velha que pegou sol demais.<\/p>\n\n\n\n<p>Pega o segundo drone. Preto, LEDs vermelhos piscando na base. Mais pesado que Precoce. Ele liga.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Zubazuba.<\/p>\n\n\n\n<p>O nome sai autom\u00e1tico, como se sempre tivesse sido esse. O drone n\u00e3o sobe. Desce. Pousa na mesa, transforma as h\u00e9lices em algo parecido com hovercraft, plana horizontal, vira lanterna de leitura. A luz vermelha ilumina as folhas espalhadas do caderno.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pega uma das folhas. L\u00ea:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Zubazuba \u2013 modo lanterna ativado. Sensor de proximidade ajustado. Bateria: 4h cont\u00ednuas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Letra dele. Data de tr\u00eas semanas atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele n\u00e3o lembra de tr\u00eas semanas atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Para.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pra folha de novo. Tr\u00eas semanas. Vinte e um dias. Completamente em branco na mem\u00f3ria. O que ele fez? Onde foi? Com quem falou? Programou drones. Escreveu anota\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. E n\u00e3o lembra de nada disso.<\/p>\n\n\n\n<p>O peito aperta.<\/p>\n\n\n\n<p>E se continuar? E se daqui a tr\u00eas semanas ele esquecer dos drones? E se um dia acordar e Precoce estiver voando, mas ele n\u00e3o souber quem \u00e9 Precoce, n\u00e3o souber que deu esse nome, n\u00e3o lembrar de ter colado LEDs, de ter ensinado rotas?<\/p>\n\n\n\n<p>E se a mem\u00f3ria continuar apagando?<\/p>\n\n\n\n<p>Respira fundo. Guarda a folha de volta. Olha pra cima. Precoce continua voando em c\u00edrculos lentos, vigiando, esperando. Zubazuba ilumina a mesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pega o terceiro drone. Branco, menor ainda, sem LEDs. Ele olha pra caixa de ferramentas no ch\u00e3o, pega tiras de LED coloridos \u2014 azul, verde, vermelho, amarelo \u2014 e come\u00e7a a colar na barriga do drone. Os dedos se movem sozinhos, sabem onde colar, como conectar, qual fio vai onde.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dois minutos t\u00e1 pronto.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois minutos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele olha pros pr\u00f3prios dedos. Como \u00e9 que sabia fazer isso?<\/p>\n\n\n\n<p>Liga o drone.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Otebate.<\/p>\n\n\n\n<p>O nome vem do nada. Rid\u00edculo. Perfeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Otebate sobe devagar, testa as luzes, pisca em sequ\u00eancia: azul, verde, vermelho, amarelo. Jota pega o celular, abre o app que j\u00e1 t\u00e1 instalado (desde quando?), configura: &#8220;Toda vez que o celular tocar, Otebate sobe at\u00e9 o teto, gira, joga luz colorida nas paredes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Testa.<\/p>\n\n\n\n<p>O celular toca.<\/p>\n\n\n\n<p>Otebate dispara pro alto, chega no teto, come\u00e7a a girar como bola de discoteca. As luzes coloridas explodem nas paredes, no ch\u00e3o, no rosto de Jota. O vento das h\u00e9lices desce forte, bate na mesa.<\/p>\n\n\n\n<p>O isqueiro amarelo tomba.<\/p>\n\n\n\n<p>Solta uma fa\u00edsca.<\/p>\n\n\n\n<p>As folhas do caderno voam.<\/p>\n\n\n\n<p>Pap\u00e9is girando no ar, caindo, subindo de novo com o vento circular de Otebate. Azul, verde, vermelho, amarelo projetando nas folhas enquanto dan\u00e7am. O quarto inteiro vira festa ca\u00f3tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Precoce e Zubazuba param, observam o ca\u00e7ula fazer show.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota desliga o alarme. Otebate desce devagar, pousa no bra\u00e7o do sof\u00e1, luzes piscando satisfeitas. As folhas caem no ch\u00e3o. O isqueiro parado de lado, ainda fumegando.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Show-off \u2014 Jota ri, juntando as folhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pega uma. L\u00ea:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ferreirinha \u2013 ajuste de altitude. Testar modo silencioso. Verificar se ainda funciona a c\u00e2mera frontal.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ferreirinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota para.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem \u00e9 Ferreirinha?<\/p>\n\n\n\n<p>Ele olha ao redor. Precoce no teto. Zubazuba na mesa. Otebate no sof\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Cad\u00ea Ferreirinha?<\/p>\n\n\n\n<p>A mem\u00f3ria puxa algo. Drone verde-musgo, pequeno, r\u00e1pido. C\u00e2mera frontal. Sumiu? Quebrou? T\u00e1 guardado?<\/p>\n\n\n\n<p>Ou&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Entregou pro Rand.<\/p>\n\n\n\n<p>A lembran\u00e7a vem turva, incompleta. Rand apareceu. Pegou Ferreirinha. Guardou no bolso do macac\u00e3o junto com as chaves do Gol, junto com o isqueiro amarelo que Jota deu antes de viajar. Rand cuida das coisas. Rand sempre cuida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando foi isso? Por que entregou? Ferreirinha quebrou? Ou s\u00f3 quis que Rand guardasse, como guarda tudo que importa?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o lembra. S\u00f3 lembra que Ferreirinha existe. Ou existiu. Ou existe com Rand agora, voando em algum lugar que Jota n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo fica estranho quando se trata dos drones.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sacode a cabe\u00e7a, guarda a folha de volta. O quarto ainda tem resqu\u00edcios de luz colorida dan\u00e7ando nas paredes. Ele olha pra caixa. Tem um quarto drone l\u00e1 dentro. Menor. Cinza. Sem nome ainda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Rid\u00edculo \u2014 ele decide, mas n\u00e3o tira da caixa ainda. \u2014 Voc\u00ea fica a\u00ed at\u00e9 eu descobrir o que fazer contigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Rid\u00edculo n\u00e3o responde. \u00d3bvio.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota se levanta, vai at\u00e9 a janela. L\u00e1 fora, o Gol Bolinha Cinza Urban 2003 est\u00e1 estacionado no meio-fio, duas portas, janelas abertas porque o calor n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9gua. Lataria fosca brilhando fraco no sol da tarde.<\/p>\n\n\n\n<p>Precoce passa por ele, ro\u00e7a no ombro \u2014 quase acaricia \u2014 e vira na dire\u00e7\u00e3o da janela aberta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Vai explorar? \u2014 Jota pergunta.<\/p>\n\n\n\n<p>O drone pisca a luz azul uma vez. Sim.<\/p>\n\n\n\n<p>Sai voando pela janela, desce a fachada do pr\u00e9dio, paira na altura do Gol. Jota se inclina pra fora, observa. Precoce entra pela janela do motorista, desaparece dentro do carro.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sorri.<\/p>\n\n\n\n<p>Precoce explorando. Faz parte.<\/p>\n\n\n\n<p>O drone reaparece pelo outro lado, sai pela janela do passageiro, sobe de volta. A luz azul pisca diferente agora. Mais r\u00e1pida. Irregular. Como se tivesse visto algo que n\u00e3o devia.<\/p>\n\n\n\n<p>Entra pela janela do apartamento e pousa no ombro de Jota. Vibra baixinho, inquieto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Achou alguma coisa interessante l\u00e1 dentro?<\/p>\n\n\n\n<p>Precoce n\u00e3o responde. Mas a luz continua piscando estranha. Como se carregasse segredo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota volta pra sala. Zubazuba continua na mesa, iluminando o caderno. Ele senta, olha as folhas espalhadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Precoce decola do ombro dele, vai at\u00e9 a mochila laranja no canto, circula ao redor, desce, entra dentro. Sai com a al\u00e7a presa em baixo do corpo, tenta levantar. N\u00e3o consegue. Pesado demais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Idiota \u2014 Jota ri. \u2014 C\u00ea n\u00e3o \u00e9 guindaste.<\/p>\n\n\n\n<p>Precoce desiste, larga a al\u00e7a, sobe de volta. Parece envergonhado. Luzes piscando mais devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pega o caderno, anota:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Rid\u00edculo \u2013 pensar numa fun\u00e7\u00e3o. Talvez sensor de fuma\u00e7a? Ou s\u00f3 companhia mesmo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Para. L\u00ea o que escreveu.<\/p>\n\n\n\n<p>Companhia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 isso, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00e3o ferramentas. N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 gadgets. S\u00e3o companhia. Precoce que explora. Zubazuba que ilumina. Otebate que faz festa. Rid\u00edculo que ainda t\u00e1 descobrindo quem \u00e9. Ferreirinha que foi entregue pro Rand mas ainda t\u00e1 na mem\u00f3ria, como pessoa que mudou de cidade mas voc\u00ea ainda pensa nela de vez em quando.<\/p>\n\n\n\n<p>A noite cai devagar. Curitiba esfria. Jota fecha a janela, acende a luz pequena da cozinha, deixa a sala no escuro. Os drones continuam voando. Precoce fazendo ronda. Zubazuba iluminando o caderno (que ningu\u00e9m t\u00e1 lendo). Otebate piscando colorido de vez em quando, s\u00f3 porque pode.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pega a caixa de novo. Abre. Pega Rid\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<p>Cinza. Pequeno. Sem LEDs. Sem programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Liga.<\/p>\n\n\n\n<p>Rid\u00edculo sobe.<\/p>\n\n\n\n<p>Sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem comando. Sem gesto. Sem nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Flutua at\u00e9 o teto e fica l\u00e1. Parado. Observando. Como se sempre soubesse o que fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sorri.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Rid\u00edculo mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele deita no sof\u00e1. Apaga a luz pequena da cozinha. S\u00f3 ficam os pontinhos de LED dan\u00e7ando no escuro. Azul de Precoce fazendo c\u00edrculos no teto. Vermelho de Zubazuba piscando baixo na mesa. Colorido de Otebate projetando arco-\u00edris na parede. Cinza de Rid\u00edculo flutuando silencioso, observando tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>A casa inteira respira com eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota levanta a m\u00e3o direita, faz um gesto m\u00ednimo: dedo pra cima. Precoce sobe. Dedo pra baixo. Precoce desce. C\u00edrculo no ar. Precoce gira. N\u00e3o precisa controle remoto. N\u00e3o precisa app. S\u00f3 a m\u00e3o. S\u00f3 o gesto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pra pr\u00f3pria m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o programou isso. N\u00e3o existe sensor de gesto nos drones. Tecnicamente imposs\u00edvel. Mas funciona.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o isqueiro amarelo que sempre acende na primeira. Como o cadar\u00e7o direito que sempre solta no momento exato. Como Ferreirinha que sumiu mas ainda existe. Como os drones que obedecem gesto sem sensor.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 coisas que funcionam sem explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 coisas que ele sempre soube fazer, mesmo quando n\u00e3o lembra de ter aprendido.<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta fica sem resposta. E talvez seja melhor assim. Talvez n\u00e3o importe se os drones s\u00e3o novos ou antigos, se ele comprou ontem ou comprou h\u00e1 meses e esqueceu. Importa que agora est\u00e3o aqui. Importa que Precoce conhece cada canto da casa. Importa que Zubazuba ilumina quando precisa. Importa que Otebate transforma o teto em festa toda vez que o celular toca. Importa que Rid\u00edculo descobriu sozinho que sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 observar.<\/p>\n\n\n\n<p>Importa que Ferreirinha foi entregue pro Rand. E Rand cuida. Rand sempre cuida.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fecha os olhos. Precoce desce devagar, pousa na mesa de centro, apaga as luzes. Zubazuba faz o mesmo. Otebate pisca uma \u00faltima vez \u2014 azul, verde, vermelho, amarelo \u2014 e desliga. Rid\u00edculo continua no teto. Observando. Sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 a respira\u00e7\u00e3o dele. E o zumbido baix\u00edssimo das h\u00e9lices em stand-by, vibrando quase impercept\u00edvel, como cora\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nico que nunca para de bater.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota abre os olhos de novo. Olha pro teto escuro. Rid\u00edculo l\u00e1 em cima, invis\u00edvel, mas presente.<\/p>\n\n\n\n<p>Amanh\u00e3 vai procurar Ferreirinha. Ou aceitar que Ferreirinha t\u00e1 com Rand, seguro, guardado, junto com o Gol e o isqueiro e tudo que importa. Rand cuida. Rand sempre cuida das coisas que Jota esquece mas n\u00e3o pode perder.<\/p>\n\n\n\n<p>Amanh\u00e3 vai adaptar mais um.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque os drones \u2014 Precoce, Zubazuba, Otebate, Rid\u00edculo, Ferreirinha com Rand \u2014 s\u00e3o a prova de que d\u00e1 pra fazer qualquer coisa levitar, se voc\u00ea souber onde colar os LEDs e acreditar que sempre soube fazer isso, mesmo quando n\u00e3o lembra de ter aprendido.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota dorme sorrindo.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 fora, o Gol Bolinha espera, janelas abertas, segredos guardados no banco traseiro, pronto pra ser explorado de novo amanh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>E no teto, invis\u00edveis no escuro, os drones descansam.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nunca dormem de verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 esperam o pr\u00f3ximo gesto da m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3ximo celular tocando.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3xima fa\u00edsca do isqueiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3xima fun\u00e7\u00e3o a ser descoberta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jota abre a caixa nova no meio da sala e o cheiro de pl\u00e1stico quente invade tudo. 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