{"id":1341,"date":"2026-04-09T00:15:00","date_gmt":"2026-04-09T03:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/?post_type=capitulo&#038;p=1341"},"modified":"2026-03-05T21:37:55","modified_gmt":"2026-03-06T00:37:55","slug":"portas-e-martelos","status":"publish","type":"capitulo","link":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/livro\/dias-apos-um-fim\/capitulo\/portas-e-martelos\/","title":{"rendered":"Portas e Martelos"},"content":{"rendered":"\n<p>Jota corre.<\/p>\n\n\n\n<p>Corredor branco. Paredes lisas. Portas iguais de cada lado. Uma atr\u00e1s da outra. Sem fim. Sem janelas. S\u00f3 fluoresc\u00eancia fria zunindo no teto e o som dos pr\u00f3prios passos ecoando.<\/p>\n\n\n\n<p>Atr\u00e1s dele: passos pesados.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o olha pra tr\u00e1s. N\u00e3o precisa. Sabe que est\u00e1 ali. O perseguidor. Sem rosto. S\u00f3 sombra. S\u00f3 respira\u00e7\u00e3o grossa, \u00famida, pr\u00f3xima demais.<\/p>\n\n\n\n<p>A mochila laranja bate nas costas a cada passo. Regata vinho encharcada de suor. T\u00eanis batendo no ch\u00e3o, cadar\u00e7o direito j\u00e1 solto, arrastando. Mas n\u00e3o para. N\u00e3o pode parar.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeira porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Agarra a ma\u00e7aneta. Gira. Entra. Fecha atr\u00e1s de si.<\/p>\n\n\n\n<p>Sala pequena. Vazia. Ch\u00e3o de cimento. No centro: fios. Dezenas deles. Vermelho, azul, verde, amarelo, preto. Emaranhados como tripas. Duas caixas de metal nas extremidades. Uma acesa com luz verde. A outra apagada.<\/p>\n\n\n\n<p>Puzzle.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota se abaixa. M\u00e3os tremendo. Os passos do perseguidor param do lado de fora. Sil\u00eancio. Depois: respira\u00e7\u00e3o. Encostada na porta. Esperando.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota puxa o primeiro fio. Vermelho. Liga na caixa apagada. Nada. Puxa o azul. Conecta no vermelho. A luz verde pisca. Puxa o verde. Conecta no azul. A luz fica fixa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00daltimo fio. Preto. Liga no verde.<\/p>\n\n\n\n<p>Click.<\/p>\n\n\n\n<p>A porta do outro lado da sala se abre sozinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o olha pra tr\u00e1s. Atravessa. A porta se fecha. Os passos pesados recome\u00e7am atr\u00e1s dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Segunda porta. Abre antes mesmo de tocar na ma\u00e7aneta.<\/p>\n\n\n\n<p>Sala maior. Cadeira no centro. Um homem sentado. M\u00e3os no colo. Olhos vazios. N\u00e3o olha pra Jota. S\u00f3 olha pra frente. Pra nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota entra devagar. A porta se fecha sozinha atr\u00e1s dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o sente.<\/p>\n\n\n\n<p>Peso crescendo. Na palma direita. Nos dedos. Quente. S\u00f3lido. Formando.<\/p>\n\n\n\n<p>E ent\u00e3o est\u00e1 ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Martelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Grande. Pesado. Cabo de madeira gasto. Cabe\u00e7a de ferro manchada. N\u00e3o de ferrugem. De outra coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pro martelo. Olha pro homem.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem n\u00e3o se mexe.<\/p>\n\n\n\n<p>A porta do outro lado da sala continua fechada.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota d\u00e1 um passo \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem pisca. Uma vez. Devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro passo.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem vira a cabe\u00e7a. Encara Jota. Olhos fundos. Sem express\u00e3o. Sem medo. Sem nada.<\/p>\n\n\n\n<p>O bra\u00e7o sobe sozinho. Martelo suspenso no ar. Como se o corredor exigisse. Como se fosse a \u00fanica forma de abrir a pr\u00f3xima porta.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem continua olhando.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota respira fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Abaixa o bra\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>E a porta do outro lado se abre sozinha.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem volta a olhar pra frente. Pra nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota atravessa. O martelo continua na m\u00e3o. Pesado. Real.<\/p>\n\n\n\n<p>Os passos recome\u00e7am atr\u00e1s dele. Mais r\u00e1pidos agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Terceira porta \u00e0 vista. Mais dez metros.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota corre.<\/p>\n\n\n\n<p>O cadar\u00e7o direito arrasta no ch\u00e3o. Bate. Trope\u00e7a. Quase cai.<\/p>\n\n\n\n<p>Para.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pensa. S\u00f3 para.<\/p>\n\n\n\n<p>Se abaixa. Apoia o joelho no ch\u00e3o. Amarra o cadar\u00e7o. Direito. Esquerdo tamb\u00e9m, por via das d\u00favidas. Dedos r\u00e1pidos. N\u00f3 duplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os passos do perseguidor ficam mais altos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pra tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Sombra. Grande. Sem forma definida. Preenchendo o corredor inteiro. Avan\u00e7ando.<\/p>\n\n\n\n<p>Termina de amarrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Levanta.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebe.<\/p>\n\n\n\n<p>No ch\u00e3o. Exatamente onde ia pisar.<\/p>\n\n\n\n<p>Fio.<\/p>\n\n\n\n<p>Fino. Quase invis\u00edvel. Esticado de parede a parede. Conectado a algo na sombra acima.<\/p>\n\n\n\n<p>Se tivesse corrido. Se n\u00e3o tivesse parado. Teria pisado.<\/p>\n\n\n\n<p>E algo teria ca\u00eddo. Ou explodido. Ou pior.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota passa por cima do fio. Devagar. Cora\u00e7\u00e3o batendo no ouvido.<\/p>\n\n\n\n<p>Chega na terceira porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Abre.<\/p>\n\n\n\n<p>Entra.<\/p>\n\n\n\n<p>Fecha.<\/p>\n\n\n\n<p>Do lado de fora: um estrondo. Algo pesado caindo. Metal batendo em ch\u00e3o. Exatamente onde estava tr\u00eas segundos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota encosta na porta. Respira.<\/p>\n\n\n\n<p>O cadar\u00e7o salvou a vida dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Sala escura.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tem luz. S\u00f3 o que vaza por baixo da porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota tira a mochila laranja das costas. Abre. Tateia l\u00e1 dentro. Sente o caderno de capa dura marrom. O \u00edm\u00e3 de geladeira cinza fosco preso na capa. Logo do Posto Esso quase apagado. Frio. Morto. Sem brilhar.<\/p>\n\n\n\n<p>Abre o caderno. Arranca uma p\u00e1gina. Amassa. Pega o isqueiro amarelo do bolso da cal\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Acende.<\/p>\n\n\n\n<p>A chama ilumina poucos metros. Mas \u00e9 suficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>No centro da sala: poste de madeira. Um prego enferrujado fincado no topo. E pendurada no prego: chave.<\/p>\n\n\n\n<p>Velha. Ferrugem comendo o metal. Mas reconhec\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Do Gol Bolinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota solta a p\u00e1gina. Ela cai no ch\u00e3o, ainda queimando. Caminha at\u00e9 o poste. Arranca a chave. O metal raspa. Range. Sai.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesada. Gelada. Familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Guarda na mochila. Abre o compartimento principal. Enfia l\u00e1 dentro, no fundo, contra o tecido que toca as costas.<\/p>\n\n\n\n<p>A porta do outro lado se abre.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas algo mudou.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sente. Sabe, sem saber como.<\/p>\n\n\n\n<p>A chave precisa ficar ali. Na mochila. Tocando as costas.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as portas seguintes s\u00f3 v\u00e3o abrir se ela estiver ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Fecha a mochila. Coloca nas costas de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Atravessa.<\/p>\n\n\n\n<p>A p\u00e1gina no ch\u00e3o apaga sozinha quando a porta se fecha.<\/p>\n\n\n\n<p>Os passos recome\u00e7am. Mais lentos agora. Como se o perseguidor soubesse que n\u00e3o precisa mais correr.<\/p>\n\n\n\n<p>Quarta porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota empurra. A chave pesa na mochila. A porta cede f\u00e1cil.<\/p>\n\n\n\n<p>Sala enorme.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesa no centro. Coberta. Absolutamente coberta de doces.<\/p>\n\n\n\n<p>Balas coloridas. Bolos de chocolate. Brigadeiros brilhando. Pirulitos. Algod\u00e3o-doce. Tudo empilhado. Ca\u00f3tico. Como se algu\u00e9m tivesse juntado durante anos.<\/p>\n\n\n\n<p>E no canto. Sentado no ch\u00e3o. Costas na parede.<\/p>\n\n\n\n<p>Um homem.<\/p>\n\n\n\n<p>Obeso. Suado. Camiseta branca manchada. M\u00e3os gordas segurando um peda\u00e7o de bolo. Lambendo os dedos. Olhos vidrados. Fixos na mesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota d\u00e1 um passo.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem repara. N\u00e3o em Jota. Na porta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o deixa ele entrar \u2014 ele fala. Voz fina. Infantil. Apavorada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quem?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ele. O que vem atr\u00e1s. \u2014 Os olhos enchem de l\u00e1grimas. \u2014 Ele vai pegar tudo. Sempre pega. Nunca deixa nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olha pra porta. Fechada. Os passos ainda distantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quanto tempo voc\u00ea t\u00e1 aqui?<\/p>\n\n\n\n<p>O homem n\u00e3o responde. S\u00f3 morde outro peda\u00e7o de bolo. Engole sem mastigar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o a outra porta se abre.<\/p>\n\n\n\n<p>A do outro lado da sala.<\/p>\n\n\n\n<p>E entra.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma figura.<\/p>\n\n\n\n<p>Magra. Pele acinzentada, seca, esticada sobre os ossos. Olhos fundos, mas n\u00e3o vazios. Com fome. Dentes manchados. Andar cambaleante. Roupa rasgada. Cheiro azedo.<\/p>\n\n\n\n<p>Viva. De alguma forma. Ainda viva.<\/p>\n\n\n\n<p>A figura v\u00ea o homem obeso.<\/p>\n\n\n\n<p>Avan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem se encolhe. Abra\u00e7a a mesa. Grita.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00c3O! N\u00c3O! ELE VAI PEGAR TUDO!<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o pensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Levanta o martelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois passos \u00e0 frente. Entre a figura e o homem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Para.<\/p>\n\n\n\n<p>A figura para.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pra Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pro martelo.<\/p>\n\n\n\n<p>E recua.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois passos. Tr\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Se encolhe no ch\u00e3o. M\u00e3os na cabe\u00e7a. Joelhos no peito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o me bate\u2026 \u2014 a voz sai rouca. Quebrada. \u2014 Por favor\u2026 n\u00e3o me bate\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fica parado. Martelo erguido.<\/p>\n\n\n\n<p>A figura treme.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eu s\u00f3\u2026 eu s\u00f3 queria um\u2026 s\u00f3 um doce\u2026 \u2014 Solu\u00e7a. \u2014 Faz tanto tempo\u2026 tanto tempo que n\u00e3o como nada doce\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>O homem obeso continua abra\u00e7ado na mesa. Olhando. Chorando.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota repara.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dois. No medo. Na fome.<\/p>\n\n\n\n<p>Abaixa o martelo. Devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Pega um doce \u2014 Jota fala.<\/p>\n\n\n\n<p>A figura levanta a cabe\u00e7a. Olhos arregalados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 S\u00e9rio?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Pega. S\u00f3 um.<\/p>\n\n\n\n<p>A figura se levanta. Devagar. Cambaleante. Vai at\u00e9 a mesa. Estende a m\u00e3o tr\u00eamula. Pega um brigadeiro. Pequeno. Enrugado.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha pra Jota. Pra m\u00e3o. Pro brigadeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>P\u00f5e na boca.<\/p>\n\n\n\n<p>Mastiga.<\/p>\n\n\n\n<p>Fecha os olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1grimas descem pelo rosto cinza.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Obrigado\u2026 \u2014 a voz some num sussurro.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem obeso solta a mesa. Olha pra Jota. Olha pra figura. Hesita.<\/p>\n\n\n\n<p>Pega um peda\u00e7o de bolo. Estende.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Toma. Leva mais.<\/p>\n\n\n\n<p>A figura pega. Segura com as duas m\u00e3os. Como se fosse ouro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Obrigado\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>A porta do outro lado da sala se abre sozinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota guarda o martelo atr\u00e1s da cal\u00e7a. Sente a chave do Gol na mochila. V\u00ea os dois.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00eas v\u00e3o ficar bem?<\/p>\n\n\n\n<p>O homem obeso assente. A figura tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota atravessa a sala. Para na porta. Olha pra tr\u00e1s uma \u00faltima vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois est\u00e3o sentados juntos agora. Dividindo a mesa. Comendo devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota passa pela porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Do outro lado: corredor.<\/p>\n\n\n\n<p>Branco. Portas. Igual ao primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>O zumbido das l\u00e2mpadas sumiu. S\u00f3 o eco dos pr\u00f3prios passos.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota caminha. N\u00e3o corre. N\u00e3o precisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os passos atr\u00e1s dele continuam.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas mais distantes agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se o perseguidor tivesse desacelerado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou como se Jota tivesse aprendido a parar de correr.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3xima porta aparece \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele coloca a m\u00e3o na ma\u00e7aneta.<\/p>\n\n\n\n<p>Sente a chave do Gol na mochila.<\/p>\n\n\n\n<p>Sente o martelo nas costas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sente o cadar\u00e7o amarrado.<\/p>\n\n\n\n<p>E sabe.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem todo mundo ali quer briga. Alguns s\u00f3 t\u00eam medo do martelo. E alguns s\u00f3 precisam que algu\u00e9m pare. Que escolha n\u00e3o bater.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota abre a porta.<\/p>\n\n\n\n<p>O corredor continua.<\/p>\n\n\n\n<p>As portas continuam.<\/p>\n\n\n\n<p>O perseguidor continua.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas agora ele sabe.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o precisa resolver todos os puzzles com viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes. \u00c0s vezes basta hesitar.<\/p>\n\n\n\n<p>E escolher diferente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jota corre. Corredor branco. Paredes lisas. Portas iguais de cada lado. Uma atr\u00e1s da outra. Sem fim. Sem janelas. S\u00f3 fluoresc\u00eancia fria zunindo no teto e o som dos pr\u00f3prios passos ecoando. Atr\u00e1s dele: passos pesados. N\u00e3o olha pra tr\u00e1s. N\u00e3o precisa. Sabe que est\u00e1 ali. O perseguidor. Sem rosto. S\u00f3 sombra. 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