{"id":1337,"date":"2026-04-06T00:15:00","date_gmt":"2026-04-06T03:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/?post_type=capitulo&#038;p=1337"},"modified":"2026-03-05T21:32:18","modified_gmt":"2026-03-06T00:32:18","slug":"dez-motivos","status":"publish","type":"capitulo","link":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/livro\/dias-apos-um-fim\/capitulo\/dez-motivos\/","title":{"rendered":"Dez Motivos"},"content":{"rendered":"\n<p>O sal\u00e3o \u00e9 de pedra polida e ouro velho. Colunas altas sustentam o teto abobadado. Tochas azuis queimam nas paredes sem tremer, sem fazer barulho, luz m\u00e1gica que n\u00e3o precisa de ar. Ch\u00e3o de m\u00e1rmore reflete tudo como espelho turvo. No centro, uma mesa comprida. Ao redor, oficiais em armadura impec\u00e1vel. Uniformes vermelhos e dourados. Medalhas no peito. Postura militar r\u00edgida.<\/p>\n\n\n\n<p>No topo da mesa, ele.<\/p>\n\n\n\n<p>O general.<\/p>\n\n\n\n<p>Alto. Ombros largos. Uniforme branco imaculado. Cabelo loiro curto, penteado pra tr\u00e1s. Barba aparada com precis\u00e3o cir\u00fargica. Olhos azuis gelados. Voz grave que ecoa pelo sal\u00e3o quando fala.<\/p>\n\n\n\n<p>E ele fala.<\/p>\n\n\n\n<p>Estrat\u00e9gia. Honra. Vit\u00f3ria certa. Sacrif\u00edcio necess\u00e1rio. As palavras saem calculadas. Friamente. Cada s\u00edlaba no lugar certo. Os oficiais ouvem em sil\u00eancio absoluto. Ningu\u00e9m tosse. Ningu\u00e9m se mexe.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota est\u00e1 encostado numa coluna do fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Completamente deslocado.<\/p>\n\n\n\n<p>Camiseta regata vinho. Cal\u00e7a jeans velha. T\u00eanis surrado com cadar\u00e7o direito solto arrastando no ch\u00e3o de m\u00e1rmore. Mochila laranja jogada no ombro. Copo pl\u00e1stico de refrigerante na m\u00e3o. Do tipo que compra em posto de gasolina.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele d\u00e1 um gole. O l\u00edquido faz barulho no canudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas oficiais viram a cabe\u00e7a. Olham. Voltam pro general.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota d\u00e1 mais um gole. Mais barulho.<\/p>\n\n\n\n<p>O general para de falar. Olha pra ele. Friamente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Algo a acrescentar, civil?<\/p>\n\n\n\n<p>A voz corta como l\u00e2mina.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota tira o canudo da boca. Sorri de canto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Bonito discurso. \u2014 Pausa. \u2014 Mas cad\u00ea o martelo?<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio de gelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os oficiais congelam. Alguns olham pro general. Outros pro Jota. Ningu\u00e9m respira.<\/p>\n\n\n\n<p>O general vira devagar. O corpo todo. Os olhos azuis ficam mais claros. Quase brancos. A luz das tochas pisca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O que voc\u00ea disse?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota empurra a mochila pro ch\u00e3o. Larga o copo no ch\u00e3o, do lado. Encosta melhor na coluna. Cruza os bra\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea me ouviu. \u2014 Sorri mais. \u2014 Cad\u00ea o martelo, Thor?<\/p>\n\n\n\n<p>O nome ecoa.<\/p>\n\n\n\n<p>E ent\u00e3o acontece.<\/p>\n\n\n\n<p>A armadura do general racha.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o quebra. Racha. Como casca de ovo. Linhas de luz azul cortam o metal de dentro pra fora. O uniforme branco derrete. Vira fuma\u00e7a. Vira luz.<\/p>\n\n\n\n<p>O corpo cresce.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00fasculos explodem. Ombros alargam. Peito estufa. Bra\u00e7os grossos como troncos de \u00e1rvore. O cabelo loiro curto cresce, desce at\u00e9 os ombros, muda de cor, fica ruivo, selvagem, ondulado. A barba aparada explode em barba ruiva, densa, tran\u00e7ada nas pontas.<\/p>\n\n\n\n<p>Trov\u00e3o sacode o sal\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As tochas azuis viram brancas. Os copos nas mesas tilintam. Oficiais recuam. Alguns caem das cadeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>E ele est\u00e1 ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Thor.<\/p>\n\n\n\n<p>Completo.<\/p>\n\n\n\n<p>Armadura de metal negro e prata. Capa vermelha pesada. Olhos azuis el\u00e9tricos. E na m\u00e3o direita, girando devagar:<\/p>\n\n\n\n<p>Mj\u00f6lnir.<\/p>\n\n\n\n<p>O martelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Raios dan\u00e7am nas pontas dos dedos. O ch\u00e3o treme sob os p\u00e9s dele. A voz sai mais grave. Mais profunda. Mais divina.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea quer motivos, mortal?<\/p>\n\n\n\n<p>As ta\u00e7as vibram. As colunas rangem.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o se mexe. S\u00f3 olha. O sorriso cresce.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quero ver voc\u00ea contar dez. \u2014 Pausa. \u2014 Vai. Mostra pra todo mundo o quanto voc\u00ea \u00e9 foda.<\/p>\n\n\n\n<p>Thor ergue o martelo. Raios sobem pelo cabo. Iluminam o sal\u00e3o inteiro. Ele come\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 PRIMEIRO MOTIVO!<\/p>\n\n\n\n<p>A voz explode como trov\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 EU QUEBRO MONTANHAS COM UM SOCO!<\/p>\n\n\n\n<p>Ele bate o punho esquerdo na palma direita. O som ecoa. Pedras caem do teto.<\/p>\n\n\n\n<p>Os oficiais recuam mais. Alguns saem correndo. Outros ficam, olhos arregalados.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pega a mochila do ch\u00e3o. Abre. Tira o caderno de capa dura marrom. O \u00edm\u00e3 de geladeira cinza fosco est\u00e1 preso na capa. Logo do Posto Esso quase apagado. Abre numa p\u00e1gina em branco. Anota:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;1. Montanhas&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Thor continua:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 SEGUNDO MOTIVO! GIGANTES TREMEM QUANDO OUVEM MEU NOME!<\/p>\n\n\n\n<p>Ele grita o pr\u00f3prio nome. O sal\u00e3o inteiro vibra. Uma coluna racha no meio.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota anota:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;2. Gigantes&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 TERCEIRO MOTIVO! MEU MARTELO SEMPRE RETORNA \u00c0 MINHA M\u00c3O!<\/p>\n\n\n\n<p>Thor joga Mj\u00f6lnir pro alto. O martelo atravessa o teto. Faz um buraco perfeito. Some no c\u00e9u. Tr\u00eas segundos de sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Volta.<\/p>\n\n\n\n<p>Atravessa o buraco. Pousa na m\u00e3o de Thor como p\u00e1ssaro obediente.<\/p>\n\n\n\n<p>Oficiais aplaudem. Alguns gritam. Outros riem nervosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota anota:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;3. Martelo fiel&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 QUARTO MOTIVO! COMANDO TEMPESTADES COM UM PENSAMENTO!<\/p>\n\n\n\n<p>Thor fecha os olhos. Levanta a m\u00e3o livre.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 fora: trov\u00e3o. Chuva. Vento uivando. Rel\u00e2mpagos iluminam as janelas do sal\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele abre os olhos. A tempestade para. Sil\u00eancio absoluto.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota anota. N\u00e3o olha pra cima. S\u00f3 escreve.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;4. Tempo obedece&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 QUINTO MOTIVO! DERROTEI A SERPENTE DO MUNDO!<\/p>\n\n\n\n<p>Thor ergue o martelo. Raios formam uma imagem no ar. Serpente gigante. Oceano. Batalha. Sangue.<\/p>\n\n\n\n<p>A imagem desaparece.<\/p>\n\n\n\n<p>Oficiais gritam. Batem nas mesas. Vibram.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota boceja. Anota:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;5. Cobra grande&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 SEXTO MOTIVO! NENHUM MORTAL JAMAIS ME VENCEU!<\/p>\n\n\n\n<p>Thor bate o martelo no ch\u00e3o. O m\u00e1rmore racha. Fendas correm pelo sal\u00e3o inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pula de leve. Evita uma fenda. Continua anotando.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;6. Invicto (supostamente)&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns oficiais riem disso. Baixinho. Olham pro Jota. Olham pro Thor.<\/p>\n\n\n\n<p>Thor n\u00e3o ouve. Continua:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 S\u00c9TIMO MOTIVO! DEUSES MENORES SE CURVAM DIANTE DE MIM!<\/p>\n\n\n\n<p>Ele abre os bra\u00e7os. Raios sobem pelas colunas. A capa vermelha flutua sozinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota para de escrever. Olha pra mochila. Tira o isqueiro amarelo. Acende. Compara a chama pequena com os raios gigantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Apaga o isqueiro. Guarda. Volta a escrever.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;7. Ego&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais oficiais riem agora. Mais alto. Alguns saem da mesa. Ficam perto de Jota. Olhando o caderno. Lendo as anota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Thor n\u00e3o percebe. Peito estufado. Olhos brilhando. Voz cada vez mais alta:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 OITAVO MOTIVO! PROTEGI ASGARD POR MIL ANOS!<\/p>\n\n\n\n<p>Ele gira o martelo. Mais r\u00e1pido. Mais raios. Mais barulho.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota anota sem olhar pro deus:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;8. Curr\u00edculo extenso&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Oficiais explodem em gargalhadas agora. Batem nas costas uns dos outros. Apontam pro caderno. Repetem a frase.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Curr\u00edculo extenso!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele tem LinkedIn?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mil anos e nenhuma promo\u00e7\u00e3o!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Thor finalmente ouve. Vira a cabe\u00e7a. V\u00ea os oficiais rindo. V\u00ea o Jota anotando.<\/p>\n\n\n\n<p>Fica vermelho. Mais vermelho ainda.<\/p>\n\n\n\n<p>Aperta o martelo. Raios sobem mais violentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 NONO MOTIVO! MINHA FOR\u00c7A N\u00c3O TEM IGUAL NOS NOVE REINOS!<\/p>\n\n\n\n<p>A voz sai rouca. For\u00e7ada. O ego sangra pelas palavras.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota levanta a m\u00e3o. Tipo aluno em sala de aula.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Pergunta r\u00e1pida: voc\u00ea t\u00e1 contando isso pra gente ou pra voc\u00ea mesmo?<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois: explos\u00e3o de risos.<\/p>\n\n\n\n<p>Oficiais dobrados. Segurando a barriga. Alguns caem no ch\u00e3o. Outros batem nas mesas.<\/p>\n\n\n\n<p>Thor treme. O martelo pesa na m\u00e3o. Os raios ficam fracos. Inst\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ele continua. Porque precisa. Porque come\u00e7ou. Porque n\u00e3o pode parar agora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 D\u00c9CIMO MOTIVO&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele levanta o martelo pro c\u00e9u. Bra\u00e7os esticados. Pronto pro trov\u00e3o final. Pra apoteose. Pra gl\u00f3ria definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E AINDA ASSIM&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O cadar\u00e7o direito de Jota se solta.<\/p>\n\n\n\n<p>Completamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Arrasta no ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pra baixo. Suspira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Puta merda. De novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se abaixa. Bem devagar. Na frente de todo mundo. Na frente do deus da guerra com martelo erguido pro c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>Amarra o cadar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Direito. Esquerdo tamb\u00e9m, por garantia. N\u00f3 duplo. Firme.<\/p>\n\n\n\n<p>E quando levanta:<\/p>\n\n\n\n<p>Thor est\u00e1 congelado.<\/p>\n\n\n\n<p>Bra\u00e7os erguidos. Martelo no ar. Boca aberta. Olhos arregalados. Corpo r\u00edgido como est\u00e1tua.<\/p>\n\n\n\n<p>Os raios pararam no meio do caminho. Flutuando. Congelados.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota guarda o caderno na mochila. O \u00edm\u00e3 frio na palma quando fecha a capa. Fecha a mochila. Coloca no ombro.<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e1 um passo \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Voz baixa. Mas que corta o sil\u00eancio inteiro:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Dez motivos. \u2014 Pausa. \u2014 E zero humildade.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pro Thor congelado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Parab\u00e9ns, deus.<\/p>\n\n\n\n<p>O martelo fica mais pesado. Thor tenta segurar. N\u00e3o consegue. O bra\u00e7o come\u00e7a a tremer. Descer. Devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mj\u00f6lnir cai no ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O som ecoa pelo sal\u00e3o vazio.<\/p>\n\n\n\n<p>Thor continua de p\u00e9. Bra\u00e7os ainda erguidos. Mas vazios agora. Tremendo. O rosto vermelho. N\u00e3o de raiva.<\/p>\n\n\n\n<p>De vergonha.<\/p>\n\n\n\n<p>Os oficiais olham. Em sil\u00eancio agora. N\u00e3o riem mais. S\u00f3 observam.<\/p>\n\n\n\n<p>O deus que listou nove motivos do porqu\u00ea era foda.<\/p>\n\n\n\n<p>Congelado.<\/p>\n\n\n\n<p>Derrotado.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um mortal que parou pra amarrar o cadar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota vira as costas. Caminha entre os oficiais. Devagar. A mochila laranja balan\u00e7a no ombro. O t\u00eanis faz barulho no m\u00e1rmore rachado.<\/p>\n\n\n\n<p>Passa pela mesa. Passa pelas colunas. Passa pelas tochas azuis que voltaram a queimar em sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para na porta. Olha pra tr\u00e1s uma \u00faltima vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Thor continua ali. Bra\u00e7os tremendo. Rosto vermelho. Martelo no ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sorri.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Da pr\u00f3xima vez \u2014 ele fala \u2014 tenta come\u00e7ar com humildade.<\/p>\n\n\n\n<p>E sai.<\/p>\n\n\n\n<p>A porta se fecha sozinha.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 fora: campo de batalha medieval.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendas de guerra. Cavalos. Carro\u00e7as. Fogueiras. Guerreiros conversando. Armas sendo afiadas.<\/p>\n\n\n\n<p>E no meio de tudo:<\/p>\n\n\n\n<p>O Gol Bolinha Cinza Urban.<\/p>\n\n\n\n<p>Estacionado entre duas tendas.<\/p>\n\n\n\n<p>Completamente deslocado.<\/p>\n\n\n\n<p>Completamente perfeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota caminha em dire\u00e7\u00e3o ao carro. Passa entre guerreiros que olham estranho. Passa por fogueiras. Por cavalos.<\/p>\n\n\n\n<p>E ent\u00e3o v\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Rand Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p>Caminhando entre as tendas. Macac\u00e3o azul. Ferramentas no cinto. Cabelo bagun\u00e7ado. Olhar distante como sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele atravessa o campo de batalha como se fosse a rua do bairro. Passa por um grupo de guerreiros. Nenhum deles v\u00ea. Ou veem mas ignoram.<\/p>\n\n\n\n<p>Rand para. Olha pra uma carro\u00e7a. Cutuca uma roda. Balan\u00e7a a cabe\u00e7a. Continua andando.<\/p>\n\n\n\n<p>Desaparece atr\u00e1s de uma tenda vermelha.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fica parado. Olhando.<\/p>\n\n\n\n<p>Sorri.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Claro que ele t\u00e1 aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Continua andando.<\/p>\n\n\n\n<p>Chega no Gol. Abre. Entra. Joga a mochila no banco do passageiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Liga o motor.<\/p>\n\n\n\n<p>O barulho do 1.0 16v a etanol corta o sil\u00eancio \u00e9pico do campo de batalha.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns guerreiros olham. Franzem a testa. Voltam pro que estavam fazendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota d\u00e1 r\u00e9. Sai devagar entre as tendas.<\/p>\n\n\n\n<p>No retrovisor: o sal\u00e3o de pedra e ouro. As tochas azuis. A tempestade parando.<\/p>\n\n\n\n<p>E dentro, invis\u00edvel mas ainda ali:<\/p>\n\n\n\n<p>Um deus aprendendo que \u00e0s vezes o maior poder<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 saber quando calar a boca.<\/p>\n\n\n\n<p>E amarrar o cadar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sorri.<\/p>\n\n\n\n<p>Acelera.<\/p>\n\n\n\n<p>O Gol Bolinha desaparece na poeira do campo de batalha.<\/p>\n\n\n\n<p>Levando consigo o mortal que derrotou Thor.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem superpoderes.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem armas.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 com sarcasmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um caderno.<\/p>\n\n\n\n<p>E um cadar\u00e7o que se solta na hora certa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sal\u00e3o \u00e9 de pedra polida e ouro velho. Colunas altas sustentam o teto abobadado. Tochas azuis queimam nas paredes sem tremer, sem fazer barulho, luz m\u00e1gica que n\u00e3o precisa de ar. Ch\u00e3o de m\u00e1rmore reflete tudo como espelho turvo. No centro, uma mesa comprida. Ao redor, oficiais em armadura impec\u00e1vel. Uniformes vermelhos e dourados. 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