{"id":688,"date":"2026-01-08T00:15:00","date_gmt":"2026-01-08T03:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/?post_type=capitulo&#038;p=688"},"modified":"2026-03-11T22:23:35","modified_gmt":"2026-03-12T01:23:35","slug":"e-tudo-vai-ficar-pior","status":"publish","type":"capitulo","link":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/livro\/dias-apos-um-fim\/capitulo\/e-tudo-vai-ficar-pior\/","title":{"rendered":"E Tudo Vai Ficar Pior"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>E Tudo Vai Ficar Pior<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>PR\u00d3LOGO<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Jota tinha uma vida legal: respeitava os outros, tentava fazer com os outros o que queria que fizessem com ele, nadava seus 2.800 metros quase todo santo dia, resolvia crise alheia \u00e0s 4h da manh\u00e3, carregava sobrinho no colo, pagava conta sem alarde, ajudava quem era pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>E mesmo assim se fodia.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 que um belo dia morreu.<\/p>\n\n\n\n<p>E bem, Jota era aquilo que uns definiam como agn\u00f3stico ou ateu. Ele pr\u00f3prio s\u00f3 se dizia sem uma religi\u00e3o, sem uma f\u00e9 num Deus seja ele de que religi\u00e3o fosse.<\/p>\n\n\n\n<p>E quando morreu\u2026 putz\u2026 ele tava errado pra caralho.<\/p>\n\n\n\n<p>Existia p\u00f3s-vida. Existia Deus. Existia Diabo. Existia c\u00e9u, inferno, e pior: existia burocracia divina.<\/p>\n\n\n\n<p>E ele era bom em burocracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito bom.<\/p>\n\n\n\n<p>E teve tempo. Muito tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto na Terra passavam uns trinta e cinco anos, talvez quarenta, Jota constru\u00eda algo muito maior l\u00e1 onde quer que seja.<\/p>\n\n\n\n<p>E quando Daslu, Maju Kuzito e Little Boobs finalmente morreram \u2014 no mesmo exato dia, coincid\u00eancia do caralho \u2014, tudo estava pronto.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>O sagu\u00e3o celestial era um caos organizado: fila que n\u00e3o acabava mais, almas de tudo quanto \u00e9 canto, anjos de clipboard gritando nome, uma divis\u00f3ria gigante separando quem ia pro para\u00edso e quem ia descer de elevador.<\/p>\n\n\n\n<p>Daslu, Maju Kuzito e Little Boobs chegaram j\u00e1 no corpo glorificado: o melhor corpo que tiveram na vida, cabelo de comercial eterno, pele que brilhava sozinha, aquele glow de quem sempre foi capa de revista.<\/p>\n\n\n\n<p>Elas se olharam. Se admiraram. Quase tiraram selfie mental. Mas estavam assustadas pra caralho tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Estavam em pontos diferentes da fila, perdidas no meio de um monte de alma, quando o ambiente mudou.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas come\u00e7aram a abrir alas, como se o presidente tivesse chegado. Um sil\u00eancio pesado caiu. At\u00e9 os anjos abaixaram o olhar, respeitosos, quase com medo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma aura imponente cortou a multid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas figuras se destacaram da fila. N\u00e3o anjos. N\u00e3o dem\u00f4nios. Pessoas \u2014 o tipo de pessoa que chega num lugar novo, aprende o sistema mais r\u00e1pido que todo mundo e sobe sem fazer barulho. Cada uma foi direto a um ponto diferente da multid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Daslu Fran\u00e7a. Me acompanhe.<\/p>\n\n\n\n<p>Daslu levantou a cabe\u00e7a, confusa, mas j\u00e1 meio empolgada. Achando que era chamada pro lounge VIP.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Maju Kuzito. Por favor.<\/p>\n\n\n\n<p>Maju abriu caminho r\u00e1pido, sorrisinho de quem ganhou na loteria celestial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Little Boobs. Vem comigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Little n\u00e3o reconheceu a voz. Mas reconheceu o tom. Aquele tom de quem sabe exatamente o que vai acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>As tr\u00eas foram conduzidas pelo mesmo corredor lateral, sem se ver, sem saber das outras. Porta pesada, madeira escura, placa dourada: SALA DE ACOLHIMENTO ESPECIAL.<\/p>\n\n\n\n<p>Entraram.<\/p>\n\n\n\n<p>Os subordinados sentiram antes de qualquer sinal. Trocaram um olhar. E sa\u00edram sem uma palavra, fechando a porta atr\u00e1s de si.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele estava chegando.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>A sala era ampla, elegante e minimalista. Duas janelas enormes, uma de cada lado.<\/p>\n\n\n\n<p>E na parede do fundo, emoldurado como trof\u00e9u, um par de t\u00eanis surrado. Buraco no ded\u00e3o esquerdo, cadar\u00e7o direito solto, sola quase despregada.<\/p>\n\n\n\n<p>Embaixo, uma plaquinha dourada:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00c3O CONSEGUIU NO \u00daLTIMO MOMENTO&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>As tr\u00eas se olharam.<\/p>\n\n\n\n<p>Maju foi a primeira a falar:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea \u00e9 a Daslu.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o era pergunta. Era teste.<\/p>\n\n\n\n<p>Daslu deixou o sil\u00eancio durar um segundo a mais que o confort\u00e1vel. Depois ergueu o queixo, levemente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E voc\u00ea deve ser a Maju Kuzito.<\/p>\n\n\n\n<p>A baixinha de cabelo ruivo observava as duas sem se mover. Olhos que n\u00e3o perdiam nada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Little \u2014 ela disse, antes que perguntassem.<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio. As tr\u00eas sabiam da exist\u00eancia uma da outra. Tinham ouvido o nome. Visto foto. Cada uma carregava uma vers\u00e3o diferente da mesma hist\u00f3ria. Mas nunca tinham ligado os pontos.<\/p>\n\n\n\n<p>Daslu foi a \u00fanica que n\u00e3o perguntou nada. S\u00f3 olhou pro t\u00eanis emoldurado na parede e ficou quieta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Que lugar \u00e9 esse? \u2014 Maju perguntou, finalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma respondeu. Nenhuma conseguiu.<\/p>\n\n\n\n<p>A porta se abriu.<\/p>\n\n\n\n<p>Era Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele que n\u00e3o merecia resposta. Agora no terno mais caro que elas j\u00e1 viram, postura de quem reescreve eternidades, olhos que sugavam luz.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele olhou pras tr\u00eas. Deu aquele sorrisinho de canto que elas conheciam muito bem\u2026 s\u00f3 que agora gelava a alma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Queria ter vindo buscar cada uma pessoalmente. \u2014 Uma pausa. \u2014 Mas as tr\u00eas no mesmo dia&#8230; isso eu n\u00e3o previ.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m disse nada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Todas no mesmo dia. \u2014 Olhou devagar pra cada uma. \u2014 Que perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As tr\u00eas come\u00e7aram a falar ao mesmo tempo, atropelando palavras:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Jota?! Como assim voc\u00ea t\u00e1 aqui? Isso \u00e9 o c\u00e9u mesmo? Meu Deus, a gente subiu!<\/p>\n\n\n\n<p>Ele s\u00f3 fez um gesto de sil\u00eancio, voz macia como veludo:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Calma. \u00c9 a sala intermedi\u00e1ria. Mas voc\u00eas estavam certas o tempo todo. Agora v\u00e3o conhecer a eternidade\u2026 mas tem a parte burocr\u00e1tica. Todo lugar tem, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>Jota caminhou at\u00e9 a janela da direita e abriu as cortinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Luz dourada invadiu o ambiente. Jardins eternos, \u00e1rvores que brilhavam, rios de cristal, paz que emanava at\u00e9 da grama.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Esse \u00e9 o c\u00e9u \u2014 disse, calmamente.<\/p>\n\n\n\n<p>As tr\u00eas se aproximaram, olhos arregalados, tens\u00e3o dando lugar \u00e0 esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 \u00c9 lindo\u2026 \u2014 sussurrou Daslu.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota caminhou at\u00e9 a janela da esquerda e abriu as cortinas daquele lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Fogo. Gritos abafados. Fuma\u00e7a densa. Sombras se contorcendo em agonia. Calor que queimava s\u00f3 de olhar. Cheiro de enxofre invadindo a sala.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E esse \u00e9 o inferno \u2014 completou, ainda com a mesma calma. \u2014 Onde\u2026 bem, onde algumas pessoas v\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As tr\u00eas recuaram, horrorizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Meu Deus\u2026 \u2014 Maju Kuzito levou a m\u00e3o \u00e0 boca.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fechou a cortina do inferno, deixando s\u00f3 a luz dourada do para\u00edso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Relaxem. Voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o pra l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Daslu respirou aliviada:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Gra\u00e7as a Deus\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Literalmente \u2014 Jota deu aquele sorriso de canto.<\/p>\n\n\n\n<p>Little, mais ansiosa:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E agora? A gente vai pros jardins?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Paci\u00eancia. Ainda tem alguns pequenos detalhes. Preciso explicar tudo direitinho, mostrar o funcionamento, as regras\u2026 entendam.<\/p>\n\n\n\n<p>Maju franziu a testa:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Mas a gente j\u00e1 t\u00e1 aprovada, n\u00e9? Voc\u00ea disse que\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 S\u00f3 preciso conferir uns pormenores \u2014 Jota cortou, suave. \u2014 Formalidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele afrouxou o n\u00f3 da gravata, abriu o primeiro bot\u00e3o do palet\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>Por baixo do terno impec\u00e1vel, apareceu a barra de uma camiseta regata vinho. Rasgada. Surrada. Aquela mesma.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas viram, acharam estranho, mas n\u00e3o comentaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota deixou o sil\u00eancio durar um segundo exato. Depois virou de costas, casual, e foi at\u00e9 um arm\u00e1rio no canto da sala. e pegou algo que estava ali guardado.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma mochila laranja.<\/p>\n\n\n\n<p>As tr\u00eas reconheceram na hora. Cada uma por motivo diferente. Cada uma com uma mem\u00f3ria diferente daquela mochila.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota colocou a mochila sobre a mesa. Abriu o z\u00edper devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Tirou de dentro um caderno de capa dura marrom.<\/p>\n\n\n\n<p>Folheou com calma, parou numa p\u00e1gina, leu em sil\u00eancio. Virou outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Maju Kuzito perguntou, voz tr\u00eamula:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O que\u2026 o que \u00e9 isso?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Que \u00e9 isso, n\u00e3o lembra do meu caderno? \u2014 Jota fechou o caderno devagar. \u2014 Onde eu anotava tudo?<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio pesado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele enfiou a m\u00e3o no fundo da mochila e tirou um isqueiro amarelo.<\/p>\n\n\n\n<p>O sobrevivente.<\/p>\n\n\n\n<p>Acendeu na primeira. Chama firme, constante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Antes de mais nada, preciso contar como cheguei aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>As tr\u00eas ficaram paralisadas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Jota encostou na mesa, isqueiro aceso na m\u00e3o, olhando pras tr\u00eas como quem conta uma hist\u00f3ria ensaiada mil vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quando eu morri, subi pro julgamento. Um anjo de cara fechada, tablet celestial na m\u00e3o. Leu minha ficha em voz alta: Louvor a Deus: zero. Frequ\u00eancia em cultos: zero. Obras boas: v\u00e1rias. Pecados: os normais. Veredicto: inferno.<\/p>\n\n\n\n<p>Daslu arregalou os olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Mas\u2026 achava que voc\u00ea era bom!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Pois \u00e9. Mas o crit\u00e9rio n\u00e3o era ser bom. Era louvar. Era dobrar o joelho. Era cantar aleluia mesmo quando a vida t\u00e1 uma merda.<\/p>\n\n\n\n<p>Maju cortou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Sim, sempre soube disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota apagou o isqueiro, guardou no bolso, olhou s\u00e9rio pra Maju.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Por favor, sem interrup\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eu s\u00f3 ri na cara do anjo. Falei: &#8220;Discordo. Se \u00e9 assim, nem precisa me dar o veredicto, escolhi ir para o inferno, n\u00e3o serei hip\u00f3crita.&#8221; E virei as costas. Desci pelos meus pr\u00f3prios p\u00e9s.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea\u2026 foi pro inferno? \u2014 Little falou, espantada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Fui. Cheguei l\u00e1 esperando fogo e tortura.<\/p>\n\n\n\n<p>Pausa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Mas o inferno, meninas, \u00e9 uma empresa. Tem hierarquia. Tem departamento. Tem reuni\u00e3o de alinhamento toda segunda. \u2014 Sorriu. \u2014 E eu sempre fui \u00f3timo nisso.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota come\u00e7ou a andar pela sala, m\u00e3os nos bolsos, camiseta regata vinho aparecendo mais a cada movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Em algum tempo j\u00e1 era supervisor. Castigos personalizados, departamento de inova\u00e7\u00f5es. Em mais outros anos, diretor. Transformei a monotonia em tormento de verdade. Fiz o inferno virar O INFERNO.<\/p>\n\n\n\n<p>Pausa. Olhou pras tr\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Mas n\u00e3o bastava. O problema tava nos dois lados.<\/p>\n\n\n\n<p>Virou-se pra elas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ent\u00e3o eu subi. Tentei falar com os anjos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pausa pesada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eles n\u00e3o sabiam direito o que fazer comigo. Pensavam que eu queria subir, mas eu queria era atualizar tudo, o que era estranho pra eles. Fui tendo um contato ou outro, ouvindo hist\u00f3rias, descobrindo o funcionamento, me enturmando. E o pessoal, incrivelmente, come\u00e7ou a gostar de mim. Ajudei em v\u00e1rios problemas, resolvi v\u00e1rios gargalos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sorriu.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A\u00ed eu descobri uma brecha. Tecnicamente, eu n\u00e3o era &#8220;condenado&#8221;. Eu tinha RECUSADO o julgamento e escolhido descer. Vontade pr\u00f3pria documentada.<\/p>\n\n\n\n<p>Daslu sussurrou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O que voc\u00ea fez?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Levou tempos celestiais pra convencer. Os anjos s\u00e3o iguais ao Diabo em teimosia. Mas eu tinha algo que eles n\u00e3o tinham.<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Paci\u00eancia, l\u00f3gica e filosofia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele caminhou at\u00e9 a mesa, pegou o caderno.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A\u00ed eu apresentei uma proposta. Na Terra sempre acreditaram em Purgat\u00f3rio, n\u00e9? Aquele lugar do meio. Revis\u00e3o dos pecados. Segunda chance.<\/p>\n\n\n\n<p>Maju assentiu, confusa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Spoiler: n\u00e3o existia. Nunca existiu. Era tudo ou nada. C\u00e9u ou inferno. Louvor ou fogo. Ent\u00e3o eu propus criar a PURGA\u00c7\u00c3O. Moderniza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a divina. Os anjos acharam lindo. At\u00e9 Deus aprovou.<\/p>\n\n\n\n<p>Pausa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 S\u00f3 que Deus delega muito. Os anjos escrevem as regras intermedi\u00e1rias. E anjos s\u00e3o burocr\u00e1ticos pra caralho \u2014 mais que qualquer RH que j\u00e1 vi. Ent\u00e3o eu me ofereci pra redigir os contratos.<\/p>\n\n\n\n<p>Little sussurrou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O que voc\u00ea fez?<\/p>\n\n\n\n<p>Ele abriu o caderno numa p\u00e1gina espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Escrevi cada cl\u00e1usula. Cada crit\u00e9rio. Cada&#8230; exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Virou o caderno de frente. Mostrou os nomes escritos \u00e0 m\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>Daslu Fran\u00e7a Maju Kuzito Little Boobs<\/p>\n\n\n\n<p>E abaixo de cada nome, uma lista. Longa. Detalhada.<\/p>\n\n\n\n<p>As tr\u00eas olharam pros pr\u00f3prios nomes. A ficha caiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Maju come\u00e7ou a chorar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E nas letras pequenas, bem no rodap\u00e9 da p\u00e1gina 847, par\u00e1grafo 3, subitem C&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Leu em voz alta, devagar:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 &#8220;Crueldade emocional direcionada a indiv\u00edduo espec\u00edfico, com padr\u00e3o repetitivo documentado, resulta em condena\u00e7\u00e3o imediata, sem recurso, independente de louvor p\u00fablico.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele fechou o caderno com for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Sabe o que aconteceu quando terminei?<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O Diabo me chamou. Disse: &#8220;Se voc\u00ea conseguir fazer o C\u00e9u aceitar isso&#8230; eu prometo pra voc\u00ea as almas que voc\u00ea quiser.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Pausa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E Deus? Deus tamb\u00e9m prometeu. &#8220;Se o Inferno concordar com tua proposta de justi\u00e7a&#8230; eu te concedo autoridade sobre aqueles que te feriram.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Sorriu.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ambos os lados me prometeram voc\u00eas. Separadamente. Sem saber que o outro tamb\u00e9m tinha prometido.<\/p>\n\n\n\n<p>Little cobriu a boca com a m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Mas eu n\u00e3o confio em promessa. Nem de Diabo. Nem de Deus. Ent\u00e3o eu fiz mais. Garanti. Com lei, com contatos, com autoridade dos dois lados. Sem brechas. Sem recursos. Tudo documentado, tudo assinado, tudo irrevers\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele apontou pro caderno.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Pra garantir que n\u00e3o importasse pra onde voc\u00eas fossem&#8230; c\u00e9u ou inferno&#8230; voc\u00eas cairiam aqui. Comigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Daslu cobriu o rosto com as m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Todo esse tempo. Pra reescrever eternidade. Pra garantir que quando voc\u00eas finalmente chegassem aqui&#8230; n\u00e3o tivessem pra onde correr.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele abriu o caderno novamente. Come\u00e7ou a ler em voz alta. Frio. Preciso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Daslu Fran\u00e7a. Sumia por semanas. Deixava no v\u00e1cuo. Respondia &#8220;t\u00f4 bem&#8221; quando tava mal s\u00f3 pra n\u00e3o dar aten\u00e7\u00e3o. Fazia ele se sentir invis\u00edvel. E quando ele implorava por uma conversa de verdade, voc\u00ea bloqueava. Desaparecia. Voltava meses depois como se nada tivesse acontecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Daslu sentiu as pernas fraquejarem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Maju Kuzito. Usou ele uma vez. Transou, gozou, levantou e disse: &#8220;Foi s\u00f3 uma vez, relaxa.&#8221; Debochou na frente das amigas. Tratou como lixo descart\u00e1vel. Quando ele tentou uma conversa, voc\u00ea riu.<\/p>\n\n\n\n<p>Maju solu\u00e7ava.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Little Boobs. Brincou com os sentimentos durante anos. Dava migalha de aten\u00e7\u00e3o. Fugia toda vez que ele se aproximava de verdade, mas voltava quando tava carente. Usava ele de banco emocional 24 horas. E quando ele finalmente pediu uma chance, voc\u00ea sumiu. Sem explica\u00e7\u00e3o. Sem despedida.<\/p>\n\n\n\n<p>Little Boobs caiu de joelhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Hist\u00f3rias diferentes. Mulheres diferentes. O padr\u00e3o era o mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele fechou o caderno. Devagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Caminhou at\u00e9 ficar bem perto delas. Voz baixa, quase carinhosa:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Faz ideia do quanto eu esperei?<\/p>\n\n\n\n<p>Little estava paralisada. Maju solu\u00e7ava. Daslu tremia inteira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o foi uma bala pelas costas. Foi pior. Foi humilha\u00e7\u00e3o. Abandono. Promessas quebradas. Cada vez que voc\u00eas me usaram e jogaram fora como lixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele deu dois passos pra tr\u00e1s, olhou pras tr\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Mas sabe o que \u00e9 bom? Eu devo admitir&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Pausa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Na Terra, quando morre, \u00e9 de uma vez. Acabou. Fim.<\/p>\n\n\n\n<p>Sorriu aquele sorriso gelado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Mas aqui? Daqui do inferno n\u00e3o tem jeito de fugir. E voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o morrer de uma vez. Voc\u00eas v\u00e3o morrer todo dia. Pra sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ficou parado um momento. Olhou pras tr\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Daslu foi a primeira a entender o que aquela pausa poderia significar. Deu um passo \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Jota\u2026 a gente pode conversar sobre isso?<\/p>\n\n\n\n<p>Ele olhou pra ela. N\u00e3o disse nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Maju tentou tamb\u00e9m, voz tr\u00eamula:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eu entendo que voc\u00ea t\u00e1 com raiva. Mas isso aqui\u2026 isso n\u00e3o pode ser o fim.<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Little n\u00e3o falou. S\u00f3 olhou.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pegou o isqueiro amarelo. Acendeu.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Bem, cansei de explicar. Hora de mostrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele leu os nomes em voz alta. Cada s\u00edlaba um sino de condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Fechou o caderno com um estalo que ecoou como trov\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Aproximou a chama.<\/p>\n\n\n\n<p>O caderno inteiro pegou fogo de uma vez.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E foi por isso que eu esperei. Pelo dia de voc\u00eas aparecerem aqui. Pra mostrar o que eu planejei nesse tempo todo.<\/p>\n\n\n\n<p>O ch\u00e3o se abriu como se j\u00e1 esperasse o momento. Vento quente subiu do abismo, cheiro de enxofre queimando a garganta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E agora&#8230; eu tenho a eternidade toda pra fazer isso aqui ficar pior.<\/p>\n\n\n\n<p>Jogou o caderno em chamas no abismo.<\/p>\n\n\n\n<p>As tr\u00eas nem tiveram tempo de gritar.<\/p>\n\n\n\n<p>Daslu, Maju e Little despencaram, gritando, se debatendo, caindo em dire\u00e7\u00e3o ao fogo eterno.<\/p>\n\n\n\n<p>Do fundo do abismo, uma m\u00fasica come\u00e7ou. Guitarra rasgada, bateria suja, aquela voz rouca que ele sempre ouviu nos piores dias.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>L\u00e1 embaixo, nas c\u00e2maras personalizadas do novo inferno:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MAJU KUZITO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acordou numa cama.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota se levantou, vestiu a cal\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Foi bom pra caralho. Valeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela sorriu, esperan\u00e7osa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A gente se v\u00ea depois?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Foi s\u00f3 uma vez. Relaxa.<\/p>\n\n\n\n<p>Porta bateu.<\/p>\n\n\n\n<p>O som da porta batendo ecoa. Sempre ecoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela sente tudo. A esperan\u00e7a. O desejo. A rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>VIVE cada segundo.<\/p>\n\n\n\n<p>E recome\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem fim.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>DASLU<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acordou numa sala branca. Cheia de gente.<\/p>\n\n\n\n<p>Gritou. Ningu\u00e9m olhou.<\/p>\n\n\n\n<p>Mandou mensagem. Ningu\u00e9m respondeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Postou story. Zero visualiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela existe. Todos a veem.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ningu\u00e9m A V\u00ca.<\/p>\n\n\n\n<p>O som do sil\u00eancio \u00e9 ensurdecedor.<\/p>\n\n\n\n<p>E recome\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Eternamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LITTLE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acordou correndo num corredor.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota dez metros \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela gritou o nome dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele virou, sorriu.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela correu at\u00e9 o pulm\u00e3o queimar.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase alcan\u00e7ou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele desapareceu.<\/p>\n\n\n\n<p>O gosto de sangue na boca. Sempre o mesmo gosto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela VIVE a esperan\u00e7a. O desejo. A frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E recome\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Pra sempre.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>EP\u00cdLOGO<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>L\u00e1 em cima, na sala especial, Jota apagou o isqueiro amarelo, guardou no bolso, pegou a mochila laranja e jogou nas costas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ajeitou o palet\u00f3, cobriu a camiseta regata vinho de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Virou de costas.<\/p>\n\n\n\n<p>Caminhou em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta.<\/p>\n\n\n\n<p>E chamou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Entre a pr\u00f3xima.<\/p>\n\n\n\n<p>A porta se fechou.<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio absoluto.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas segundos que pareceram eternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>E ent\u00e3o a m\u00fasica explodiu do fundo do abismo, ecoando pelas paredes da eternidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E Tudo Vai Ficar Pior PR\u00d3LOGO Jota tinha uma vida legal: respeitava os outros, tentava fazer com os outros o que queria que fizessem com ele, nadava seus 2.800 metros quase todo santo dia, resolvia crise alheia \u00e0s 4h da manh\u00e3, carregava sobrinho no colo, pagava conta sem alarde, ajudava quem era pr\u00f3ximo. 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