{"id":1333,"date":"2026-04-02T00:15:00","date_gmt":"2026-04-02T03:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/?post_type=capitulo&#038;p=1333"},"modified":"2026-03-05T21:24:07","modified_gmt":"2026-03-06T00:24:07","slug":"the-second-detail","status":"publish","type":"capitulo","link":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/livro\/dias-apos-um-fim\/capitulo\/the-second-detail\/","title":{"rendered":"The Second Detail"},"content":{"rendered":"\n<p>03h14.<\/p>\n\n\n\n<p>O quarto t\u00e1 escuro, frio de Curitiba entrando pela janela entreaberta. A \u00fanica luz \u00e9 o azul do notebook no colo de Jota.&nbsp; A barra do torrent marca 87%.<\/p>\n\n\n\n<p>The_Second_Detail_(1978)_Agatha_Christie_1080p.mkv<\/p>\n\n\n\n<p>Jota morde o l\u00e1bio, n\u00e3o lembra de ter colocado esse filme para download. Mas diz que faz quarenta minutos que come\u00e7ou a baixar. Procurou no Google. Nada. Nem sinopse. Nem p\u00f4ster.S\u00f3 um coment\u00e1rio no pr\u00f3prio feed do torrent:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se encontrar esse filme, n\u00e3o assista sozinho.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00d3bvio que agora ele ia terminar de baixar e dar uma olhada, sozinho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No quarto, a mochila laranja t\u00e1 jogada no ch\u00e3o. O caderno de anota\u00e7\u00f5es de capa dura marrom ao lado, \u00edm\u00e3 de geladeira cinza fosco preso na capa. Logo do Posto Esso quase apagado. E um isqueiro amarelo jogado em cima da escrivaninha. Pela janela d\u00e1 para ver na garagem um Gol Bolinha Cinza Urban 2003, com uma luz amarela de um poste da rua refletindo na lataria.<\/p>\n\n\n\n<p>91%.<\/p>\n\n\n\n<p>Pega o copo de guaran\u00e1, bebe o resto. Olha pro teto. Respira fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>93%.<\/p>\n\n\n\n<p>Sente algo estranho na cueca. Uma press\u00e3o. Baixa o olhar. A cueca boxer preta t\u00e1&#8230; diferente. Ele franze a testa. Coloca o notebook de lado. Levanta um pouco o corpo. Abaixa a cueca. E v\u00ea. Dois p\u00eanis. A pele esticada no ponto de jun\u00e7\u00e3o. Veias pulsando dos dois lados. Cor normal. Um normal outro pequeno. Mas s\u00e3o dois. Jota pisca. Olha de novo. Ainda est\u00e3o l\u00e1. Ele solta o ar devagar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Como eu nunca reparei nisso antes?<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta sai baixa. Quase sussurrada. Porque faz sentido. Claro que faz sentido. Ele conhecia seu corpo. Se masturba. Transa. Como nunca reparou?<\/p>\n\n\n\n<p>95%.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo p\u00eanis \u2014 o da direita \u2014 come\u00e7a a crescer. Devagar no come\u00e7o. Cinco cent\u00edmetros. Jota toca. Carne real. Quente. O primeiro continua normal. O segundo cresce mais. Dez cent\u00edmetros. Quinze. Pesa. Puxa a pele. A dor \u00e9 surda. Jota respira fundo. N\u00e3o entra em p\u00e2nico. Apenas observa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 T\u00e1 crescendo&#8230; Por que t\u00e1 crescendo agora?<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pro notebook.<\/p>\n\n\n\n<p>99%.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase l\u00e1. Ele sobe a cueca de volta. Empurra os dois pra cima como j\u00e1 soubesse como fazer. O segundo n\u00e3o para. Agora deve ter uns vinte cent\u00edmetros. A cueca marca tudo. Jota pega o isqueiro de novo. Acende. Apaga. Acende. Apaga. Tic nervoso que surge. Jota n\u00e3o fuma. Mas o isqueiro sempre t\u00e1 a\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>100%.<\/p>\n\n\n\n<p>Download conclu\u00eddo. Jota clica duas vezes no arquivo. O player abre. E o mundo muda. O player abre. Tela preta. Chiado de VHS velho. Cr\u00e9ditos em fonte g\u00f3tica amarela:<\/p>\n\n\n\n<p>THE SECOND DETAIL<\/p>\n\n\n\n<p>Baseado em conto de Agatha Christie. Produ\u00e7\u00e3o: Reino Unido, 1978. M\u00fasica de suspense. Piano grave. Violinos arranhando. A imagem surge. Mans\u00e3o vitoriana.Jardim bem cuidado. C\u00e9u cinza. Uma mulher loira entra pela porta da frente. Vestido azul-marinho, cabelo preso, olhos claros que parecem ver atrav\u00e9s da tela. Ela caminha por um corredor longo. Para diante de uma porta fechada. Bate tr\u00eas vezes. Ningu\u00e9m responde. Ela abre mesmo assim. Dentro, um homem de terno preto t\u00e1 sentado numa poltrona de couro. Costas viradas pra porta. A mulher loira entra. Fecha a porta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea escondeu de mim, o tempo todo.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem n\u00e3o responde. Ela se ajoelha na frente dele. As m\u00e3os v\u00e3o pro cinto. Corte. Jota franze a testa. O segundo pau d\u00e1 um pulo dentro da cueca. Como se tivesse ouvido. Jota sente. Olha pra baixo. Pulsou sozinho. Vinte e dois cent\u00edmetros agora. A ponta aparecendo por cima da cueca. Ele tenta empurrar pra baixo. O tecido n\u00e3o aguenta. O filme continua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Flashback.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo homem, mais jovem, na praia. Cal\u00e7a folgada, camisa longa. Evitando tirar a roupa. Amigos chamando pra entrar na \u00e1gua. Ele recusa. &#8220;Dor de barriga.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra cena.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O homem no banheiro. Olhando pro espelho.Dois p\u00eanis. Ele toca. Esconde. Veste cal\u00e7a larga.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra cena.<\/p>\n\n\n\n<p>Casamento. Noiva linda. Ele nervoso. A noite de n\u00fapcias. Ela quer apagar a luz. Ele quer deixar acesa. Briga. Ela chora. Ele desiste. Apaga a luz.<\/p>\n\n\n\n<p>Corta.<\/p>\n\n\n\n<p>Volta pro presente. A mulher loira t\u00e1 de p\u00e9 agora. Olhando pela janela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eu sempre soube \u2014 ela diz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 S\u00f3 estava esperando voc\u00ea admitir.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem levanta da poltrona. Abaixa as cal\u00e7as. Mostra. Dois p\u00eanis. A mulher sorri.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O marido estava under down&#8230; e ningu\u00e9m percebeu o segundo detalhe.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo do homem no filme come\u00e7a a crescer. Devagar. Dez cent\u00edmetros. Quinze. Vinte. Exatamente como o do Jota. Jota sente o dele crescer junto. Vinte e cinco cent\u00edmetros. A cueca rasga na lateral. O segundo pau pula pra fora. Pulsando forte. Quente. Jota tenta segurar. N\u00e3o consegue.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme corta pra mulher loira olhando direto pra c\u00e2mera. Direto pra ele.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea tamb\u00e9m sempre soube, n\u00e3o soube?<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo membro de Jota d\u00e1 um salto. Como se respondesse &#8220;sim&#8221;. Jota respira ofegante. O suor escorre. A vergonha queima. Mas o tes\u00e3o tamb\u00e9m. Porque \u00e9 carne dele. Sempre foi.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme continua.<\/p>\n\n\n\n<p>A mulher loira se aproxima da c\u00e2mera. O rosto dela enche a tela inteira. Olhos claros que atravessam a tela, atravessam o quarto, atravessam o Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea terminou de baixar. Cem por cento. Completo. Agora voc\u00ea sabe.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota t\u00e1 paralisado. O segundo pau vibrando fora da cueca. Vinte e cinco cent\u00edmetros. Roxo. Pesado. Quente. A ponta encostando na barriga dele. A mulher sorri.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Sempre esteve l\u00e1. Voc\u00ea s\u00f3 n\u00e3o queria ver.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela pisca. A tela fica vermelha. Corta. Cr\u00e9ditos finais rolando. M\u00fasica de suspense diminuindo. A mulher loira aparece uma \u00faltima vez. Sentada numa cadeira. Sozinha. Olhando direto pra c\u00e2mera.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Bem-vindo ao clube dos dois, querido.<\/p>\n\n\n\n<p>A tela apaga. Sil\u00eancio. Jota respira ofegante. O segundo pau ainda vibrando. A m\u00e3o dele desce sem ele mandar. Toca. Carne real. Quente. Pulsando. A m\u00e3o aperta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez.&nbsp; Duas. Tr\u00eas. Goza.<\/p>\n\n\n\n<p>Jatos quentes batem no peito, na camiseta vinho, escorrem pela barriga.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cinco. Seis. Sete. O segundo goza mais que o primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota geme baixo. Vergonha queimando o rosto. Tes\u00e3o queimando o corpo. Ele pega a camiseta. Limpa. O cheiro de porra misturado com suor. A mulher do filme ainda t\u00e1 na cabe\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;clube dos dois&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Jota larga a camiseta no ch\u00e3o. Olha pro segundo pau. Ainda duro. Vinte e cinco cent\u00edmetros. N\u00e3o baixa. N\u00e3o volta. Ele toca de novo. Responde com um espasmo leve. Jota sorri. Cansado. Aceitando.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 T\u00e1 bom&#8230; clube dos dois ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Deita na cama. Dois cora\u00e7\u00f5es batendo na cueca. Um sempre bateu. O outro acabou de acordar. E agora os dois s\u00e3o dele. Pra sempre. O isqueiro amarelo t\u00e1 na cama. Ele pega. Acende. Olha a chama. Apaga. O quarto fica escuro. O segundo pau ainda pulsando baixo. Jota fecha os olhos. E dorme. E a certeza que amanh\u00e3 vai ser um dia diferente. Porque o download terminou. O filme acabou. E o segundo detalhe marca presen\u00e7a. E lateja.<\/p>\n\n\n\n<p>08h47.<\/p>\n\n\n\n<p>O sol entra forte pela janela. Jota acorda com o corpo pesado, boca seca, cabe\u00e7as latejando. Levanta devagar. A cueca boxer preta t\u00e1 rasgada na lateral. O segundo pau ainda t\u00e1 l\u00e1. Duro. Como se tivesse acabado de acordar pra vida. Ele olha. Toca. Carne real. Quente. Vibrando baixo. Respira fundo. Levanta. Vai at\u00e9 o banheiro. Olha no espelho. Barba cheia. Cabelo bagun\u00e7ado. Olhos fundos. E o segundo pau balan\u00e7ando entre as pernas. Volta pro quarto. Ele tenta vestir outra cueca. N\u00e3o cabe. Tenta cal\u00e7a de moletom. O volume marca demais. Tenta camiseta longa por cima. Melhor, mas ainda aparece.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pega o caderno da mochila. O \u00edm\u00e3 frio na capa. Abre. Caneta quase sem tinta. Anota:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;03h14 &#8211; Filme baixado. The Second Detail (Agatha Christie, 1978). Mulher loira. Dois p\u00eanis. Sempre tive. Nunca vi. Agora vejo. 25cm. Clube dos dois.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Fecha o caderno. Guarda. Pega o notebook. Abre o torrent. O arquivo ainda t\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>The_Second_Detail_1978_Agatha_Christie_1080p.mkv<\/p>\n\n\n\n<p>Clique duplo. O player abre. Tela preta. A mulher loira aparece de novo. Olhando direto pra c\u00e2mera.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Bom dia, querido. J\u00e1 se acostumou?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fecha o notebook r\u00e1pido. O segundo pau d\u00e1 um pulo. Como se tivesse ouvido. Ele ri. Sem gra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Caralho&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Veste a camiseta regata vinho (a mesma de ontem, ainda com cheiro de porra seca). O short de moletom cinza. T\u00eanis surrado, cadar\u00e7o direito solto. Desce pra cozinha. Abre a geladeira. Guaran\u00e1. Bebe no gargalo. Senta na mesa. Olha pela janela. O Gol Bolinha na garagem. E agora o segundo pau vibrando embaixo da mesa. Ele toca de novo. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9&#8230; diferente. Mais sens\u00edvel. Mais vivo. Ele aperta de leve. Responde imediato. Jota sorri.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 T\u00e1 bom&#8230; vou ter que aprender a viver com isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Levanta. Pega a chave do Gol. Vai at\u00e9 o Gol Bolinha. O Fiel. Ele entra. Senta. O banco afunda. O segundo pau encosta no volante. Ele ri sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eita porra&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Liga o motor. O 1.0 tosse. Pega. Engata a primeira. E sai. Sem destino. S\u00f3 pra sentir. O vento no rosto. O segundo pau pulsando no short. O mundo parecendo&#8230; maior. Porque agora ele tem dois. E o segundo acabou de acordar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>11h32.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota t\u00e1 no banheiro do sobrado. Box pequeno, azulejo branco rachado, chuveiro que pinga mesmo fechado. Cueca no ch\u00e3o. Short de moletom no ch\u00e3o. Camiseta vinho pendurada na ma\u00e7aneta. Ele olha pra baixo. Dois p\u00eanis. Um normal. O segundo ainda vinte e cinco cent\u00edmetros. Vibrando levinho, como se tivesse vida pr\u00f3pria. A \u00e1gua cai quente. Jota pega o sabonete. Passa no peito. Desce. Toca o primeiro. Normal. Toca o segundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais intensa. Ele fecha os olhos. A m\u00e3o desce sozinha. Segura o segundo. Aperta. Responde com for\u00e7a. Pulsa mais forte. Jota geme baixo. A outra m\u00e3o desce pro primeiro. Dois paus. Duas m\u00e3os. Ele bate. Devagar no come\u00e7o. Depois mais r\u00e1pido. A \u00e1gua cai no rosto. No peito. Nos dois. Ele goza duas vezes. Primeiro o segundo. Jatos fortes, longos. Depois o primeiro. Menos. Mas goza. Jota apoia a testa no azulejo frio. Respira ofegante. A \u00e1gua lava tudo. Ele ri.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Caralho&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sai do banho. Enrola a toalha na cintura. O volume ainda marca. Imposs\u00edvel esconder. Veste o short de moletom mais folgado que tem. Ainda marca. Veste camiseta longa por cima. Melhor. Mas quem olhar vai ver. E vai. Jota pega a chave do Gol. Sai.<\/p>\n\n\n\n<p>Mercado. Precisa de guaran\u00e1. Precisa de normalidade. Entra no estacionamento. Desce. O short marca. Ele anda r\u00e1pido. Cabe\u00e7a baixa. Entra no mercado. Pega o carrinho. Vai pro corredor de refrigerante. Uma mulher de uns 30 anos passa do lado. Olha. Olha pra baixo. Olha pra cima. Sorri de canto. Jota sente o rosto queimar. O segundo pau&#8230; murcha um pouco. Dezoito cent\u00edmetros. A vergonha pesando mais que o tes\u00e3o. Pega seis garrafas de guaran\u00e1. Tamb\u00e9m passa pelo setor de cuecas e procura por umas maiores. Encontra umas tamanhos GG. Vai pro caixa. A mo\u00e7a do caixa olha. Olha pra baixo. Olha pra cima. Sorri aberto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 T\u00e1 calor hoje, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 T\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo pau volta. Vinte e cinco cent\u00edmetros de novo. S\u00f3 pelo sorriso dela.Jota sente crescer dentro do short. Paga r\u00e1pido. Sai. No carro, respira fundo. O segundo pau t\u00e1 duro de novo. S\u00f3 de lembrar do olhar das duas. Ele ri sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Porra&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Liga o motor. O 1.0 tosse. Pega. Engata a primeira. E vai pra casa. Porque agora o mundo \u00e9 diferente. E o segundo pau t\u00e1 gostando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>22h47.<\/p>\n\n\n\n<p>O quarto t\u00e1 escuro de novo. Jota deitado na cama, s\u00f3 de cueca boxer larga. O segundo pau t\u00e1 quieto agora. Vinte e cinco cent\u00edmetros. Pulsando baixo, como cora\u00e7\u00e3o secund\u00e1rio. A camiseta regata vinho t\u00e1 jogada na cadeira. Cheiro de guaran\u00e1 e suor. O isqueiro amarelo na mesa de cabeceira. O notebook fechado. O filme, bem ele est\u00e1 l\u00e1 ainda. O caderno ao lado, \u00edm\u00e3 frio na capa. Jota olha pro teto. Pensa no dia. No banho. No mercado. Nos olhares. Na mo\u00e7a do caixa que sorriu. Na mulher do corredor que olhou duas vezes. Pensa na mulher loira do filme.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;bem-vindo ao clube dos dois, querido&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ri baixo. Toca o segundo pau. Parte dele. Sempre foi. O primeiro reage tamb\u00e9m. Os dois endurecem juntos. Jota pega cada um com uma m\u00e3o. Bate. Devagar. Curtindo. Sem vergonha agora. Goza duas vezes. Forte. Longe. A cueca vira bagun\u00e7a. Ele ri. Tira a cueca. Joga no ch\u00e3o. Deita pelado.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois paus.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Um homem.<\/p>\n\n\n\n<p>Aceita\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo detalhe sempre esteve l\u00e1. Ele s\u00f3 precisava de um filme pirata de Agatha Christie \u00e0s 3h da manh\u00e3 pra finalmente ver. Jota pega o caderno. Abre. Anota embaixo da entrada anterior:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;22h47 &#8211; Dia completo. Banho. Mercado. Olhares. Mo\u00e7a sorriu. Segundo pau murchou (vergonha), depois voltou (sorriso). Aprendi: ele reage. Ele sente. Ele \u00e9 meu. Clube dos dois = casa agora.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Fecha o caderno. \u00cdm\u00e3 frio na capa. Guarda. Fecha os olhos. Dorme. Sonha com a mulher loira. Ela sorri.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Boa noite, membro do clube.<\/p>\n\n\n\n<p>E ele sorri de volta. Porque agora o clube dos dois \u00e9 casa. E ele nunca mais vai ser o mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas vai ser inteiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>03h14. O quarto t\u00e1 escuro, frio de Curitiba entrando pela janela entreaberta. A \u00fanica luz \u00e9 o azul do notebook no colo de Jota.&nbsp; A barra do torrent marca 87%. The_Second_Detail_(1978)_Agatha_Christie_1080p.mkv Jota morde o l\u00e1bio, n\u00e3o lembra de ter colocado esse filme para download. Mas diz que faz quarenta minutos que come\u00e7ou a baixar. 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