{"id":705,"date":"2026-01-10T00:15:00","date_gmt":"2026-01-10T03:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/?post_type=capitulo&#038;p=705"},"modified":"2026-03-26T10:50:57","modified_gmt":"2026-03-26T13:50:57","slug":"a-pedra-que-sobrou","status":"publish","type":"capitulo","link":"https:\/\/ziev.com.br\/gpjota\/livro\/dias-apos-um-fim\/capitulo\/a-pedra-que-sobrou\/","title":{"rendered":"A Pedra Que Sobrou"},"content":{"rendered":"\n<p>Regi\u00e3o do Guartel\u00e1, fim de tarde, o sol j\u00e1 tinha se mandado deixando s\u00f3 um roxo sujo no c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>O buraco estava quase vazio.<\/p>\n\n\n\n<p>Cascalho vermelho, poeira, ecoando, cheiro de enxofre e suor de macho que trabalhou o dia inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Um a um, os caras foram largando as picaretas, acendendo cigarro, tirando selfie com os diamantinhos pequenos na palma da m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Encontrei pessoal! Bora tomar uma gelada!<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das pessoas tinha encontrado uma pequena pedra que fez todos os outros se animarem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Meu diamante vai pagar o churras na laje domingo!<\/p>\n\n\n\n<p>Risos e poeira subindo pro c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota ficou.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre ficava um pouco mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Camiseta regata vinho grudada no peito como segunda pele, 110 kg brilhando de suor, mochila laranja aberta no ch\u00e3o, caderno marrom dentro, t\u00eanis surrado afundado na terra vermelha, cadar\u00e7o direito solto arrastando como cobra morta.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo mundo levou suas pedrinhas brilhantes, frias, perfeitas pra postar no Stories com filtro Valencia.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota ficou catando os restos, porque sempre esperava encontrar a dele.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed viu ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pedra feia pra caralho.<\/p>\n\n\n\n<p>Abandonada.<\/p>\n\n\n\n<p>Lascada no que era poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Cor de merda seca.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pedra que j\u00e1 tinham desistido.<\/p>\n\n\n\n<p>Se aproximou s\u00f3 pra n\u00e3o deixar l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando bateu a picareta de leve (s\u00f3 pra ver o que tinha dentro), ela cantou diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Um som quente.<\/p>\n\n\n\n<p>Grave.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se esperasse a batida de Jota.<\/p>\n\n\n\n<p>Abriu uma fenda m\u00ednima.<\/p>\n\n\n\n<p>Saiu a primeira pepita.<\/p>\n\n\n\n<p>Pequenininha, dourada, perfeita, quente na palma da m\u00e3o como se tivesse acabado de sair do corpo de algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois outra.<\/p>\n\n\n\n<p>E mais uma.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o era veia grossa.<\/p>\n\n\n\n<p>Era um monte de veiazinha fina, milhares de pontinhos de ouro puro escondidos ali dentro, esperando quem tivesse paci\u00eancia de olhar.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota riu sozinho no fundo do buraco.<\/p>\n\n\n\n<p>Os caras j\u00e1 estavam longe, subindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Abra\u00e7ou a pedra contra o peito.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela esquentava.<\/p>\n\n\n\n<p>Vibrava baixo, quase impercept\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se tivesse cora\u00e7\u00e3o batendo junto com o dele.<\/p>\n\n\n\n<p>E ali, no sil\u00eancio absoluto do c\u00e2nion pr\u00f3ximo, com o vento passando entre as paredes de arenito vermelho ao longe, ele sentiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Um tes\u00e3o que ele nunca tinha sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o era desejo.<\/p>\n\n\n\n<p>Era reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele calor subindo do peito pra garganta, aquele arrepio na nuca, aquela vontade de chorar e rir ao mesmo tempo, de beijar a pedra, de dormir com ela, de nunca mais largar.<\/p>\n\n\n\n<p>Era a primeira vez na vida que ele sentia um neg\u00f3cio querer ele de volta.<\/p>\n\n\n\n<p>A pedra escolheu ele.<\/p>\n\n\n\n<p>E ele escolheu ela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014\u2014\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Jota ficou ali de joelhos no fundo do buraco, abra\u00e7ando a pedra como se fosse crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O calor dela atravessava a camiseta vinho, queimava gostoso no peito, subia pro pesco\u00e7o, descia pelos bra\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele sentia cada pepita l\u00e1 dentro se mexendo, como se fossem fa\u00edscas vivas correndo sob a pele.<\/p>\n\n\n\n<p>De repente, flash.<\/p>\n\n\n\n<p>Rosto da Little Boobs apareceu dentro de uma pepita, sorrindo aquele sorriso de quem sabe o estrago que faz.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois Larissa, olhos grandes, mordendo o l\u00e1bio, acenando de longe na borda do c\u00e2nion.<\/p>\n\n\n\n<p>As duas viraram p\u00f3 dourado, rodopiaram no ar, entraram pelo nariz dele, desceram pro peito, se misturaram com o calor da pedra.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota riu alto, rouco, ecoando nas paredes do buraco.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 em cima, escutou alguns gritos de comemora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota parou de dar aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 abra\u00e7ou mais forte.<\/p>\n\n\n\n<p>A pedra pulsou, como quem vibra junto com quem fica.<\/p>\n\n\n\n<p>Levantou, 110 kg + 10 kg de pedra = equil\u00edbrio prec\u00e1rio mas poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Embrulhou ela na camiseta vinho, fez um n\u00f3 apertado contra o peito, como carregador de beb\u00ea de favela.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ou a subir a rampa de terra vermelha.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada passo era mais pesado, mas mais leve ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>No meio da rampa, o cadar\u00e7o direito soltou de vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Enroscou numa raiz de arauc\u00e1ria que sa\u00eda da parede.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota puxou.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00f3 apertou.<\/p>\n\n\n\n<p>Teve que parar, se agachar, desamarrar com uma m\u00e3o s\u00f3, a outra segurando a pedra contra o peito.<\/p>\n\n\n\n<p>Minutos perdidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando levantou, a pedra tinha esfriado um pouco.<\/p>\n\n\n\n<p>Deu pra respirar.<\/p>\n\n\n\n<p>Deu pra continuar.<\/p>\n\n\n\n<p>O cadar\u00e7o salvou sem querer: fez ele parar quando ia desmaiar de exaust\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Passo a passo.<\/p>\n\n\n\n<p>Suor escorrendo nas costas, pedra aquecendo de novo aos poucos, peito latejando.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegou na borda j\u00e1 noite fechada.<\/p>\n\n\n\n<p>Estrelas frias em cima.<\/p>\n\n\n\n<p>Gol Bolinha cinza estacionado na beira da estrada de terra, farol apagado, porta-malas aberto, esperando como cachorro fiel.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a pedra ainda no colo, sentou no banco do motorista, pegou a mochila laranja, que estava no carro, abriu o z\u00edper, tirou o caderno marrom.<\/p>\n\n\n\n<p>Abriu em uma p\u00e1gina qualquer e com a caneta escreveu, sem data:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pedra que sobrou. Ainda pulsa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Guardou.<\/p>\n\n\n\n<p>Colocou a pedra embrulhada no banco do carona.<\/p>\n\n\n\n<p>O banco afundou com o peso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela ficou ali, encostada no vidro, olhando pra frente como se soubesse o caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>O isqueiro amarelo rolou do bolso, caiu no assoalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Faiscou sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Parecia sorrir.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota pegou o isqueiro do ch\u00e3o, ainda quente, guardou de volta no bolso.<\/p>\n\n\n\n<p>Sorriu de volta pra pedra.<\/p>\n\n\n\n<p>Ligou o Gol.<\/p>\n\n\n\n<p>O motor roncou baixo, quase carinhoso.<\/p>\n\n\n\n<p>E foram embora, ele e ela, pela estrada de terra, poeira dourada subindo atr\u00e1s, estrelas em cima, ouro dentro.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa vez ia pra casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque dessa vez tinha algo que prestava.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014\u2014\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Estrada de terra da regi\u00e3o do Guartel\u00e1 at\u00e9 a BR-277, noite sem lua, s\u00f3 farol do Gol Bolinha cortando a escurid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A pedra estava no banco do carona, embrulhada na camiseta vinho rasgada, mas o calor atravessava o pano, atravessava o banco, atravessava o carro inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota dirigia com uma m\u00e3o s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>A outra em cima dela, sentindo a vibra\u00e7\u00e3o lenta, constante, como cora\u00e7\u00e3o de mulher dormindo no peito dele depois do amor.<\/p>\n\n\n\n<p>De vez em quando uma pepita solta rolava no embrulho, tilintava baixinho, parecia rir.<\/p>\n\n\n\n<p>O r\u00e1dio que n\u00e3o funciona tocava um som que s\u00f3 ele ouvia: batida grave, quase gemido.<\/p>\n\n\n\n<p>Passou Castro, Carambei, Ponta Grossa.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada cidade que deixava pra tr\u00e1s, a pedra esquentava mais um grau.<\/p>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Luiz do Purun\u00e3 parou no posto, desceu pra mijar.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando voltou, o isqueiro amarelo estava queimando.<\/p>\n\n\n\n<p>Tirou, acendeu.<\/p>\n\n\n\n<p>A chama parecia maior que o normal.<\/p>\n\n\n\n<p>Vento soprando forte, mas a chama n\u00e3o apagava.<\/p>\n\n\n\n<p>Iluminava a pedra pelo vidro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou ele que estava menor.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota soprou a chama. Guardou no bolso.<\/p>\n\n\n\n<p>Entrou no carro de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Calma a\u00ed \u2014 falou pra ela. \u2014 Ainda falta chegar em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela pulsou duas vezes, como quem diz &#8220;eu sei&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Curitiba apareceu na frente, luzes amarelas, frio dos infernos batendo no vidro.<\/p>\n\n\n\n<p>Cap\u00e3o da Imbuia, rua do Professor, casa simples.<\/p>\n\n\n\n<p>Estacionou o Gol torto na garagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Desceu, pegou a pedra com as duas m\u00e3os, pesada mas carreg\u00e1vel, abra\u00e7ou contra o peito como se fosse leve. As pequenas deixou ali por enquanto.<\/p>\n\n\n\n<p>Entrou.<\/p>\n\n\n\n<p>Quarto escuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Colocou ela encostada na parede, do lado da cama, exatamente onde a luz da janela da rua bate de manh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Desembrulhou a camiseta vinho.<\/p>\n\n\n\n<p>A pedra estava l\u00e1, feia, rachada, mas com veias douradas brilhando mais forte agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Passou a m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quente.<\/p>\n\n\n\n<p>Respirando baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Soltando de vez em quando uma nova pedrinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota deitou na cama, de lado, olhando pra ela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Boa noite \u2014 falou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela pulsou de volta.<\/p>\n\n\n\n<p>Fechou os olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sonhou que estavam os dois no fundo do buraco de novo, s\u00f3 que agora o buraco era o quarto, e o teto era o c\u00e9u do Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>E o ouro cantava baixinho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014\u2014\u2014<\/p>\n\n\n\n<p>Semanas depois.<\/p>\n\n\n\n<p>A pedra ainda est\u00e1 ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Encostada na parede do quarto, no mesmo lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora linda.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesada.<\/p>\n\n\n\n<p>E toda noite Jota passa a m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E ela esquenta.<\/p>\n\n\n\n<p>E vibra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes mais forte, como se tivesse pressa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes devagar, como quem dorme tranquilo sabendo que ele n\u00e3o vai embora.<\/p>\n\n\n\n<p>O t\u00eanis surrado est\u00e1 no ch\u00e3o, cadar\u00e7o direito ainda solto, terra vermelha do Guartel\u00e1 que nunca sai de vez.<\/p>\n\n\n\n<p>A camiseta vinho virou pano de ch\u00e3o, mas ainda tem cheiro de c\u00e2nion.<\/p>\n\n\n\n<p>A mochila laranja fica aberta do lado da cama, caderno marrom em cima, p\u00e1gina marcada com uma pepita solta que ele usa de peso de papel.<\/p>\n\n\n\n<p>As pedrinhas que a pedra soltava, Jota come\u00e7ou a chamar de PIPs. Sem motivo. S\u00f3 as chamava assim \u2014 as PIPs da pedra maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota escreveu de novo, sem data:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ela t\u00e1 crescendo. Ou eu que t\u00f4 diminuindo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Porque \u00e9 verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem dia que acorda e a pedra parece maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem dia que acorda e ele parece menor.<\/p>\n\n\n\n<p>Met\u00e1fora, claro.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas met\u00e1fora que pesa.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor de geologia, aquele que deu aula pra ele no t\u00e9cnico anos atr\u00e1s, mora em Quatro Barras agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota passa na frente da casa dele \u00e0s vezes, de Gol Bolinha, diminui a marcha, olha a janela.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele t\u00e1 l\u00e1, sentado na varanda, fumando cachimbo, olhando o horizonte como quem espera algu\u00e9m que nunca chega.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia Jota vai parar.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia vai descer com a pedra nos bra\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia vai falar:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Olha isso aqui, professor. Olha o que sobrou. Olha o que ningu\u00e9m quis.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele vai pegar a lupa.<\/p>\n\n\n\n<p>Vai raspar.<\/p>\n\n\n\n<p>Vai sorrir daquele jeito lento dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Vai falar:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Isso aqui \u00e9 raro, Geraldo. Isso aqui \u00e9 teu.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas por enquanto n\u00e3o \u00e9 dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por enquanto \u00e9 s\u00f3 ele e ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Jota passa a m\u00e3o toda noite.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela pulsa de volta.<\/p>\n\n\n\n<p>E o ouro l\u00e1 dentro canta baixinho, paci\u00eancia de quem sabe que um dia vai ser visto.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque no final das contas,<\/p>\n\n\n\n<p>a minera\u00e7\u00e3o inteira pode dar diamante pra quem tem pressa,<\/p>\n\n\n\n<p>mas o ouro de verdade<\/p>\n\n\n\n<p>s\u00f3 aparece pra quem tem coragem de ficar at\u00e9 o fim<\/p>\n\n\n\n<p>e carregar a pedra que ningu\u00e9m mais quis.<\/p>\n\n\n\n<p>E enquanto ela pulsar,<\/p>\n\n\n\n<p>ele fica.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque essa pedra n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ouro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 prova.<\/p>\n\n\n\n<p>Prova que quem fica at\u00e9 o fim<\/p>\n\n\n\n<p>nunca sai de m\u00e3os vazias.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 sai com o peito cheio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Regi\u00e3o do Guartel\u00e1, fim de tarde, o sol j\u00e1 tinha se mandado deixando s\u00f3 um roxo sujo no c\u00e9u. 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