{"id":1156,"date":"2026-03-10T00:15:00","date_gmt":"2026-03-10T03:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/?post_type=capitulo&#038;p=1156"},"modified":"2026-03-05T00:13:22","modified_gmt":"2026-03-05T03:13:22","slug":"arvore-morta-no-meio-fio","status":"publish","type":"capitulo","link":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/livro\/dias-apos-um-fim\/capitulo\/arvore-morta-no-meio-fio\/","title":{"rendered":"\u00c1rvore Morta no Meio-Fio"},"content":{"rendered":"\n<p>O calor j\u00e1 \u00e9 de rachar quando Jota abre o port\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nove e meia e a Rua do Professor parece um forno aberto. O asfalto novo brilha como se tivesse \u00f3leo, o ar tremendo em ondas que distorcem o fim da rua.<\/p>\n\n\n\n<p>O Gol Bolinha Cinza Urban 2003 t\u00e1 parado exatamente onde ele deixou h\u00e1 dois dias: calotas originais VW sujas de poeira, cap\u00f4 quente. Banco do motorista afundado no formato exato dos 110 kg que sempre voltam pro mesmo lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota t\u00e1 de camiseta regata vinho velha, short de moletom cinza, p\u00e9 descal\u00e7o no cimento que queima.<\/p>\n\n\n\n<p>Leite quente na caneca, sem a\u00e7\u00facar, j\u00e1 esfriando na m\u00e3o esquerda.<\/p>\n\n\n\n<p>A barba cheia co\u00e7a de suor.<\/p>\n\n\n\n<p>O cabelo ondulado grisalho nas laterais t\u00e1 bagun\u00e7ado do travesseiro.<\/p>\n\n\n\n<p>E o jardineiro t\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Chap\u00e9u de palha surrado, camiseta desbotada grudada no corpo magro, cal\u00e7a rasgada no joelho, fac\u00e3o na m\u00e3o direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Parado diante da \u00e1rvore morta no meio-fio, olhando pra cima como quem avalia um velho conhecido que finalmente se rendeu.<\/p>\n\n\n\n<p>O jardineiro n\u00e3o olha pra Jota. N\u00e3o pede licen\u00e7a. N\u00e3o explica nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Veio fazer o que precisa ser feito.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rvore.<\/p>\n\n\n\n<p>Quarenta e poucos anos de vida torta.<\/p>\n\n\n\n<p>Nasceu na fresta entre o meio-fio e o asfalto, quando ali ainda era a casa azul de madeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Cresceu inclinada, galhos invadindo a cal\u00e7ada, ra\u00edzes rachando o concreto como se dissessem &#8220;eu fico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A prefeitura nunca veio.<\/p>\n\n\n\n<p>O pai do Jota dizia que ia cortar, mas nunca cortou.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e dizia que dava sombra, mas a sombra era pouca.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois veio o sobrado, a casa azul foi pro ch\u00e3o, o terreno virou muro alto e garagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a \u00e1rvore ficou.<\/p>\n\n\n\n<p>Teimosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Feia.<\/p>\n\n\n\n<p>Deslocada.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 que morreu.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro as folhas amarelaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois ca\u00edram.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois os galhos secaram.<\/p>\n\n\n\n<p>A casca descascou.<\/p>\n\n\n\n<p>O tronco virou cinza por dentro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ficou meses ali, esqueleto vegetal, ocupando espa\u00e7o que n\u00e3o era mais dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota entra e sai de casa, abre o port\u00e3o do Gol, passa todo dia ao lado daquele cad\u00e1ver e pensa:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Um dia eu corto isso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nunca cortou.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>O jardineiro n\u00e3o olha pra ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Levanta o fac\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro golpe \u00e9 seco.<\/p>\n\n\n\n<p>O galho cai com som de osso velho quebrando.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fica parado na varanda, leite esfriando.<\/p>\n\n\n\n<p>E, do outro lado da rua, onde s\u00f3 tem muro alto e mato seco, a casa azul t\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Inteira.<\/p>\n\n\n\n<p>Pintura desbotada, janelas brancas fechadas, port\u00e3o branco enferrujado, telhado de telha colonial, garagem onde a m\u00e3e dele sentava pra tomar chimarr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Exatamente como era antes de virar p\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pisca.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o some.<\/p>\n\n\n\n<p>O leite esfria de vez.<\/p>\n\n\n\n<p>O fac\u00e3o desce outra vez.<\/p>\n\n\n\n<p>E a \u00e1rvore come\u00e7a a perder o que ainda fingia ter de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>O fac\u00e3o desce de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>O som \u00e9 seco, ritmado, quase musical:<\/p>\n\n\n\n<p>tac\u2026 tac\u2026 tac\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Cada golpe arranca um galho seco que cai na cal\u00e7ada como osso de defunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Lascas voam, finas como cinza, pousam no asfalto quente e desaparecem no calor tremendo.<\/p>\n\n\n\n<p>O jardineiro trabalha sem pausa.<\/p>\n\n\n\n<p>Suor escorrendo do chap\u00e9u de palha, pingando no ch\u00e3o, formando pequenas manchas escuras que evaporam em segundos.<\/p>\n\n\n\n<p>A camiseta desbotada agora \u00e9 um pano molhado colado nas costelas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os bra\u00e7os magros sobem e descem com precis\u00e3o de m\u00e1quina: corta na base, gira o pulso, puxa, joga pro lado.<\/p>\n\n\n\n<p>A pilha de galhos mortos cresce na beira do meio-fio, organizada, quase bonita.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o se mexe da varanda.<\/p>\n\n\n\n<p>A caneca de leite j\u00e1 t\u00e1 vazia na m\u00e3o, esquecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Os p\u00e9s descal\u00e7os queimam no cimento, mas ele nem sente.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque do outro lado da rua a casa azul t\u00e1 viva.<\/p>\n\n\n\n<p>A porta da frente est\u00e1 entreaberta.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma porta marrom que ele abria com 12 anos pra entrar correndo depois da escola.<\/p>\n\n\n\n<p>A garagem onde a m\u00e3e estendia as roupas quando chovia. E onde tomavam chimarr\u00e3o, olhando ele e o irm\u00e3o brincar na rua.<\/p>\n\n\n\n<p>O port\u00e3o branco com a tranca enferrujada que rangia toda vez que algu\u00e9m abria.<\/p>\n\n\n\n<p>E no quintal da casa azul, a outra \u00e1rvore.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o a do meio-fio.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Inteira, arrancada pela raiz, deitada de lado como corpo largado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ra\u00edzes grossas expostas pro c\u00e9u, terra seca ainda grudada, galhos apontando pro nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Algu\u00e9m come\u00e7ou o servi\u00e7o e desistiu no meio.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixou ali pra apodrecer.<\/p>\n\n\n\n<p>O cheiro chega at\u00e9 Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>Madeira morta, seca, sem seiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Mistura com o cheiro de etanol velho do Gol Bolinha, com o cheiro de suor dele mesmo, com o cheiro de mem\u00f3ria que n\u00e3o pediu pra voltar.<\/p>\n\n\n\n<p>O jardineiro muda de ferramenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Larga o fac\u00e3o, pega uma serra que aparece do nada (ou tava ali o tempo todo, Jota n\u00e3o viu).<\/p>\n\n\n\n<p>A serra morde o tronco na base.<\/p>\n\n\n\n<p>O barulho \u00e9 mais grave, mais lento, mais definitivo:<\/p>\n\n\n\n<p>zrrrr\u2026 zrrrr\u2026 zrrrr\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Cada passada arranca lascas maiores.<\/p>\n\n\n\n<p>O tronco range como se doesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembra de quando soube que a casa azul tinha ido pro ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota estava viajando.<\/p>\n\n\n\n<p>O pai desmontou madeira por madeira, a m\u00e3e vendeu tudo pra uma conhecida.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e dele sentada no sobrado ao fundo, assistindo o marido desmontar a casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o lembra quantos anos tinha \u2014 trinta e poucos, talvez.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 agora entende a nostalgia que aquela casa trazia.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida era mais f\u00e1cil quando ela existia.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembra que a fam\u00edlia decidiu que a \u00e1rvore da frente nunca seria cortada.<\/p>\n\n\n\n<p>Era o que sobrava da casa azul.<\/p>\n\n\n\n<p>O pai morreu h\u00e1 cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rvore morreu h\u00e1 dois.<\/p>\n\n\n\n<p>E agora t\u00e1 sendo cortada por um homem que n\u00e3o a conheceu.<\/p>\n\n\n\n<p>O tronco range mais alto.<\/p>\n\n\n\n<p>O jardineiro d\u00e1 um passo pra tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rvore inclina.<\/p>\n\n\n\n<p>Devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Como quem ainda t\u00e1 decidindo se quer cair mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sente o peito apertar.<\/p>\n\n\n\n<p>A casa azul t\u00e1 olhando.<\/p>\n\n\n\n<p>As janelas brancas como olhos fechados de quem j\u00e1 se foi h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>E a \u00e1rvore cai.<\/p>\n\n\n\n<p>O tronco inclina mais um grau.<\/p>\n\n\n\n<p>Range como porta velha que n\u00e3o quer abrir.<\/p>\n\n\n\n<p>As ra\u00edzes que seguraram por quarenta anos soltam um estalo seco, quase um suspiro.<\/p>\n\n\n\n<p>E a \u00e1rvore cai.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 estrondo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um baque surdo, pesado, definitivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O tronco bate no asfalto quente, racha no meio com som de madeira velha se partindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Galhos se espalham, alguns quicam, outros quebram de vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma nuvem de poeira branca sobe, mistura com o calor tremendo do meio-dia e some.<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>O jardineiro para.<\/p>\n\n\n\n<p>A serra ainda na m\u00e3o, l\u00e2mina suja de p\u00f3 cinza.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pro que sobrou da \u00e1rvore como quem olha um trabalho bem feito.<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e1 um passo pra tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7a a cortar os galhos ca\u00eddos em peda\u00e7os menores, empilhando com calma, sem pressa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota desce os degraus da varanda.<\/p>\n\n\n\n<p>Devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>P\u00e9s descal\u00e7os no cimento queimando, mas ele n\u00e3o sente.<\/p>\n\n\n\n<p>A caneca vazia ainda na m\u00e3o esquerda, esquecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Cruza a cal\u00e7ada, para na beira do meio-fio.<\/p>\n\n\n\n<p>O espa\u00e7o onde a \u00e1rvore esteve por quatro d\u00e9cadas agora \u00e9 s\u00f3 um buraco vazio.<\/p>\n\n\n\n<p>As ra\u00edzes expostas, quebradas, ainda agarradas a peda\u00e7os de concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>O asfalto rachado em volta, cicatrizes que v\u00e3o ficar pra sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Do outro lado da rua, a casa azul continua l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Inteira.<\/p>\n\n\n\n<p>Porta entreaberta.<\/p>\n\n\n\n<p>Garagem vazia.<\/p>\n\n\n\n<p>Janela do quarto da m\u00e3e fechada, cortina branca parada no tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota d\u00e1 um passo \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<p>O asfalto queima a sola do p\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele n\u00e3o liga.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro passo.<\/p>\n\n\n\n<p>A poeira da \u00e1rvore ca\u00edda ainda paira no ar, entra no nariz, na garganta.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro passo.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 no meio da rua agora.<\/p>\n\n\n\n<p>O Gol Bolinha \u00e0 esquerda, cap\u00f4 quente, refletindo o c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>A casa azul \u00e0 frente, s\u00f3lida, real, imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>O jardineiro continua cortando atr\u00e1s dele, serra zrrrr\u2026 zrrrr\u2026 zrrrr\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o olha.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o para.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota para a dois metros do port\u00e3o branco enferrujado.<\/p>\n\n\n\n<p>A casa azul t\u00e1 silenciosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ele sente.<\/p>\n\n\n\n<p>Sente o cheiro do caf\u00e9 que a m\u00e3e fazia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sente o barulho da TV ligada na sala.<\/p>\n\n\n\n<p>Sente o cheiro de madeira rec\u00e9m-lixada do ch\u00e3o que o pai nunca trocou mas todos na casa ajudavam a encerar.<\/p>\n\n\n\n<p>Sente a casa respirando.<\/p>\n\n\n\n<p>A porta da frente range sozinha, abre mais um palmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro, escurid\u00e3o fresca.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota d\u00e1 mais um passo.<\/p>\n\n\n\n<p>O p\u00e9 pisa numa pedra solta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele para.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pra baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma das ra\u00edzes da \u00e1rvore que caiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma raiz da \u00e1rvore que t\u00e1 deitada no terreno da casa azul.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rvore arrancada que ningu\u00e9m terminou de tirar.<\/p>\n\n\n\n<p>A raiz t\u00e1 viva.<\/p>\n\n\n\n<p>Um fio verde, quase impercept\u00edvel, saindo da terra seca.<\/p>\n\n\n\n<p>Crescendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Na dire\u00e7\u00e3o da casa dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pra cima.<\/p>\n\n\n\n<p>A casa azul pisca.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez.<\/p>\n\n\n\n<p>E come\u00e7a a desbotar.<\/p>\n\n\n\n<p>Como foto antiga queimando no sol.<\/p>\n\n\n\n<p>As bordas primeiro, depois o meio.<\/p>\n\n\n\n<p>A porta, a garagem, as janelas, o telhado.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo vira p\u00f3 azul claro que o vento leva.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dez segundos, n\u00e3o tem mais nada.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 o terreno vazio, mato seco, muro alto do sobrado novo.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rvore arrancada tamb\u00e9m sumiu.<\/p>\n\n\n\n<p>O meio-fio continua rachado.<\/p>\n\n\n\n<p>A pilha de lenha t\u00e1 l\u00e1, organizada, esperando algu\u00e9m que nunca vai vir buscar.<\/p>\n\n\n\n<p>O jardineiro termina o \u00faltimo corte.<\/p>\n\n\n\n<p>Guarda a serra.<\/p>\n\n\n\n<p>Guarda o fac\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Vira as costas.<\/p>\n\n\n\n<p>E vai embora pela rua, chap\u00e9u de palha na cabe\u00e7a, sem olhar pra tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fica parado no meio da rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p>O sol queima as costas.<\/p>\n\n\n\n<p>O sil\u00eancio \u00e9 absoluto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele olha pro buraco onde a \u00e1rvore esteve.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pro terreno vazio onde a casa azul morou por um instante.<\/p>\n\n\n\n<p>Quebrou a promessa.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixou o jardineiro fazer o que a fam\u00edlia jurou que nunca faria.<\/p>\n\n\n\n<p>E aceita.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque tem coisa que a gente n\u00e3o corta.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem coisa que a gente s\u00f3 v\u00ea cair.<\/p>\n\n\n\n<p>E depois vive com o buraco.<\/p>\n\n\n\n<p>E tem promessa que n\u00e3o d\u00e1 pra manter pra sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota atravessa a rua de volta devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>O asfalto queima a sola dos p\u00e9s, mas ele anda como se n\u00e3o sentisse.<\/p>\n\n\n\n<p>A pilha de lenha t\u00e1 l\u00e1, organizada, quase bonita na beira do meio-fio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m vai buscar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele sabe.<\/p>\n\n\n\n<p>Abre a porta do motorista do Gol Bolinha.<\/p>\n\n\n\n<p>O calor acumulado dentro do carro bate no rosto como tapa.<\/p>\n\n\n\n<p>Cheiro de etanol velho, banco quente, tecido cinza escuro cozinhando h\u00e1 horas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele entra.<\/p>\n\n\n\n<p>Senta.<\/p>\n\n\n\n<p>O banco afunda exatamente no formato do corpo dele, 110 kg que conhecem cada cent\u00edmetro daquele lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>A toalha branca que ele sempre coloca pra n\u00e3o suar direto j\u00e1 t\u00e1 cinza de tanto uso, dobrada no encosto.<\/p>\n\n\n\n<p>Fecha a porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Vidro el\u00e9trico dianteiro desce devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>O bra\u00e7o sai pra fora, cotovelo apoiado na janela, m\u00e3o pendurada.<\/p>\n\n\n\n<p>O motor n\u00e3o liga.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 fica ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando.<\/p>\n\n\n\n<p>O para-brisa empoeirado reflete o terreno vazio onde a casa azul morou por um instante.<\/p>\n\n\n\n<p>O meio-fio rachado.<\/p>\n\n\n\n<p>A pilha de lenha que parece um t\u00famulo pequeno.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota apoia a testa no volante.<\/p>\n\n\n\n<p>Fecha os olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Queria estar presente no dia que a casa foi ao ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e dele sentada no sobrado ao fundo, assistindo o marido desmontar madeira por madeira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes a m\u00e3e fala que sabe pra onde a madeira foi.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembra da promessa de nunca cortar a \u00e1rvore.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque cortar seria admitir que o tempo passou.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque deixar morrer era castigo por n\u00e3o ter salvado a casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota abre os olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Volta pro presente.<\/p>\n\n\n\n<p>O retrovisor mostra o sobrado atr\u00e1s: pintura nova, port\u00e3o autom\u00e1tico, tudo que o dinheiro comprou depois que a casa azul virou p\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele d\u00e1 partida.<\/p>\n\n\n\n<p>O 1.0 16v tosse, engasga, pega na terceira tentativa.<\/p>\n\n\n\n<p>R\u00e1dio n\u00e3o tem, ent\u00e3o o barulho \u00e9 s\u00f3 do motor e do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Engata a r\u00e9, sai do meio-fio devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Passa pela pilha de lenha.<\/p>\n\n\n\n<p>Para.<\/p>\n\n\n\n<p>Desce.<\/p>\n\n\n\n<p>Pega um peda\u00e7o pequeno de galho seco.<\/p>\n\n\n\n<p>Volta pro carro, coloca o galho no banco do carona, ao lado da mochila laranja aberta \u2014 canto do caderno marrom aparecendo pela fresta, t\u00eanis surrado jogado em cima com cadar\u00e7o solto.<\/p>\n\n\n\n<p>Engata a primeira.<\/p>\n\n\n\n<p>E vai embora.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem destino.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem pressa.<\/p>\n\n\n\n<p>O Gol Bolinha anda devagar pela cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem destino, sem pressa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota mant\u00e9m 40 km\/h, vidro aberto, bra\u00e7o pra fora, vento quente batendo no rosto.<\/p>\n\n\n\n<p>O peda\u00e7o de galho seco t\u00e1 no banco do carona, em cima da mochila.<\/p>\n\n\n\n<p>Pequeno, quebradi\u00e7o, quase p\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ainda \u00e9 madeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda \u00e9 o que sobrou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se v\u00ea passando pelo Parque Barigui, lago cheio, gente correndo, cachorro latindo.<\/p>\n\n\n\n<p>De repente est\u00e1 no Centro C\u00edvico, pr\u00e9dios altos refletindo o c\u00e9u que agora t\u00e1 ficando cinza de verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha e nota que dirige pela Marechal, tr\u00e2nsito lento, buzina\u00e7o, vida normal.<\/p>\n\n\n\n<p>Curitiba inteira continua existindo.<\/p>\n\n\n\n<p>O r\u00e1dio n\u00e3o tem, ent\u00e3o o \u00fanico som \u00e9 o 1.0 16v cantando baixo e o barulho do vento entrando.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota acaba parando no local onde pensa que a casa azul foi.<\/p>\n\n\n\n<p>Desce e admira o que ela virou.<\/p>\n\n\n\n<p>E pensa na \u00e1rvore que tirou hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e1rvore que ele deixou morrer pra n\u00e3o ter que matar.<\/p>\n\n\n\n<p>Volta pro carro.<\/p>\n\n\n\n<p>Engata a primeira.<\/p>\n\n\n\n<p>E segue.<\/p>\n\n\n\n<p>Volta pro Cap\u00e3o da Imbuia quando o sol j\u00e1 t\u00e1 baixando.<\/p>\n\n\n\n<p>Estaciona o Gol na frente do sobrado, no mesmo lugar de sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Desce.<\/p>\n\n\n\n<p>A pilha de lenha ainda t\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m veio buscar.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez nunca venha.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota entra em casa devagar, p\u00e9s descal\u00e7os no ch\u00e3o frio da sala.<\/p>\n\n\n\n<p>Vai direto pra cozinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Abre a geladeira, pega um guaran\u00e1 gelado.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00edm\u00e3 cinza fosco do Posto Esso t\u00e1 ali no centro da porta, segurando um papel velho com telefone de pizzaria. Beiradas descascando, logo quase apagado.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00edm\u00e3 pisca uma vez, luz azul p\u00e1lida, quase impercept\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9, a m\u00e3e est\u00e1 em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota para.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha novamente pro \u00edm\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembra do pai colando ele em outra geladeira quando o Jota era crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembra da m\u00e3e usando ele pra segurar recados, listas de compra, fotos da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00edm\u00e3 pisca de novo, mais fraco.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota toca ele com a ponta do dedo.<\/p>\n\n\n\n<p>Morno.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois frio de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 um \u00edm\u00e3 velho.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ainda ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele abre o guaran\u00e1, bebe metade de uma vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Senta no ch\u00e3o da cozinha, encostado na parede.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pra parede da sala onde tem uma foto antiga: ele com 12 anos, de short, sorrindo, em p\u00e9 na garagem da casa azul.<\/p>\n\n\n\n<p>Fam\u00edlia toda ali, a m\u00e3e ao lado, m\u00e3o no ombro dele, sorrindo tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rvore ao fundo, verde, viva, teimosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota bebe o resto do guaran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Levanta.<\/p>\n\n\n\n<p>Pega um vaso pequeno de cer\u00e2mica que a m\u00e3e trouxe de algum artesanato.<\/p>\n\n\n\n<p>Enche de terra do quintal.<\/p>\n\n\n\n<p>Pega o peda\u00e7o de galho seco que tava no carro junto da mochila.<\/p>\n\n\n\n<p>Enterra a ponta dele na terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Abre a mochila laranja, procura o isqueiro amarelo entre as dobras do caderno marrom.<\/p>\n\n\n\n<p>Acha.<\/p>\n\n\n\n<p>Acende a chama \u2014 na primeira, sobrevivente como sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Segura perto do vaso pra ver melhor na penumbra da cozinha.<\/p>\n\n\n\n<p>A chama ilumina o galho seco, a terra \u00famida, as m\u00e3os dele tremendo de leve.<\/p>\n\n\n\n<p>Apaga.<\/p>\n\n\n\n<p>Guarda de volta.<\/p>\n\n\n\n<p>Coloca o vaso na janela onde bate sol da tarde.<\/p>\n\n\n\n<p>Senta de novo no ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pro vaso.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pra foto.<\/p>\n\n\n\n<p>E pela primeira vez em muito tempo,<\/p>\n\n\n\n<p>n\u00e3o d\u00f3i.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque a \u00e1rvore caiu.<\/p>\n\n\n\n<p>A casa azul voltou e foi embora.<\/p>\n\n\n\n<p>O jardineiro fez o que ele nunca teve coragem.<\/p>\n\n\n\n<p>E o que sobrou agora cabe num vaso.<\/p>\n\n\n\n<p>E vive dentro de casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Onde sempre deveria ter estado.<\/p>\n\n\n\n<p>O c\u00e9u escurece de vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro um trov\u00e3o baixo, depois outro mais perto.<\/p>\n\n\n\n<p>A luz da tarde vira crep\u00fasculo de repente.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota t\u00e1 sentado na cozinha, guaran\u00e1 j\u00e1 vazio na mesa, olhando o vaso na janela.<\/p>\n\n\n\n<p>O peda\u00e7o de galho seco, enterrado na terra \u00famida, parece menos morto.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeira gota bate no telhado.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois segunda.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois \u00e9 s\u00f3 barulho.<\/p>\n\n\n\n<p>Chuva forte, daquelas que Curitiba guarda pra quando decide lembrar que \u00e9 Curitiba o ano inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O som enche o sobrado inteiro: calhas enchendo, \u00e1gua escorrendo, rua virando rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota levanta, abre a janela da cozinha.<\/p>\n\n\n\n<p>O ar fresco entra de uma vez, cheiro de terra molhada, asfalto lavado, fim de dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pra rua.<\/p>\n\n\n\n<p>A pilha de lenha t\u00e1 l\u00e1, tomando chuva, madeira escurecendo, ficando pesada.<\/p>\n\n\n\n<p>O meio-fio rachado vira riacho.<\/p>\n\n\n\n<p>A casa azul n\u00e3o voltou.<\/p>\n\n\n\n<p>O terreno continua vazio.<\/p>\n\n\n\n<p>O jardineiro n\u00e3o vai voltar.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00edm\u00e3 na geladeira pisca uma \u00faltima vez, luz azul suave, como se dissesse adeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois apaga.<\/p>\n\n\n\n<p>Frio de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 um \u00edm\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fecha a janela s\u00f3 at\u00e9 a metade.<\/p>\n\n\n\n<p>Volta pro sof\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Pega o controle, liga a TV num volume baixo, s\u00f3 pra ter companhia.<\/p>\n\n\n\n<p>Deita.<\/p>\n\n\n\n<p>Fecha os olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouve a chuva caindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouve o Gol Bolinha l\u00e1 fora tomando banho depois de dois dias de poeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouve o peda\u00e7o de galho dentro do vaso, quietinho, aceitando a terra nova.<\/p>\n\n\n\n<p>E agora, finalmente,<\/p>\n\n\n\n<p>dorme.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem sonho.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem peso.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 o barulho da chuva dizendo que tudo que precisava cair,<\/p>\n\n\n\n<p>caiu.<\/p>\n\n\n\n<p>E o que sobrou,<\/p>\n\n\n\n<p>agora tem raiz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O calor j\u00e1 \u00e9 de rachar quando Jota abre o port\u00e3o. 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