{"id":698,"date":"2026-01-09T00:15:00","date_gmt":"2026-01-09T03:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/?post_type=capitulo&#038;p=698"},"modified":"2026-03-26T10:51:29","modified_gmt":"2026-03-26T13:51:29","slug":"o-coracao-do-parque","status":"publish","type":"capitulo","link":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/livro\/dias-apos-um-fim\/capitulo\/o-coracao-do-parque\/","title":{"rendered":"O Cora\u00e7\u00e3o do Parque"},"content":{"rendered":"\n<p>Jota tinha 44 anos, 1,83 m, 110 kg de quem j\u00e1 nadou s\u00e9rio e depois deixou a vida engordar um pouco. N\u00e3o fumava, n\u00e3o bebia, s\u00f3 cheirava de vez em quando pra lembrar que ainda existia. Todo mundo o chamava de Jota desde sempre \u2014 at\u00e9 a m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhava de noite no Parque das Luzes fazia duas semanas \u2014 desde que o Rand Oliveira sumiu. No parque, Jota era s\u00f3 o ajudante da piscina de bolinhas e do carrossel \u2014 mas Rand era seu amigo, e ensinou o que p\u00f4de. Agora era o t\u00e9cnico oficial, pelo menos no papel. Na pr\u00e1tica, n\u00e3o consertava direito nem torneira \u2014 mas as coisas voltavam a funcionar, e ele nunca soube explicar como.<\/p>\n\n\n\n<p>O Rand era o t\u00e9cnico de verdade. Cabelo grisalho que ele jurava que ia cortar segunda-feira, barba de tr\u00eas dias que virou permanente. Magro daquele jeito de quem carrega peso e esquece de comer. Sempre de macac\u00e3o azul desbotado e caixinha de som tocando techno pulsante no \u00faltimo volume. Ele entendia aquele lugar como ningu\u00e9m. Dizia que parque de divers\u00f5es n\u00e3o \u00e9 m\u00e1quina, \u00e9 bicho. Tem hora que precisa de carinho, tem hora que morde.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edcia veio, perguntou, saiu. A fam\u00edlia fez cartaz. Nada. O boato entre os funcion\u00e1rios foi que o parque tinha engolido ele. Jota riu na hora.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas semanas depois, parou de rir.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014\u2014\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Primeira noite sozinho ele levou a caixa de ferramentas do Rand e a mochila laranja nas costas \u2014 lanterna, alicate, o caderno marrom que carregava desde sempre sem saber bem por qu\u00ea. Ferramentas que n\u00e3o iam resolver nada, mas ele ainda n\u00e3o sabia disso.<\/p>\n\n\n\n<p>O parque fechado parecia outro: as luzes apagavam, mas as l\u00e2mpadas piscavam sozinhas, como se tivessem vida pr\u00f3pria. O vento entrava pelos dutos e fazia um som de respira\u00e7\u00e3o funda.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ou pelos canos do lago artificial. Vazamento filha da puta que ningu\u00e9m achava h\u00e1 semanas. Abriu a tampa, enfiou a chave, apertou com for\u00e7a de quem quer provar que d\u00e1 conta. A rosca espanou na hora. O metal gritou. \u00c1gua jorrou no peito dele, gelada, deixando ele encharcado e puto.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota ouviu uma risada baixa atr\u00e1s dele. Virou r\u00e1pido. Nada. S\u00f3 o escuro e um cheiro adocicado, quase podre, que n\u00e3o devia existir.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentou no ch\u00e3o molhado, regata vinho grudada no corpo, t\u00eanis surrado com o cadar\u00e7o direito encharcado e solto, e lembrou do Rand ensinando:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Jota, parafuso n\u00e3o \u00e9 pra ganhar briga. \u00c9 pra segurar. Se apertar demais, quebra. Se deixar frouxo demais, cai. O segredo \u00e9 ouvir o metal falar.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela noite ele n\u00e3o ouviu porra nenhuma. S\u00f3 apertou mais. Quebrou tr\u00eas roscas, gastou duas horas e saiu de l\u00e1 com a sensa\u00e7\u00e3o de que o parque ria dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando passou pelo carrossel, o vento mudou. Parou de soprar e come\u00e7ou a&#8230; circular. Como se algo grande tivesse acabado de respirar. Os cavalinhos balan\u00e7aram levemente nas correntes, met\u00e1licos, mudos.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota parou, cora\u00e7\u00e3o na boca.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sa\u00edda, olhou pra tr\u00e1s. O parque inteiro parecia respirar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014\u2014\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda noite ele j\u00e1 chegou com medo. Trouxe um terer\u00e9 gelado e a caixinha de som do Rand. Ligou. Techno baixo, batida marcando o tempo no sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>As grades tremiam mais que o normal. O vento parecia trazer vozes \u2014 risadas de crian\u00e7a que n\u00e3o existiam mais, gritinhos de quem desce o kamikaze, um &#8220;olha o algod\u00e3o!&#8221; distante.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi direto pro trem-fantasma. O Rand dizia que ali era o cora\u00e7\u00e3o do parque. O trilho rangia mesmo sem trem. Entrou pelo corredor de manuten\u00e7\u00e3o, lanterna na testa, 110 kg espremidos entre caveiras de isopor e teias falsas. O cheiro de mofo misturado com algo doce, queimado.<\/p>\n\n\n\n<p>Passou a m\u00e3o no trilho. O metal pulsou. Ou foi o pulso dele? N\u00e3o tinha certeza mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota ouviu um som conhecido. Uma batida r\u00edtmica, quase eletr\u00f4nica, que o Rand fazia com a boca enquanto trabalhava \u2014 tic-tic-tum, tic-tic-tum. Parou. O isqueiro amarelo, que ele nem lembrava de ter trazido, riscou sozinho no bolso da mochila. Uma chama r\u00e1pida, amarela, apagou sozinha.<\/p>\n\n\n\n<p>A batida continuou, vindo do fim do t\u00fanel. Chamou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Rand?<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio. Depois a batida recome\u00e7ou, mais perto.<\/p>\n\n\n\n<p>Correu pra fora. O cora\u00e7\u00e3o batendo t\u00e3o forte que parecia ecoar nas ferragens.<\/p>\n\n\n\n<p>Passou a noite inteira ouvindo coisas. Um &#8220;Jota\u2026&#8221; abafado saindo do alto-falante quebrado da roda-gigante. Um r\u00e1dio chiando &#8220;cuidado com o parafuso&#8221; na frequ\u00eancia morta. Chiados que viravam quase palavras, quase avisos.<\/p>\n\n\n\n<p>Perto das quatro da manh\u00e3 sentou no banco em frente ao carrossel, exausto. A lanterna enfraquecendo. Foi a\u00ed que viu a sombra. Uma silhueta magra, macac\u00e3o azul, barba por fazer, parada entre os cavalinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Levantou de um pulo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Rand, porra!<\/p>\n\n\n\n<p>A sombra n\u00e3o se mexeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota piscou.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando abriu os olhos, n\u00e3o tinha ningu\u00e9m. Mas o carrossel estava diferente. Tinha certeza. O cavalinho branco estava mais perto da grade. Ou sempre esteve?<\/p>\n\n\n\n<p>O cheiro de cigarro que o Rand fumava escondido (mesmo dizendo que tinha parado) ficou no ar por minutos.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela noite n\u00e3o consertou nada. S\u00f3 ouviu.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014\u2014\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Na terceira noite ele j\u00e1 chegou rendido.<\/p>\n\n\n\n<p>Levou uma garrafa de terer\u00e9, a caixinha de som desligada e nenhuma vontade de brigar com parafuso. O parque o recebeu com sil\u00eancio \u2014 o pior tipo de sil\u00eancio, aquele que parece esperar.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi direto pro carrossel. Sentou no ch\u00e3o, encostou as costas na grade central. O metal tava quente. Pulsava. Devagar, ritmado.<\/p>\n\n\n\n<p>Abriu o caderno marrom que tava no bolso lateral da mochila. Folheou as p\u00e1ginas sujas. Nomes de mulheres que ele amou e perdeu, anota\u00e7\u00f5es tentando entender onde tinha errado, onde tinha apertado demais o amor at\u00e9 espanar.<\/p>\n\n\n\n<p>Fechou o caderno r\u00e1pido. O parque pulsava mais forte que qualquer ex.<\/p>\n\n\n\n<p>Fechou os olhos. O cheiro doce queimado voltou, mais forte que nunca, envolvendo ele inteiro. Ouviu a batida do Rand bem perto, quase dentro do ouvido \u2014 tic-tic-tum, tic-tic-tum.<\/p>\n\n\n\n<p>Colocou a m\u00e3o no motor. Sentiu o calor subir pelo bra\u00e7o, entrar no peito. As m\u00e3os viraram metal quente por um segundo. O motor deu um giro. Um s\u00f3. Lento, deliberado, pesado como decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Parou.<\/p>\n\n\n\n<p>O cavalinho branco ficou exatamente na frente dele.<\/p>\n\n\n\n<p>No estribo, gravado com canivete, letras tortas de quem escreveu no escuro:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;n\u00e3o aperta demais jota&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Sem v\u00edrgula, sem ponto. Com erro de mai\u00fascula que o Rand sempre fazia.<\/p>\n\n\n\n<p>Abriu os olhos marejados. 44 anos, 110 kg, sentado no ch\u00e3o de um parque fechado, chorando por um amigo que talvez nunca tenha sa\u00eddo dali.<\/p>\n\n\n\n<p>Abriu o caderno de novo. Escreveu, letra tremida:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;n\u00e3o aperta demais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Levantou devagar. Deixou a caixa de ferramentas no ch\u00e3o. Quando chegou no port\u00e3o e olhou pra tr\u00e1s, o carrossel continuava parado.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tinha certeza que o cavalinho branco o observava.<\/p>\n\n\n\n<p>O Gol Bolinha cinza esperava l\u00e1 fora, fiel como sempre. Jota olhou pro painel: 04h17. Hor\u00e1rio de quem ainda tem pra onde voltar.<\/p>\n\n\n\n<p>Entrou, mas n\u00e3o ligou o carro. Ficou sentado ali, m\u00e3os no volante, olhando o parque respirar no retrovisor.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabia que ia voltar.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sabia por qu\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014\u2014\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Passou o dia seguinte tentando n\u00e3o pensar. Ligou pra m\u00e3e, disse que tava tudo bem. Almo\u00e7ou marmitex de isopor olhando pro nada. Quando anoiteceu, o corpo j\u00e1 sabia: ia voltar. N\u00e3o era coragem. Era fim de escolha.<\/p>\n\n\n\n<p>Na quarta noite ele n\u00e3o levou nada. Nem terer\u00e9, nem lanterna, nem chave inglesa. S\u00f3 ele, 44 anos, 110 kg de carne cansada e um cora\u00e7\u00e3o que j\u00e1 n\u00e3o sabia mais onde terminava o dele e come\u00e7ava o do parque.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegou \u00e0s duas da manh\u00e3. O port\u00e3o de servi\u00e7o estava aberto \u2014 nunca ficava. Algu\u00e9m (ou algo) j\u00e1 esperava.<\/p>\n\n\n\n<p>O cheiro de algod\u00e3o-doce queimado o acertou assim que pisou no concreto rachado. Doce demais, podre nas bordas, igual mem\u00f3ria antiga que a gente sabe que vai doer mas cheira mesmo assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Andou devagar. Os brinquedos o saudaram um a um.<\/p>\n\n\n\n<p>A roda-gigante acendeu uma luz vermelha solit\u00e1ria, piscou tr\u00eas vezes e apagou. O kamikaze baixou os bra\u00e7os como quem cumprimenta. O trem-fantasma soltou batidas ritmadas \u2014 tic-tic-tum, tic-tic-tum \u2014 o techno que o Rand repetia, perfeito, hipn\u00f3tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota sorria sem querer. Porque agora entendia a l\u00edngua deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Parou no centro do parque, bem onde as quatro alamedas se encontram. Olhou pro c\u00e9u de Curitiba, roxo de nuvem baixa, e falou alto, pra quem quisesse ouvir:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Rand, eu vim. Pode parar de bater, seu filho da puta.<\/p>\n\n\n\n<p>Sil\u00eancio absoluto por tr\u00eas segundos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois o carrossel ligou.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi giro lento de fantasma. Foi liga\u00e7\u00e3o REAL \u2014 clac-clac-clac do motor engrenando, luzes coloridas acendendo uma a uma, a m\u00fasica mec\u00e2nica come\u00e7ando baixa e subindo de volume. Como se o parque inteiro tivesse acordado pra receb\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um cavalinho branco parou na frente dele. Im\u00f3vel, mas de algum modo&#8230; atento.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota n\u00e3o tinha mais medo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentou no ch\u00e3o de concreto frio, de pernas cruzadas, palma da m\u00e3o aberta sobre a grade do carrossel. Deixou acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>O cheiro mudou. N\u00e3o era mais algod\u00e3o queimado \u2014 era cigarro barato, o Camel sem filtro que o Rand fumava \u00e0s escondidas atr\u00e1s do trem-fantasma. Espec\u00edfico demais pra ser mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O Rand apareceu de verdade dessa vez. N\u00e3o era sombra. Era ele: cabelo grisalho que ia cortar segunda-feira, barba de tr\u00eas dias, olhos cansados mas com aquele sorriso torto de quem sabe o segredo do universo e n\u00e3o conta pra ningu\u00e9m. Macac\u00e3o azul desbotado, manga esquerda dobrada no cotovelo \u2014 a cicatriz da queimadura vis\u00edvel no antebra\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se agachou do lado de Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Demorou.<\/p>\n\n\n\n<p>A voz saiu do ar, n\u00e3o da boca dele. Mas era a voz dele.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eu tava tentando consertar, Rand. Apertei demais, quebrei tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eu sei. Eu vi. Todo mundo que chega aqui faz isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota olhou pros pr\u00f3prios p\u00e9s. O t\u00eanis surrado com o cadar\u00e7o direito desfiado parecia afundar no concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Tenho 44 anos, Rand. Ainda tenho conta pra pagar, m\u00e3e pra visitar&#8230; ainda tenho vida l\u00e1 fora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00ea teve. Agora tem aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eu t\u00f4 com medo.<\/p>\n\n\n\n<p>Rand p\u00f4s a m\u00e3o no ombro dele. A m\u00e3o atravessou. Mas Jota sentiu o peso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ent\u00e3o solta, Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E se quebrar tudo?<\/p>\n\n\n\n<p>Rand sorriu torto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 J\u00e1 quebrou. Agora s\u00f3 respira.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota fechou os olhos. Soltou.<\/p>\n\n\n\n<p>Um formigamento percorreu os bra\u00e7os e as pernas. O corpo inteiro vibrava na mesma frequ\u00eancia do motor. As m\u00e3os viraram metal quente. Os p\u00e9s afundaram no concreto at\u00e9 n\u00e3o serem mais p\u00e9s. O cora\u00e7\u00e3o bateu uma \u00faltima vez sozinho, depois fundiu no compasso geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentiu o motor pulsar dentro dele. Sentiu os trilhos correrem nas veias. Sentiu cada l\u00e2mpada acender como se fosse batimento card\u00edaco \u2014 n\u00e3o dele, de todos que j\u00e1 tinham parado de apertar.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando abriu os olhos, j\u00e1 n\u00e3o estava sentado no ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele era o cavalinho branco subindo e descendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele era o motor girando debaixo da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele era a luz acesa no topo da roda-gigante.<\/p>\n\n\n\n<p>O parque pulsava dentro dele e ele pulsava dentro do parque.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouviu passos leves. Algu\u00e9m novo chegando com caixa de ferramentas, cara de quem ainda acredita que d\u00e1 pra consertar tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>O motor continuou girando.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque daqui ningu\u00e9m some.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui s\u00f3 para de for\u00e7ar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jota tinha 44 anos, 1,83 m, 110 kg de quem j\u00e1 nadou s\u00e9rio e depois deixou a vida engordar um pouco. N\u00e3o fumava, n\u00e3o bebia, s\u00f3 cheirava de vez em quando pra lembrar que ainda existia. Todo mundo o chamava de Jota desde sempre \u2014 at\u00e9 a m\u00e3e. 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