{"id":1171,"date":"2026-03-25T00:15:00","date_gmt":"2026-03-25T03:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/?post_type=capitulo&#038;p=1171"},"modified":"2026-03-05T00:55:43","modified_gmt":"2026-03-05T03:55:43","slug":"cuidado-com-as-criancas","status":"publish","type":"capitulo","link":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/livro\/dias-apos-um-fim\/capitulo\/cuidado-com-as-criancas\/","title":{"rendered":"Cuidado com as Crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"\n<p>O Gol Bolinha Cinza entra marcha r\u00e9 no quintal do sobrado, motor quente soltando estalos no sil\u00eancio pesado da Rua do Professor. Jota desliga. Puxa o freio de m\u00e3o. Fica parado por tr\u00eas segundos olhando pelo retrovisor a fila de carros estacionados atr\u00e1s dele. Um. Dois. Tr\u00eas. Quatro. Cinco. Seis carros. Todos lotados. Todos com as portas ainda fechadas. Esperando.<\/p>\n\n\n\n<p>Deviam ser sete.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele abre a porta. Sai. A camiseta regata vinho, rasgada nos ombros, gruda no corpo com o suor frio do medo. O vento frio de Curitiba bate no rosto. Tarde de inverno que j\u00e1 amea\u00e7a virar noite. C\u00e9u cinza. Nuvens baixas. Ningu\u00e9m na cal\u00e7ada. Nenhum movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Pop\u00f3 desce do carro da frente. Volvo XC40 el\u00e9trico. Ele bate \u00e0 porta. Olha ao redor. M\u00e3os nos quadris.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Aqui serve \u2014 ele diz. Voz baixa. Cansada.<\/p>\n\n\n\n<p>Beag\u00e1 desce do terceiro carro. Uma Subaru Forester. Acena com a cabe\u00e7a. Leandro Costa sai do quarto. Um Honda CRV. Jota olha pro amigo. Faz tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Cheiloso \u2014 Jota chama. \u2014 Traz as sacolas.<\/p>\n\n\n\n<p>Leandro assente. Abre o porta-malas.<\/p>\n\n\n\n<p>Daslu desce do quinto carro. TCross cinza. Acende um cigarro antes mesmo de fechar a porta. Olha pra Jota. N\u00e3o sorri. Nunca sorri mais. Donaro sai do sexto. Corolla Cross vermelho que quase n\u00e3o chegou. Ela segura a filha no colo. A menina n\u00e3o larga a m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>O pai de Jota desce do Gol Bolinha. Devagar. Segurando a lateral. Pernas cansadas. Ele olha pra rua. Pro c\u00e9u. Pras casas vazias. Balan\u00e7a a cabe\u00e7a. N\u00e3o fala nada.<\/p>\n\n\n\n<p>No bolso da cal\u00e7a jeans de Jota, o \u00edm\u00e3 de geladeira \u2014 aquele retangular cinza fosco com logo de Posto Esso quase apagado \u2014 come\u00e7a a brilhar. Discreto. Azul p\u00e1lido. Quase invis\u00edvel sob o tecido. Mas Jota sente. Pai presente. Fam\u00edlia presente.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota abre o port\u00e3o de ferro do sobrado. Range alto. Eco no asfalto vazio. Escolheu esse porque era o \u00fanico da lista do pai com port\u00e3o que ainda fechava. Tranca boa. Muros altos. Janelas com grades.<\/p>\n\n\n\n<p>As crian\u00e7as come\u00e7am a sair dos carros.<\/p>\n\n\n\n<p>Enaldinho primeiro. Camiseta do Atl\u00e9tico suja de poeira. Ele ajuda Sheldon a descer. Mais alto. Mais quieto. Os dois ficam perto do pai.<\/p>\n\n\n\n<p>O filho de Daslu desce depois. Olhos grandes fixos no ch\u00e3o. A filha de Donaro vem em seguida. Vestido rosa. Ela segura firme a m\u00e3o da m\u00e3e. N\u00e3o solta.<\/p>\n\n\n\n<p>Filho de Beag\u00e1. Mochila nas costas. Filho de Cheiloso. Bon\u00e9 do Corinthians. M\u00e3os nos bolsos.<\/p>\n\n\n\n<p>Seis crian\u00e7as. Sete adultos. Um sobrado vazio.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota faz as contas mentais. Espa\u00e7o suficiente. Comida pra tr\u00eas dias. \u00c1gua pra quatro se economizarem. Depois disso v\u00e3o ter que se mover de novo. Se conseguirem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Malas pro segundo andar \u2014 Jota diz. Voz firme. De comando. \u2014 Crian\u00e7as ficam l\u00e1 em cima tamb\u00e9m. Trancam as portas dos quartos. Ningu\u00e9m desce sem adulto junto.<\/p>\n\n\n\n<p>Pop\u00f3 acena. Abre o porta-malas do Jeep. Come\u00e7a a tirar sacolas. Beag\u00e1 ajuda. Cheiloso tamb\u00e9m. As crian\u00e7as sobem as escadas correndo. Passos ecoando pelo sobrado vazio. Risos nervosos. Al\u00edvio tempor\u00e1rio de estar dentro de quatro paredes de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Daslu encosta na parede. Solta fuma\u00e7a. Olha pra Jota. Os olhos dela s\u00e3o os mesmos de anos atr\u00e1s. Mas o resto mudou. Tudo mudou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quanto tempo vamos ficar? \u2014 ela pergunta.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota d\u00e1 de ombros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O necess\u00e1rio \u2014 ele responde.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela solta mais fuma\u00e7a. N\u00e3o insiste.<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro sobe com a filha. A menina n\u00e3o quer olhar pra rua morta. Pra nada. Jota observa. Donaro ainda tem aquele jeito. Aquele jeito de proteger. De ser m\u00e3e e mulher e fortaleza ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>O pai de Jota senta na escada. Respira fundo. M\u00e3o no peito. Jota olha pra ele. O velho acena que t\u00e1 tudo bem. Mas n\u00e3o t\u00e1. Nunca t\u00e1. O \u00edm\u00e3 no bolso brilha mais forte. S\u00f3 um segundo. Depois volta ao normal.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota volta pro quintal. Fecha o port\u00e3o de ferro. A tranca range. Ele empurra. Testa. Segura. Bom o suficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se vira pra entrar, o cadar\u00e7o direito do t\u00eanis surrado se solta.<\/p>\n\n\n\n<p>Bambo. Arrastando no ch\u00e3o de concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota para. Olha pra baixo. O buraco no ded\u00e3o esquerdo mostra a meia furada. Ele abaixa. Vai amarrar.<\/p>\n\n\n\n<p>E v\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Pegada.<\/p>\n\n\n\n<p>Vermelha.<\/p>\n\n\n\n<p>Fresca.<\/p>\n\n\n\n<p>Molhada.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem na frente do port\u00e3o. Como se algu\u00e9m tivesse sa\u00eddo correndo dali segundos antes dele chegar. A tinta ainda brilha \u00famida. Ainda escorre pros lados.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota levanta. Devagar. Cora\u00e7\u00e3o acelerando. Olha ao redor. Rua vazia. Nenhum movimento. Mas o vento traz cheiro. Qu\u00edmico. Forte. Spray de tinta recente.<\/p>\n\n\n\n<p>Amarra o cadar\u00e7o. R\u00e1pido. Firme.<\/p>\n\n\n\n<p>Caminha at\u00e9 o meio da rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o o olhar bate no sobrado vizinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Letras vermelhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Grossas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00damidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Escorrendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele para.<\/p>\n\n\n\n<p>Aproxima-se devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>A mensagem ocupa toda a extens\u00e3o da parede. Do ch\u00e3o at\u00e9 a janela do segundo andar. Letras altas. Irregulares. Urgentes. Pintadas com algo que ainda goteja. Vermelho vivo. Quase laranja. Como se tivessem sido feitas minutos antes. Meia hora no m\u00e1ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota l\u00ea em voz alta sem perceber:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 CUIDEM DAS CRIAN\u00c7AS<\/p>\n\n\n\n<p>A voz sai rouca. Ecoa no vazio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele continua lendo:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00c3O DEIXEM ELAS SA\u00cdREM SOZINHAS<\/p>\n\n\n\n<p>Pausa. Engole seco.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 ELAS S\u00c3O O QUE ELES QUEREM<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio pesado. Sil\u00eancio que engole sons.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 PROTEJAM A QUALQUER CUSTO<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima linha \u00e9 maior. Mais grossa. Mais desesperada:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 CUIDADO COM QUEM BATE \u00c0 NOITE<\/p>\n\n\n\n<p>Um por um, os outros come\u00e7am a aparecer. Pop\u00f3 na porta. Beag\u00e1 na janela. Cheiloso na sacada. Daslu jogando o cigarro fora. Donaro descendo a escada devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>As crian\u00e7as param de correr l\u00e1 em cima. O sobrado fica mudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Enaldinho aparece na janela do segundo andar. Olha pra parede. L\u00ea. Vira pro irm\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Sheldon. Vem ver.<\/p>\n\n\n\n<p>Sheldon se aproxima. L\u00ea tamb\u00e9m. N\u00e3o fala nada. Apenas olha pra baixo. Pro tio Jota. Pro pai. Pros outros adultos.<\/p>\n\n\n\n<p>A filha de Donaro segura firme a m\u00e3o da m\u00e3e. N\u00e3o larga.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota encosta a palma na tinta.<\/p>\n\n\n\n<p>Pegajosa. Quente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele afasta a m\u00e3o. Olha pros dedos. Vermelho vivo grudado na pele.<\/p>\n\n\n\n<p>Cheira.<\/p>\n\n\n\n<p>Qu\u00edmico. Forte. Como spray.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 sangue.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas t\u00e1 quente demais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>Pop\u00f3 desce os degraus da entrada. Caminha at\u00e9 Jota. Olha pra parede. Pro aviso. Pros dedos manchados do irm\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Acabaram de fazer isso \u2014 Pop\u00f3 diz baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota acena.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ou t\u00e1 fazendo ainda.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles olham ao redor. Nada se move. Nenhum som. S\u00f3 o vento frio arrastando folhas secas pela cal\u00e7ada. S\u00f3 o cheiro qu\u00edmico persistindo no ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Beag\u00e1 aponta pro outro lado da rua.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Tem mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota vira.<\/p>\n\n\n\n<p>Do outro lado. No sobrado seguinte. Outra parede. Exatamente as mesmas palavras. Mesma tinta vermelha. Mesmas letras urgentes.<\/p>\n\n\n\n<p>E no seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>E no seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota caminha pela rua. Devagar. Contando. Um. Dois. Cinco. Oito sobrados com avisos id\u00eanticos. Todos com tinta fresca. Todos gritando a mesma ordem.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns sobrados n\u00e3o t\u00eam nada. Paredes limpas. Vazias. Como se quem pintou tivesse escolhido. Ou tivesse parado no meio. Ou tivesse fugido antes de terminar.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pega a mochila laranja do banco de tr\u00e1s do Gol. Abre. Procura. Encontra o caderno de anota\u00e7\u00f5es de capa dura marrom e o celular.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tira uma foto e escreve a mensagem. Palavra por palavra. Letra por letra. As linhas tortas. A urg\u00eancia. O desespero.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando termina, guarda o caderno e o celular. Pega uma toalha. Fecha a mochila. Joga nas costas.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pro grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos parados. Esperando.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota limpa a m\u00e3o manchada de vermelho na toalha. N\u00e3o sai. Apenas espalha.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Entrem \u2014 ele diz. Voz firme. \u2014 Tranquem tudo. Janelas. Portas. Tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pop\u00f3 acena. Come\u00e7a a subir. Chama os filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Enaldinho. Sheldon. Ajudem a trancar as janelas l\u00e1 em cima.<\/p>\n\n\n\n<p>Os meninos obedecem. Somem escada acima.<\/p>\n\n\n\n<p>Beag\u00e1 e Cheiloso come\u00e7am a verificar o t\u00e9rreo. Porta da cozinha. Porta dos fundos. Janelas da sala. Tudo trancado. Tudo seguro.<\/p>\n\n\n\n<p>Daslu sobe com o filho. Donaro com a filha. A menina olha pra tr\u00e1s. Pra Jota parado na rua. Olhando as paredes vermelhas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Jotaa \u2014 ela chama baixinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota vira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quem escreveu? \u2014 a menina pergunta.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o sabe o que responder.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Algu\u00e9m que queria ajudar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ajudar com o qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A gente se proteger.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 De quem?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota engole seco.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o sei, pequena.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela olha pra parede. Pras letras vermelhas. Pra \u00faltima linha.<\/p>\n\n\n\n<p>CUIDADO COM QUEM BATE \u00c0 NOITE<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 V\u00e3o bater? \u2014 ela pergunta. Voz fininha. Assustada.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o responde.<\/p>\n\n\n\n<p>Donaro pega a filha. Sobe. A menina continua olhando. Gravando tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>O pai de Jota ainda t\u00e1 sentado na escada. Olhando pra rua. Pro filho parado ali no meio. Pro c\u00e9u que vai ficando mais escuro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Jota \u2014 ele chama. \u2014 Entra.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fica mais dez segundos. Olhando. Escutando. Procurando movimento. Som. Qualquer coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 vento.<\/p>\n\n\n\n<p>E o cheiro de tinta no ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele entra.<\/p>\n\n\n\n<p>Fecha a porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Tranca.<\/p>\n\n\n\n<p>Encosta a testa no vidro frio. Olha pela janela.<\/p>\n\n\n\n<p>Cal\u00e7ada vazia. Postes apagados.<\/p>\n\n\n\n<p>As paredes continuam gritando.<\/p>\n\n\n\n<p>E a noite come\u00e7a a cair.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas horas depois o c\u00e9u t\u00e1 preto.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem lua. Sem estrelas. Nuvens grossas cobrindo tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>O sobrado t\u00e1 escuro tamb\u00e9m. Sem luz el\u00e9trica. Pop\u00f3 tentou os interruptores. Nada. Cortaram. Ou acabou. Ou nunca teve.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles acendem velas. Tr\u00eas na sala. Duas na cozinha. Uma no corredor do segundo andar.<\/p>\n\n\n\n<p>As crian\u00e7as est\u00e3o no quarto maior. Enaldinho, Sheldon e os outros sentados em colch\u00f5es velhos que acharam num arm\u00e1rio. A filha de Donaro dorme com a m\u00e3e. Respira\u00e7\u00e3o leve. M\u00e3o agarrada no vestido. O filho de Daslu t\u00e1 encolhido no canto. Abra\u00e7ado nos pr\u00f3prios joelhos. O filho de Beag\u00e1 olha pela fresta da cortina. O filho de Cheiloso desenha algo no ch\u00e3o com o dedo. C\u00edrculos. Linhas. Prote\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Os adultos revezam. Dois ficam acordados. Cinco descansam. Jota e Pop\u00f3 fazem o primeiro turno. Sentados na sala. Janela entreaberta. Olhando a rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Beag\u00e1 t\u00e1 deitado no sof\u00e1. Roncando baixo. Cheiloso na poltrona. Olhos fechados mas n\u00e3o dormindo. Daslu subiu. Foi deitar com o filho. O pai de Jota ficou com os netos. Quarto do fundo. Porta trancada.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pega o isqueiro amarelo do bolso. Acende. Apaga. Acende. Apaga.<\/p>\n\n\n\n<p>Pop\u00f3 olha pra ele.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Para com isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota guarda o isqueiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Desculpa.<\/p>\n\n\n\n<p>Vazio que engole sons. Peso no ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Pop\u00f3 olha pela janela. Asfalto negro. Os avisos vermelhos mal vis\u00edveis no escuro. Apenas manchas mais escuras nas paredes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea acha que eles v\u00eam? \u2014 Pop\u00f3 pergunta baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o sei quem s\u00e3o &#8220;eles&#8221; \u2014 Jota responde.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Mas algu\u00e9m sabe \u2014 Pop\u00f3 aponta pra fora. \u2014 Quem escreveu sabe.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota concorda. Silencioso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E se baterem? \u2014 Pop\u00f3 insiste.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pro irm\u00e3o. Direto nos olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A gente n\u00e3o abre.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E se for algu\u00e9m precisando de ajuda?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A gente n\u00e3o abre.<\/p>\n\n\n\n<p>Pop\u00f3 respira fundo. Volta a olhar pra rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Os minutos passam. Devagar. Pesados. Cada segundo marcado pelo rel\u00f3gio velho na parede da sala. Tic-tac. Tic-tac.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pega a mochila laranja. Tira o caderno. Abre na p\u00e1gina onde copiou o aviso. L\u00ea de novo. Cada palavra. Procurando algo que perdeu. Algum detalhe. Alguma pista. Pega o celular e analisa tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>ELAS S\u00c3O O QUE ELES QUEREM<\/p>\n\n\n\n<p>Por qu\u00ea? O que fazem com elas? Pra qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>PROTEJAM A QUALQUER CUSTO<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 onde? At\u00e9 morrer? At\u00e9 matar?<\/p>\n\n\n\n<p>CUIDADO COM QUEM BATE \u00c0 NOITE<\/p>\n\n\n\n<p>Quem? Humanos? Outra coisa?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fecha o caderno. Guarda. Olha pro irm\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Se baterem, a gente fica quieto. Apaga as velas. Finge que n\u00e3o tem ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Pop\u00f3 acena.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E se insistirem?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o responde.<\/p>\n\n\n\n<p>Meia-noite.<\/p>\n\n\n\n<p>Beag\u00e1 e Cheiloso assumem. Jota e Pop\u00f3 sobem. Deitam. Tentam dormir.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fecha os olhos. Mas o sono n\u00e3o vem. Apenas o som do rel\u00f3gio. Tic-tac. Tic-tac. E o vento l\u00e1 fora batendo nas janelas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele vira pro lado. Olha pela fresta da cortina. Nada se move l\u00e1 fora.<\/p>\n\n\n\n<p>Vira pro outro lado. Fecha os olhos de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dorme.<\/p>\n\n\n\n<p>Por vinte minutos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o acorda.<\/p>\n\n\n\n<p>Barulho.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 embaixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele senta na cama. Cora\u00e7\u00e3o acelerado. Escuta.<\/p>\n\n\n\n<p>Vazio.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois:<\/p>\n\n\n\n<p>TOC. TOC. TOC.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota levanta. Descal\u00e7o. Devagar. Sai do quarto. Pop\u00f3 acorda tamb\u00e9m. Segue o irm\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 embaixo, Beag\u00e1 e Cheiloso est\u00e3o de p\u00e9. Parados. Olhando pra porta.<\/p>\n\n\n\n<p>As velas apagadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Escuro total.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota desce a escada. Devagar. Cada degrau rangendo. Ele chega na sala. Para ao lado da janela. Olha pela fresta da cortina.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o v\u00ea ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada al\u00e9m de sombras.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas as batidas vieram da porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Vazio que sufoca.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>TOC. TOC. TOC.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 &#8230;ajuda&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Jota congela.<\/p>\n\n\n\n<p>Beag\u00e1 olha pra ele. Cheiloso tamb\u00e9m. Pop\u00f3 desce o \u00faltimo degrau. Para atr\u00e1s do irm\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>TOC. TOC. TOC.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 &#8230;por favor&#8230; t\u00f4 sozinha&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Voz de crian\u00e7a. Fina. Assustada. Real.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 &#8230;eles v\u00eam&#8230; tenho medo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Pop\u00f3 atravessa a sala. Tr\u00eas passos at\u00e9 a porta. M\u00e3o na ma\u00e7aneta.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota segura o pulso dele.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pop\u00f3 olha pro irm\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 \u00c9 uma crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o abre.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Mas ela t\u00e1&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>TOC TOC TOC TOC TOC.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 abram abram abram abram<\/p>\n\n\n\n<p>A voz muda. Aguda. Grave. Aguda de novo. Distorcida. M\u00faltipla.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 ABRAM ABRAM ABRAM<\/p>\n\n\n\n<p>Pop\u00f3 recua. O ar perto da porta fica mais frio. Gelado. Como se algo tivesse sugado o calor do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A voz para.<\/p>\n\n\n\n<p>As batidas param.<\/p>\n\n\n\n<p>Vazio.<\/p>\n\n\n\n<p>Cinco segundos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dez.<\/p>\n\n\n\n<p>Vinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o um som diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Passos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se afastando.<\/p>\n\n\n\n<p>Devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Descendo a cal\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p>Parando na rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota volta pra janela. Olha pela fresta.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00ea uma sombra.<\/p>\n\n\n\n<p>Pequena. Do tamanho de crian\u00e7a. Parada no meio da rua. Virada pra casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele n\u00e3o v\u00ea o rosto.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 o contorno.<\/p>\n\n\n\n<p>A sombra fica ali. Parada. Olhando.<\/p>\n\n\n\n<p>O ar em volta dela parece tremer. Mais frio. Muito mais frio.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois vira. Caminha. Desaparece entre os sobrados.<\/p>\n\n\n\n<p>E o frio vai junto.<\/p>\n\n\n\n<p>Vazio volta.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota solta o ar que tava segurando.<\/p>\n\n\n\n<p>Pop\u00f3 encosta na parede. M\u00e3os tremendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Beag\u00e1 acende uma vela de novo. Luz fraca ilumina os rostos p\u00e1lidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Cheiloso senta no ch\u00e3o. Cabe\u00e7a entre as m\u00e3os. L\u00e1bios tremendo. Por isso o apelido. Sempre treme quando tem medo.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 em cima, uma porta se abre. Passos descendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Enaldinho aparece na escada. Olhos arregalados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Tio Jota?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota vira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Volta pro quarto, pequeno.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O que foi aquilo?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Nada. Volta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Mas&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 VOLTA.<\/p>\n\n\n\n<p>Enaldinho recua. Sobe. Fecha a porta do quarto.<\/p>\n\n\n\n<p>O pai de Jota aparece no topo da escada.<\/p>\n\n\n\n<p>Diz que checou todos os quartos e est\u00e1 tudo certo por ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Silhueta magra contra a vela do corredor. Olha pra baixo. Pro filho. Pro grupo tenso na sala escura.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o desce. S\u00f3 fica ali. Presente.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota volta pra janela. Olha pra rua. Pra parede do sobrado vizinho. Pro aviso vermelho mal vis\u00edvel no escuro.<\/p>\n\n\n\n<p>CUIDADO COM QUEM BATE \u00c0 NOITE<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o era pra avisar.<\/p>\n\n\n\n<p>Era pra obedecer.<\/p>\n\n\n\n<p>O resto da noite passa em vazio absoluto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m dorme.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos acordados. Escutando. Esperando.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o volta.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja l\u00e1 o que era.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o volta.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o sol nasce, Jota abre a porta. Devagar. Olha pra cal\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem pegada. Nem marca. Nem sinal de que algo esteve ali.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 cinza e concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>E os avisos vermelhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Gritando a mesma ordem.<\/p>\n\n\n\n<p>CUIDEM DAS CRIAN\u00c7AS<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pra cima. Pra janela do quarto onde as crian\u00e7as dormem agora. A filha de Donaro encostada em Sheldon. Enaldinho abra\u00e7ado no irm\u00e3o. Os outros amontoados. Seguros. Vivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por enquanto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele respira fundo. Vai fechar a porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pro fim da rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Longe. Tr\u00eas quarteir\u00f5es adiante.<\/p>\n\n\n\n<p>A sombra.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma de ontem \u00e0 noite.<\/p>\n\n\n\n<p>Pequena. Do tamanho de crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Pintando.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra parede.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempo real.<\/p>\n\n\n\n<p>Vermelho escorrendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Letras se formando.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pisca. Olha de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>A sombra para de pintar.<\/p>\n\n\n\n<p>Se vira.<\/p>\n\n\n\n<p>Devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Encara ele.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tem rosto.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 vazio.<\/p>\n\n\n\n<p>E levanta a m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma m\u00e3o que bateu na porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Aponta.<\/p>\n\n\n\n<p>Pra ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Pra casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Pras crian\u00e7as l\u00e1 em cima.<\/p>\n\n\n\n<p>O ar fica mais frio. Mesmo com o sol nascendo. Mesmo com a luz da manh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois volta a pintar.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se nada tivesse acontecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fecha a porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Tranca.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>Encosta a testa no vidro frio.<\/p>\n\n\n\n<p>E sabe.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3xima noite vai ser pior.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque sabem onde as crian\u00e7as est\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E a coisa que bate.<\/p>\n\n\n\n<p>A coisa que pinta.<\/p>\n\n\n\n<p>A coisa sem rosto.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 voltou.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo de dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre volta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Gol Bolinha Cinza entra marcha r\u00e9 no quintal do sobrado, motor quente soltando estalos no sil\u00eancio pesado da Rua do Professor. Jota desliga. Puxa o freio de m\u00e3o. Fica parado por tr\u00eas segundos olhando pelo retrovisor a fila de carros estacionados atr\u00e1s dele. Um. Dois. Tr\u00eas. Quatro. Cinco. Seis carros. Todos lotados. 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