{"id":1172,"date":"2026-03-26T00:15:00","date_gmt":"2026-03-26T03:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/?post_type=capitulo&#038;p=1172"},"modified":"2026-03-05T00:26:53","modified_gmt":"2026-03-05T03:26:53","slug":"4h37","status":"publish","type":"capitulo","link":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/livro\/dias-apos-um-fim\/capitulo\/4h37\/","title":{"rendered":"4h37"},"content":{"rendered":"\n<p>O rel\u00f3gio digital do motel Poeme marca 4h37 quando Jota fecha os olhos pela segunda vez. Luz vermelha pulsando na mesinha de cabeceira. N\u00fameros riscados no escuro como ferida aberta. Ele viu a hora. Registrou. Guardou. Ao lado do rel\u00f3gio, o isqueiro amarelo \u2014 o sobrevivente \u2014 descansa junto ao caderno de capa dura marrom. O \u00edm\u00e3 de geladeira cinza fosco est\u00e1 preso na capa. Logo do Posto Esso quase apagado. Beiradas descascando. Algumas carreiras de p\u00f3 na primeira p\u00e1gina.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota deixa o corpo afundar no colch\u00e3o macio demais, travesseiro frio, len\u00e7ol branco que cheira a sab\u00e3o industrial e sexo recente. O Gol Bolinha Cinza Urban est\u00e1 l\u00e1 fora, estacionado no quarto 12. T\u00eanis surrado no ch\u00e3o ao lado da cama. Cadar\u00e7o direito solto. Sempre solto.<\/p>\n\n\n\n<p>Little Boobs se mexe atr\u00e1s dele. O colch\u00e3o balan\u00e7a. Ela se aproxima. Corpo pequeno, quente, grudando nas costas dele. 1,55 de pura concentra\u00e7\u00e3o. Jota sente os seios enormes pressionando contra suas costas. Imposs\u00edveis. Desproporcionais. Perfeitos. Eles se moldam ao corpo dele como se tivessem sido feitos pra isso. Pra grudar. Pra aquecer. Pra lembrar que ela existe mesmo sendo pequena.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Gosto de dormir grudada&#8221; \u2014 foi o que ela disse antes. Rindo daquele jeito dela. Mordendo o l\u00e1bio. Olhos brilhando. &#8220;N\u00e3o consigo dormir longe, Jota. Desculpa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele n\u00e3o pediu desculpas. S\u00f3 puxou ela pro peito. Transaram. Curtiram. Transaram. Descansaram. Agora ela gruda de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Camisa regata vinha jogada no ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela passa o bra\u00e7o por baixo do dele. Palma aberta sobre o peito de Jota. Dedos finos tamborilando no peito de Jota. Ele n\u00e3o se mexe. Respira\u00e7\u00e3o lenta. Pesada. Como quem voltou a dormir depois de transar e agora s\u00f3 quer descansar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ele n\u00e3o dorme.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele v\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>O espelho grande est\u00e1 encostado na parede oposta. Guarda-roupa espelhado que reflete a cama inteira. Jota escolheu esse quarto por causa dele. Quando entraram, ele viu o espelho e pediu pra ficar desse lado da cama. Little Boobs n\u00e3o perguntou por qu\u00ea. Apenas riu, mordeu o l\u00e1bio, jogou a bolsa no ch\u00e3o e pulou na cama. &#8220;O que voc\u00ea vai fazer comigo hoje?&#8221; \u2014 foi o que ela disse. Voz rouca. Baixinha. Aquela voz que faz ele esquecer o pr\u00f3prio nome.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora ela acha que ele dorme.<\/p>\n\n\n\n<p>E o espelho mostra tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota mant\u00e9m os olhos semicerrados. Apenas uma fresta. O suficiente pra capturar o reflexo. Pra ver ela inteira.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabelo ruivo avermelhado espalhado no travesseiro. Longo. Liso. Caindo sobre os ombros dela, sobre os seios que transbordavam do top preto que ela tirou. Maquiagem borrada. Delineado gatinho meio apagado. Batom vermelho manchado nos cantos da boca. Olhos grandes e expressivos fixos na nuca de Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela acredita que ele dorme.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3o dela desce.<\/p>\n\n\n\n<p>Devagar. Como quem testa. Dedos ro\u00e7ando a barriga de Jota. Contornando. Explorando. V\u00e3o at\u00e9 a cintura. Hesitam ali. Param. Voltam. Sobem de novo pro peito. Tamborilam. Descem outra vez.<\/p>\n\n\n\n<p>O reflexo mostra o rosto dela mudando. A boca se entreabre. Os olhos perdem o foco. Vidrados. Olhando pra nuca de Jota como se fosse a coisa mais linda que ela j\u00e1 viu. Como se apenas estar grudada nele, abra\u00e7ada, fosse suficiente pra acender algo dentro dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela respira fundo pelo nariz. Solta o ar quente contra a nuca dele. Jota sente. Cada fio de ar. Cada tremor. Mas n\u00e3o se mexe. Qualquer movimento quebra o jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3o dela volta pra cintura. Dessa vez n\u00e3o hesita. Ro\u00e7a a pele dela. Desliza.<\/p>\n\n\n\n<p>Little Boobs aperta o abra\u00e7o. Coxa sobre coxa. Perna entrela\u00e7ada na dele. Os seios gigantes se espremem mais contra as costas de Jota. Ele sente o peso. A press\u00e3o. O calor concentrado daquele corpo mi\u00fado que parece ocupar o espa\u00e7o todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela morde o l\u00e1bio inferior. A tatuagem grande na coxa esquerda dela se contrai quando ela mexe a perna. Flores pretas. Caveira delicada. F\u00e1cil de lembrar, mas Jota sempre esquece como s\u00e3o. A outra tatuagem, no bra\u00e7o dela, se move quando ela desliza a m\u00e3o mais pra baixo. Clave de sol. Notas musicais. Como se o corpo dela fizesse som s\u00f3 de existir.<\/p>\n\n\n\n<p>Os quadris dela come\u00e7am um balan\u00e7o. Quase impercept\u00edvel. Esfregando-se contra ele. Devagar. Ritmado. Como onda pequena que vai crescendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota v\u00ea tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>O rubor subindo no pesco\u00e7o dela. Pele clara ficando rosada. Vermelha. Quente. A testa dela encostando na omoplata dele. Os olhos dela se fechando. Abrindo. Fechando de novo. Vidrados. Perdidos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 tes\u00e3o. \u00c9 poder. Poder de saber o que ela esconde. Poder de guardar o segredo que ela acha que n\u00e3o existe.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3o dela encontra o que procura.<\/p>\n\n\n\n<p>Se fecha.<\/p>\n\n\n\n<p>Aperta.<\/p>\n\n\n\n<p>Desliza.<\/p>\n\n\n\n<p>O corpo dela treme inteiro. Um arrepio que atravessa os dois. Que passa dela pra ele como corrente el\u00e9trica. Jota sente. Tudo. Cada m\u00fasculo dela se contraindo. Cada respira\u00e7\u00e3o ficando mais r\u00e1pida. Cada movimento ficando mais urgente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela solta um suspiro curto. Morre no pesco\u00e7o de Jota. N\u00e3o sai. Fica preso ali. S\u00f3 pra ele ouvir. S\u00f3 pra ele saber.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela n\u00e3o sabe que ele v\u00ea cada movimento como se fosse dele tamb\u00e9m. E ele n\u00e3o se mexe. Porque quebrar o jogo agora seria desperdi\u00e7ar o melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Little Boobs continua, mas mais intenso. Cent\u00edmetro por cent\u00edmetro. O dedo desliza f\u00e1cil. Ela se excita vendo o pr\u00f3prio reflexo no espelho sem perceber. Vendo o corpo dele inerte. Entregue. Vendo a pr\u00f3pria m\u00e3o fazendo aquilo que ela acha que ele n\u00e3o sabe.<\/p>\n\n\n\n<p>O espelho devolve a imagem completa: a cintura fina dela, t\u00e3o fina que parece imposs\u00edvel segurar o resto. O quadril largo. A bunda redonda e durinha pressionada contra ele. As coxas grossas entrela\u00e7adas na dele. O cabelo ruivo caindo sobre os ombros. O volume desproporcional dos seios se movendo com a respira\u00e7\u00e3o acelerada.<\/p>\n\n\n\n<p>E o rosto.<\/p>\n\n\n\n<p>O rosto dela \u00e9 a melhor parte.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhos fechados. Boca entreaberta. Testa suada encostada nas costas dele. Mordendo o l\u00e1bio com for\u00e7a agora. N\u00e3o de dor. De entrega. De prazer silencioso que ela acha que \u00e9 s\u00f3 dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Little Boobs acha que ele \u00e9 s\u00f3 o cara sortudo que t\u00e1 transando com ela. Mas ele guarda segredos melhores do que ela imagina. Guarda esse momento. Esse olhar. Esse tremor.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3o dela acelera. Os quadris dela acompanham. O corpo pequeno todo balan\u00e7ando contra ele. Esfregando. Procurando. Encontrando.<\/p>\n\n\n\n<p>Little Boobs respira fundo. Uma vez. Duas. Tr\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>O corpo dela trava.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dedos apertam.<\/p>\n\n\n\n<p>Os olhos se fecham com for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A boca se abre sem som.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela treme. Inteira. Do cabelo ruivo at\u00e9 as unhas pintadas de vermelho dos p\u00e9s pequenos que se enroscam na panturrilha de Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele sente tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>O tremor.<\/p>\n\n\n\n<p>O calor.<\/p>\n\n\n\n<p>A respira\u00e7\u00e3o cortada.<\/p>\n\n\n\n<p>O suspiro que finalmente escapa.<\/p>\n\n\n\n<p>Baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Rouco.<\/p>\n\n\n\n<p>Morrendo contra a nuca dele.<\/p>\n\n\n\n<p>E ent\u00e3o\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Ela abre os olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>De repente.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pro espelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Direto.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fecha os olhos na mesma fra\u00e7\u00e3o de segundo. R\u00e1pido demais pra ela perceber. Cora\u00e7\u00e3o dispara. Respira\u00e7\u00e3o continua lenta. Pesada. Fingida.<\/p>\n\n\n\n<p>Sorte Little Boobs ser meio miope.<\/p>\n\n\n\n<p>No reflexo que ele ainda captura pela fresta m\u00ednima das p\u00e1lpebras, Little Boobs olha pro espelho. Pro corpo dela grudado no dele. Pras m\u00e3os ainda enfiadas entre as pernas dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela hesita.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas segundos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quatro.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pro rosto de Jota refletido no espelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele n\u00e3o se mexe. Nem um m\u00fasculo. Respira\u00e7\u00e3o perfeita. Sono perfeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela relaxa.<\/p>\n\n\n\n<p>Fecha os olhos de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Volta a deitar a cabe\u00e7a no travesseiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase quebrou o jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Devagar, Little Boobs afrouxa o abra\u00e7o. Como se temesse acord\u00e1-lo. Como se o jogo todo dependesse dele continuar dormindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se nada tivesse acontecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Volta a deitar a cabe\u00e7a no travesseiro. Bra\u00e7o pesado sobre o peito de Jota. Perna ainda entrela\u00e7ada. Fartura concentrada dos seios ainda pressionada nas costas dele. Mas agora quieta. Respira\u00e7\u00e3o voltando ao normal. Lenta. Profunda.<\/p>\n\n\n\n<p>O reflexo mostra o rosto dela relaxado. Olhos fechados agora. Boca entreaberta. Cabelo ruivo grudado na testa suada. Corpo mi\u00fado derretido contra o dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela dorme.<\/p>\n\n\n\n<p>De verdade dessa vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota permanece im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Conta at\u00e9 cem.<\/p>\n\n\n\n<p>Devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Certificando-se.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o abre os olhos. Completamente agora. Vira a cabe\u00e7a levemente. Olha pro espelho.<\/p>\n\n\n\n<p>O reflexo mostra tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela dormindo. Grudada nele. Inocente agora. Como se nada tivesse acontecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>E o espelho viu.<\/p>\n\n\n\n<p>E Jota viu.<\/p>\n\n\n\n<p>E guardou.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pro rel\u00f3gio.<\/p>\n\n\n\n<p>4h52.<\/p>\n\n\n\n<p>Quinze minutos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi isso que durou.<\/p>\n\n\n\n<p>Passou mais algum tempo e Jota finalmente se move.<\/p>\n\n\n\n<p>Devagar. Cuidado pra n\u00e3o acord\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Desliza o bra\u00e7o de baixo dela. Senta na beirada da cama. P\u00e9s no ch\u00e3o frio do motel. Quase trope\u00e7a no t\u00eanis surrado. Cadar\u00e7o direito solto se enrosca no tornozelo. Ele se desvencilha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quinze minutos de jogo silencioso onde ela achou que dominava mas ele via tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota levanta. Caminha at\u00e9 a cadeira onde deixou a mochila laranja. Abre. Procura. Pega a caneta. Volta pra mesinha de cabeceira. Pega o caderno de capa dura marrom. D\u00e1 os tirinhos que ainda estavam ali. O \u00edm\u00e3 cinza fosco se solta um pouco mas continua preso. Ele abre numa p\u00e1gina nova.<\/p>\n\n\n\n<p>Anota:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;4h37 &#8211; motel Poeme &#8211; espelho &#8211; ela n\u00e3o sabia que eu via &#8211; quase me pegou mas fechei os olhos a tempo&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Fecha o caderno. Prende o \u00edm\u00e3 de volta na capa. Deixa na mesinha ao lado do isqueiro amarelo. O sobrevivente. Sempre ali. Sempre presente.<\/p>\n\n\n\n<p>Volta pra cama.<\/p>\n\n\n\n<p>Deita do mesmo jeito. De costas pra ela. Olhando pro espelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Little Boobs se mexe no sono. Bra\u00e7o voltando pro peito dele. Perna voltando pra dele. Seios voltando pras costas dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela murmura algo. Baixinho. Inaud\u00edvel quase.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 &#8230;gostoso&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Jota congela.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela continua dormindo. Respira\u00e7\u00e3o profunda. Tranquila.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ela falou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ouviu.<\/p>\n\n\n\n<p>E guardou tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pro espelho.<\/p>\n\n\n\n<p>O reflexo mostra os dois. Abra\u00e7ados. Como se nada tivesse acontecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele fecha os olhos de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa vez certamente pra dormir e feliz.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o peso dela nas costas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o calor dela grudado nele.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o segredo guardado no peito.<\/p>\n\n\n\n<p>E o espelho testemunhando tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Traidor silencioso.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00famplice perfeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Guardi\u00e3o do que aconteceu e do que ningu\u00e9m mais vai saber.<\/p>\n\n\n\n<p>O rel\u00f3gio marca 5h33.<\/p>\n\n\n\n<p>O Gol Bolinha espera l\u00e1 fora.<\/p>\n\n\n\n<p>O isqueiro amarelo descansa na mesinha.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00edm\u00e3 cinza fosco guarda a capa do caderno.<\/p>\n\n\n\n<p>O t\u00eanis surrado repousa no ch\u00e3o com o cadar\u00e7o direito solto.<\/p>\n\n\n\n<p>E Jota dorme.<\/p>\n\n\n\n<p>Com Little Boobs grudada nele.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o segredo mais gostoso da madrugada trancado entre quatro coisas:<\/p>\n\n\n\n<p>Ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela.<\/p>\n\n\n\n<p>O espelho.<\/p>\n\n\n\n<p>E o sil\u00eancio do motel Poeme \u00e0s 4h37.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rel\u00f3gio digital do motel Poeme marca 4h37 quando Jota fecha os olhos pela segunda vez. 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